Um dia
me descobri a perambular
na amplidão do Novo Mundo,
por um Novo Mundo
que já não era meu.
Outros donos tinham suas terras,
suas minas e seus mares.
Desse Novo Mundo
meu era tão somente
o silêncio de verdes paisagens,
os murmúrios do vento primaveril
soprando longínquas histórias...
Misturado à brisa
longe, muito longe
rompia o véu de silêncio
tropel dos heróis nativos
galopando estradas,
palmilhando secretas trilhas
varando perigosos pântanos.
Perambulando
a imensidão do Novo Mundo
veloz
vi Zapata escalando montanhas
em seu cavalo negro
ao encontro de Pancho Vila
distribuindo terras
aos campônios mexicanos.
Perambulando
a imensidão da América
o Cavaleiro da Esperança
incendiava os sertões do Brasil
com a chama libertária.
Suaves brisas trazem
lancinantes gritos de escravos
agrilhoados em negros navios.
Sob pálida luz do luar
Zumbi rugia heróico
a cinqüentenária resistência
dos Palmares.
Graças a alguns “papa-hóstias”, como costumo chamar meus amigos da igreja, fiquei sabendo da história dela durante um agradável almoço na Feijoada da Lana, na Vila Madalena, a melhor da cidade. Repórter vive disso: tem que andar por aí, conversar com todo mundo para descobrir as novidades, ficar sabendo de personagens cuja vida vale a pena ser contada.
É este o caso da jovem Gisele Antunes Rodrigues, de 23 anos, ex-menina de rua de São Paulo, nascida em Ribeirão Pires, que deu a volta por cima e hoje está no terceiro ano de Medicina. Detalhe: ela estuda no Instituto Superior de Ciências Médicas de La Habana, em Cuba, onde estão matriculados outros 275 brasileiros.
Gisele veio passar as férias no Brasil e, na próxima semana, volta a Cuba. Como ela foi parar lá? Ninguém melhor do que a própria Gisele, que escreve muito bem, para nos contar como é a vida lá e como foi esta sua incrível travessia das ruas de São Paulo até cursar uma faculdade de Medicina em outro país.
A meu pedido, Gisele enviou seu depoimento nesta sexta-feira e eu pedi autorização para poder reproduzí-lo aqui no Balaio. Tenho certeza de que esta comovente história com final feliz pode servir de estímulo e inspiração a outros jovens que vivem em dificuldades.
Para: Ricardo Kotscho
Olá!!!
Autorizo o senhor a publicar essa história. Caso deseje, pode corrigir os erros. Mas, por favor, sem sensacionalismo. Tente seguir mais o menos o texto abaixo. Desculpa por escrever isso, mas eu já tive problemas.
Gosto do seu blog, vou tentar acessar nele em Cuba.
Abraços
Gisele Antunes
***
Só mais uma brasileira
Saí de casa com 9 anos de idade porque minha mãe espancava eu e meu irmão. Não tínhamos comida, o básico para sobreviver. Meu pai nunca foi presente. É um alcoólatra que só vi duas vezes na vida. Minha mãe é uma mulher honesta, mas que não conseguia educar seus filhos. Já foi constatado que ela tem problemas mentais.
Ela trabalhava como cigana na Praça da República. Quando eu fugi de casa segui esse caminho, e encontrei uma grande quantidade de meninos e meninas de rua. Apresentei-me a um deles, este me ensinou como chegar em um albergue para jovens, e a partir desse momento passei a ser menina de rua. Só comparecia nessa instituição para comer, tomar banho e ter um pouco de infância (brincar). No meu quinto dia na rua, comecei a cheirar cola e depois maconha.
Alguns educadores preocupados com a minha situação tentavam me orientar, mas de nada valia. Foi quando me apresentaram a uma religiosa, a irmã Ana Maria, que me encaminhou para um abrigo, o Sol e Vida. Passei uns três anos lá e deixei de usar dogras. Esta instituição não era financiada pelo governo. Quando foi fechada, me encaminharam a outros abrigos da prefeitura, entre eles o Instituto Dom Bosco, do Bom Retiro. E assim foi, até os 17 anos.
Para alguém que usa droga, não era fácil seguir regras. Foi por muita persistência e um ótimo trabalho de vários educadores que eu consegui deixar a drogas, sair da desnutrição e recuperar a saúde após anemia grave.
Na infância, era rebelde, não queria aceitar a minha situação. Apenas queria ter uma família. Mas havia algo que eu valorizava _ a escola e os cursos que eu fazia na adolescência. Aos 14 anos de idade, comecei a jogar futebol, tive a minha primeira remuneração. Aos 16 anos, entrei em uma empresa, a Ericsson, que capacitava jovens dos abrigos para o mercado de trabalho. Essa empresa financiou meu curso de auxiliar de enfermagem e o inicio do técnico. O último não foi possível concluir.
Explico: existe uma lei nas instituições públicas segunda a qual o jovem a partir dos 17 anos e 11 meses não é mais sustentado pelo governo, tem que se manter sozinho. Como eu não tinha contato com a minha família, quando se aproximou a data de completar essa idade, entrei em desespero.
A sorte foi que a entidade, o Instituto Dom Bosco Bom Retiro, criou um projeto denominado Aquece Horizonte. Este projeto é uma república para jovens que, ao sair do abrigo, podem ficar lá até os 21 anos. Os coordenadores e patrocinadores acompanham o desenvolvimento do jovem neste período de amadurecimento.
As regras mais básicas da república são: trabalhar, estudar e querer vencer na vida. No segundo ano de república, eu desejava entrar na universidade, mas sabia que não tinha condições de pagar a faculdade de enfermagem ou conseguir passar na universidade pública.
Optei então por fazer a faculdade de pedagogia. É uma área que me encanta, e a única que podia pagar. No primeiro semestre da faculdade de pedagogia, um educador do abrigo, o Ivandro, me chamou pra uma conversa e me informou sobre um processo seletivo para estudar medicina em Cuba. Fiquei contente e aceitei participar da seleção.
Passei pelo processo seletivo no consulado cubano e estou desde 2007 em Cuba. Dou inicio ao terceiro ano de medicina no dia 06 de setembro de 2010. São 7 anos no país, sendo 6 de medicina e um de pré-médico.
Ir a Cuba foi minha maior conquista. Além de aprender sobre a medicina, aprendo sobre a vida, a importância dos valores. Antes de ir, sempre lia reportagens negativas sobre o país, mas quando cheguei lá, não foi isso que vi. Em Cuba, todos têm direito a educação, saúde, cultura, lazer e o básico pra sobreviver.
Li em muitas revistas que o Fidel Castro é um ditador, e descobri em Cuba, que ele é amado e idolatrado pelos cubanos. Escrevem que Cuba é o país da miséria. Mas de que tipo de miséria eles falam? Interpreto como miséria o que passei na infância. Em casa, não tinha água encanada, luz, comida.
Recordo que tinha dias em que eu, meu irmão e minha mãe não conseguíamos nos levantar da cama devido a fraqueza por falta de alimento. Tomávamos água doce pra esquecer a fome. Então, quando abro uma revista publicada no Brasil e nela está escrito que Cuba é um país miserável, eu me pergunto: se em Cuba, onde todos têm os direitos a saúde, educação, moradia, lazer e alimento, como podemos denominar o Brasil?
Temos um país com riqueza imensa, que conquistou o 8º lugar no ranking dos países mais ricos, mas sua riqueza se concentra nas mãos de poucos, com uns 60 % da população vivendo em uma miséria verdadeira, pior que a miséria da minha infância.
Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos estados Unidos por ser um país socialista e é criticado por outros governos. No entanto, consegue dar bolsa para mais de 15 mil estrangeiros de vários países, se destaca na área da saúde (gratuita), educação (colegial, médio, técnico e superior gratuito para todos) e esporte (2º lugar no quadro de medalhas, na historia dos Jogos Panamericanos), é livre de analfabetismo.
A cada mil nascidos vivos morrem menos de 4. Vivenciando tudo isso, eu queria também que o Brasil fosse miserável como Cuba, como é escrito em varias revistas. Acho que o brasileiro estaria melhor e não seria tão comum encontrar tantos jovens sem educação, matando, roubando e se drogando nas ruas.
Vou passar mais quatro anos em Cuba e não quero deixar o curso por nada. Desejo concluir a faculdade e ajudar esse povo carente que sonha com melhoras na área da saúde, quero ajudar outros jovens a realizar os seus sonhos , como me ajudaram. Também pretendo apoiar meu irmão, que deseja estudar direito.
Tenho meu irmão como exemplo de superação. Saiu de casa com 13 anos de idade, mas não foi para uma instituição governamental. Morou em um cômodo que seu patrão lhe ofereceu. Enquanto eu estudava e fazia cursos, ele estava trabalhando para ter o pão de cada dia. Hoje, ele é um homem com 25 anos de idade, casado e tem uma filha linda, e mesmo assim encontra tempo pra me apoiar e me dar conselhos.
Foi muito bom visitar o Brasil. Depois de longos 13 anos tive um tipo de comunicação com a minha mãe. Isso pra mim é uma vitoria. Quero estar próxima dela quando voltar.
Conto um pouco da minha história, mas sei que muitos brasileiros ultrapassaram barreiras piores, até realizarem seus sonhos. Peço ao povo brasileiro que continue lutando. É período de eleições, peço também que todos votem com consciência, escolha a pessoa adequada pra administrar o nosso país tão injusto.
Gisele Antunes Rodrigues
Ser culto é o único modo de ser livre (José Martí)
*Matéria originalmente publicada no Balaio do Kotscho
Modesto da Silveira entrevista militares cassados no “Pulando a Cerca”
O Programa Pulando a Cerca, ancorado por Daniel Chutorianscy, terá um convidado muito especial na próxima sexta, 3: o advogado Modesto da Silveira, recordista na defesa de civis e militares punidos durante o regime militar (64-85). Ele participará da entrevista com os capitães de Marinha e integrantes da direção da Associação Democrática e Nacionalista de Militares (Adnam), Fernando de Santa Rosa e Luiz Carlos Souza Moreira.
Os dois militares foram presos no dia 6 de abril de 1964, cassados e excluídos dos quadros pelo primeiro ato institucional da junta militar golpista, mas, ao contrário dos torturadores, eles continuam sem anistia. O programa será transmitido às 10h30, ao vivo, na Unitevê, o canal universitário de Niterói e São Gonçalo (17 NET), e terá 45 minutos de duração.
Quem não mora em Niterói e São Gonçalo ou não possui TV a Cabo poderá acompanhar pela internet. Basta acessar www.uniteve.uff.br
A presidente Cristina Fernández de Kirchner apresentou, na noite desta terça, um relatório de mais de 20 mil páginas acusando os donos dos principais jornais do país de envolvimento em crimes cometidos durante a ditadura. No relatório, intitulado “Papel Prensa, a Verdade”, o governo denuncia os proprietários dos jornais La Nación, Clarín e do extinto La Razón de terem se apropriado ilegalmente e mediante ameaças da maior empresa fornecedor de papel jornal do país na época da ditadura, a Papel Prensa, em novembro de 1976.
Página/12
O governo argentino denunciou, na noite desta terça-feira (24), a apropriação ilegal da empresa “Papel Prensa” (maior empresa fornecedora de papel jornal do país) por parte dos jornais Clarín, La Nación e La Razón.
A presidente Cristina Fernández de Kirchner, acompanhada de todo o seu gabinete, dos presidentes de ambas as câmaras, funcionários, dirigentes políticos empresários e de representantes de organizações sociais recebeu o informe elaborado pela Comissão Oficial formada especialmente para investigar a transferência das ações da empresa do Grupo Graiver (antigo proprietário de Papel Prensa) aos proprietários dos jornais Clarín, La Nación e La Razón. Essas empresas (durante a ditadura) “necessitavam das ações classe A para assumir o controle da empresa”, fato comunicado naquela época, nos três jornais, por meio de uma nota afirmando que “tomavam o controle da empresa conforme acordo prévio com a Junta de Comandantes” da ditadura.
Cristina Fernández de Kirchner afirmou que “no caso do Clarín ocorreu a coincidência entre quem fabrica o papel e quem controla a palavra impressa”. Ela denunciou as condições políticas nas quais a transferência das ações se deu, num país em que só existia a “liberdade ambulatória”. Denunciou também que, anos depois, por causa da falência do La Razón, os jornais controladores da empresa “acordaram um pacto de sindicalização de ações”, para controlar as decisões da companhia.
Assegurou, além disso, que a viúva de David Graiver, Lidia Papaleo, foi detida cinco dias depois de ter assinado a transferência das ações da empresa do marido, para evitar que a empresa caísse na interdição dos bens da família ordenada pela Junta militar. Por último, afirmou que “apesar de que estou convencida de como as coisas aconteceram, o Procurador do Tesouro fará a denúncia correspondente para que a Justiça determine as condições nas quais se realizou a transferência das ações da empresa” e antecipou que enviará ao Congresso um projeto de lei para “declarar de interesse público a produção de pasta de celulose e do papel jornal, bem como sua distribuição e comercialização, e para estabelecer o marco regulatório deste insumo básico, que garanta um tratamento igualitário para todos os jornais da República.”
Integrante da Comissão, Alberto González Arzac afirmou que “o informe constitui uma refutação definitiva das versões sobre a história da empresa Papel Prensa S/A que os jornais Clarín e La Nación publicaram em suas edições de 2 de março e de 4 de abril deste ano.
A cidade de Havana – pérola das Antilhas – mais uma vez foi palco do XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA. Ao evento, ocorrido entre os dias 24 e 30 de maio, compareceram poetas de várias partes do mundo, especialmente da América Latina. O referido Festival foi uma homenagem ao Bicentenário do Início da Luta pela Primeira Independência da América e também ao Centenário de JOSÉ LEZAMA LIMA e MIGUEL HERNÁNSDEZ.
O Festival teve sua recepção inicial na sede da União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC),quando a Comissão Organizadora do evento saudou
os poetas e demais convidados presentes, ocasião em que diversos poetas se pronunciaram sobre a importância do Festival e da felicidade de estarem ali com poetas do mundo inteiro. Em seguida ônibus conduziram a delegação internacional de poetas ao Museu Che Guevara, sua antiga residência. Além da saudosa visita ao lugar em que viveu Guevara, aconteceu a cerimônia do plantio de várias árvores, simbolizando a integração do Continente Americano.
Sempre levada por ônibus especiais, a caravana de poetas foi a uma noite de músicas e vinhos na Sociedade Cultural José Marti, quando uma diva cubana deliciou todos os poetas com o seu mavioso canto. Comovente era o espírito de confraternização e solidariedade do povo cubano para com os visitantes que materializavam a necessária e libertária integração continental com que tanto sonharam os líderes, Bolívar,Guevara, Tiradentes e José Marti que assim se expressou: A América há de promover tudo o que una nossos povos e há de abominar tudo o que os separe.
Do palco do Teatro do Museu Nacional de Belas Artes foi enviada uma mensagem poética aos povos do mundo com poemas declamados na mais simbólica solenidade, que premiou os poetas integrantes da Rede Mundial de Poetas em Defesa da Humanidade, presidida por Tarek William Saab.
O poeta brasileiro que participou do XV Festival de Poesia de Havana, André Borges, entre outros poemas que apresentou no Festival, declamou o seu poema CHE GUEVARA.
CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promulgou na terça-feira uma nova lei para o mercado financeiro, que proíbe as Bolsas de comercializarem títulos da dívida pública.
Essa atividade, além de operações de renda fixa e variável, será assumida pela nova Bolsa Pública de Valores, a ser lançada nas próximas semanas, segundo Chávez. O presidente disse a uma TV estatal que a nova lei irá contribuir para livrar o país da "podridão do capitalismo".
Analistas ouvidos pela Reuters disseram no mês passado que a regra restringiria as Bolsas e corretoras ao quase inexistente mercado da dívida privada, o que pode levar ao "fechamento técnico" das quase 90 corretoras de valores venezuelanas.
Até agora, as Bolsas e corretoras podiam operar a compra e venda dos títulos da dívida pública, com os quais investidores podem obter dólares de maneira legal, em meio ao rígido controle cambial vigente desde 2003.
O governo diz que empresas privadas que enriqueceram com as enormes emissões de dívida pública dos últimos anos incorreram em crimes de lavagem de dinheiro e conspiraram para desestabilizar a "revolução socialista" de Chávez.
Cerca de 30 Bolsas e corretoras sofreram intervenções e dezenas de executivos foram presos durante o governo de Chávez.
A nova lei se soma a várias outras restrições prévias, como a que vetava a participação de intermediários num novo mecanismo do Banco Central que usa cotações dos títulos soberanos e dos papéis da estatal petroleira PDVSA para gerar um terceiro tipo de câmbio oficial.
Corte Constitucional colombiana divulgou esta semana o resultado da sentença sobre a inconstitucionalidade do acordo militar que permitia aos Estados Unidos operar em sete bases colombianas, desde 30 de outubro de 2009. O acordo, que já se encontra sem efeito desde o dia 17 de agosto, precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para que seja afirmada ou negada sua validade. Na avaliação da Corte, acordo "afeta de maneira evidente a soberania nacional".
Natasha Pitts *
Conforme previsto, a Corte Constitucional colombiana divulgou terça-feira (17) o resultado da sentença sobre a inconstitucionalidade do acordo militar que permitia aos Estados Unidos operar em sete bases colombianas, desde 30 de outubro de 2009. O acordo, que já se encontra sem efeito deste ontem, precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para que seja afirmada ou negada sua validade.
No início de outubro de 2009, o Conselho de Estado já havia alertado o governo colombiano para a necessidade de que o ‘Acordo Complementar para a Cooperação e Assistência Técnica em Defesa e Segurança’ fosse renegociado, já que afetava de maneira evidente a soberania nacional. Além disso, emitiu um conceito em que recomendou que os trâmites fossem resolvidos junto ao Congresso da República.
Mesmo com todas as orientações e recomendações e ignorando o Conselho de Estado, o governo de Álvaro Uribe passou por cima da Constituição colombiana e firmou o contrato com o governo estadunidense, dando o aval para a entrada de cerca de 800 militares, 600 civis, além de navios e aviões do exército dos EUA.
"Desta forma se comprova que sim, tinham fundamento os questionamentos que amplos setores democráticos da população colombiana e estadunidense vinham fazendo sobre o acordo militar e sobre a forma mansa com que o governo de Uribe, com seu então ministro de Defesa hoje presidente, Juan Manuel Santos, pretendia renunciar à soberania nacional", reflete a Coalizão Colômbia Não Bases, que nasceu para combater a instalação de bases militares no território colombiano.
Pela junção de todas as ilegalidades, a presidente da Corte Constitucional, Mauricio González, declarou que o acordo é contrário às praxes constitucionais e por não ter sido avalizado pelo Congresso não pode surtir efeitos na ordem jurídica interna do país até que seja sanada a exigência. Conforme acrescentou a Coalizão Colômbia Não Bases em notícia publicada ontem, como o acordo já vinha sendo executado "deverão ser retiradas as tropas e equipes estrangeiras das bases militares colombianas".
O acordo foi devolvido ao presidente Juan Manuel Santos e a partir da data da liberação da sentença o governo terá um ano para retificá-lo e para que o mesmo tramite junto ao Congresso. No caso de ser enviado e aprovado pelo Congresso, de maioria oficialista, deverá ser submetido a um novo exame do tribunal.
Ciente do resultado da sentença, o governo nacional, por meio do ministro de Defesa, Rodrigo Rivera, anunciou que acata a sentença e "estudará detalhadamente dita decisão à luz das normas do direito internacional, dos acordos vigentes e das demais normas aplicáveis".
Segundo informações da agência AFP, durante pronunciamento, o governo nacional deixou claro que a decisão da Corte "não afeta os acordos previamente subscritos e vigentes com os Estados Unidos", os quais "se vêm cumprindo e seguirão sendo cumpridos de boa fé".
Após a liberação da sentença, o advogado Luis Guillermo Pérez, do Coletivo jurídico José Alvear Restrepo Cajar, ONG que havia pedido por própria conta a declaração de inconstitucionalidade, reforçou a postura de que os colombianos precisam "resolver o conflito por seus próprios meios". O advogado também relembrou que a ocupação estadunidense no país nunca havia sido analisada de modo adequado e criticou o fato de a população ignorar o que os militares faziam na região.
Ainda no avião, na rápida viagem entre São Paulo e
Assunção lembrava todo o tempo de incluir em minha saudação neste
Encontro, em terras Guarany, meus pedidos de desculpas ao povo
paraguaio. Certamente esse ato terá pouco valor, pois falo somente em
meu nome e não da nação brasileira, de seus mandatários, quem de fato
deveria pedir desculpas ao povo e a nação paraguaia por uma série de
injustiça que cometemos contra esse povo irmão.
Mas me sinto com a obrigação ética de dirigir essas
palavras ao povo paraguaio. Hoje mais do que ontem.
Meus pedidos de desculpas.
Peço desculpas ao Paraguai pelos crimes bárbaros
cometidos pelo Exército Brasileiro na chamada “Guerra do Paraguai”, no
século XIX. Poderíamos chamar da “Chacina de Assunção”, quando o
Exército Brasileiro cercou e incendiou os campos ao redor de Assunção,
onde crianças e mulheres se refugiavam da invasão brasileira a cidade.
Foram cerca de três mil crianças e mulheres mortas no fogo ateado pelo
Brasil, a serviço dos interesses britânicos. Injustificável a Guerra,
imperdoável os crimes. Os sentimentos de dor pelos paraguaios, nossos
irmãos, mortos naquele horrendo episódio se misturam à vergonha do
nosso exército assassino. A reparação histórica daqueles crimes o
Brasil ainda é devedor. Certamente um dia pagaremos essa conta, com a
integração solidária entre nossos povos. Conviveremos irmanados com a
dor e a vergonha do nosso passado, porém jamais com o esquecimento.
Peço desculpas ao Paraguai e ao seu povo trabalhador
pelo preconceito proclamado e difundido por uma elite social
brasileira, ignorante e racista, que associa Paraguai e paraguaios à
falsidade e falsificação, desconhecendo sua história de luta e seus
esforços para constituir um lugar digno e honrado para se viver. As
mentes colonizadas no Brasil refletem o que a grande mídia racista
preconiza. O episódio deplorável dos comentaristas da Rede Globo em
seu canal esportivo a cabo (Sportv), quando da cobertura, na copa do
mundo, da partida Paraguai X Espanha é repassado aos ignorantes, de
mentes colonizadas que se espalham em nosso país, atingindo inclusive
as universidades, transformando em reprodutores desse preconceito
racial, de traços fascistas, os que deveriam combatê-los. Parte de
nossos educadores apenas reproduzem esse estereótipo idiota. À Rede
Globo nosso mais ferrenho repúdio, com a solidariedade de vários
setores da sociedade brasileira, inclusive de setores governamentais.
Aos educadores, mentes colonizadas, nosso convite para conhecer a
história e a força desse povo Guarany, raiz profunda de Nuestra
América.
Irmãos paraguaios aceitem minhas desculpas. É importante
compreendermos que o preconceito e o racismo são inerentes às
sociedades de classes. Há preconceito “interno” no Brasil, entre
brasileiros. Sofremos o mesmo tipo de preconceito, talvez em menor
escala, difundido e praticado por racistas/fascistas contra pobres,
negros, índios e contra nós nordestinos. É a conseqüência de uma
sociedade desigual, fruto do sistema capitalista em que estamos
inseridos. Lutar contra esses preconceitos raciais necessariamente nos
faz lutar contra o sistema e vice versa.
Peço desculpas pelo crime ambiental que o tão
propalado “agronegócio brasileiro” comete contra o “Aqüífero Guarany”
em terras brasileiras e paraguaias. Certamente um dos maiores
patrimônio natural das terras americanas. São toneladas de produtos
químicos (venenos), lançados diariamente por aviões nas terras que
cobrem o aqüífero e que, com as chuvas o recarregam envenenado. Tudo
em função do lucro. Esse quadro deplorável é exaltado ao máximo pela
mídia e pelos defensores de um “desenvolvimentismo” a todo custo.
Peço desculpas pela vil forma de açambarcarmos a
energia de Itaipu, essa gigante bi-nacional, construída por ditadores
e que hoje necessariamente deve reestruturar-se em seu processo de
distribuição de energia elétrica, para que se faça justiça ao
Paraguai.
Meus agradecimentos.
Agradeço a forma carinhosa e calorosa que fomos
recebidos nesse país. Caminhei hoje cedinho por algumas ruas de
Assunção, me dirigi às pessoas que encontrei nas ruas, no meu
“Paraibol” desastrado. Os cumprimentei e fui correspondido. Como
sempre na América Latina, encontrei um povo amável, amigo, simples,
humilde. Sinto-me entre irmãos e irmãs. Na minha casa. Apenas um
pouco mais fria do que de costume. Recordo-me e me emociono com as
lembranças dos jesuitas em suas missões por aqui, encantados com a
sabedoria Guarany e a edificação da experiência mais fantástica da
vida comunitária estruturada em nossas terras, ao redor do Rio
Paraguai, destruida pela cúpula católica e a Coroa Espanhola - Quanta
estupidez. É preciso refazer tudo. Recomeçar mais uma vez.
Não sai da minha mente e canto em silêncio os primeiros versos da
Internacional. De pé ó vítimas da fome, de pé famélicos da terra...
Muito obrigado pelo convite. Espero colaborar, de alguma forma, para
reforçar a compreensão do que é a América Latina hoje e contribuir
para a sua integração de forma livre e solidária.
Como 95% dos paraguaios falam o Guarany, tento uma saudação nesse
idioma, que procurei aprender de ontem para cá.: Yopará (tudo bem)!
Em junho deste ano, cerca de 12,8 milhões de pessoas, o que equivale a 28,8% do total da população ocupada, estava trabalhando na economia informal no México. Desemprego, por sua vez, atinge 2,5 milhões de pessoas, quantidade que supera em 30% os 1,9 milhões que não tinham trabalho quando estourou a crise financeira, em fins de 2008. Além do trabalho informal, aumenta também o índice de empregos provisórios e precários.
Susana González G. - La Jornada
Pelo segundo trimestre consecutivo foi batido o recorde de mexicanos que trabalham na economia informal. Esse número chegou, em junho, a 12, 8 milhões de pessoas, o que equivale a 28,8% do total da população ocupada, informou sexta-feira (13) o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi).
A cifra corresponde ao período abril-junho de 2010 e é a mais alta dos últimos seis anos, desde que o Instituto realiza trimestralmente a Pesquisa Nacional de Ocupação e Emprego (ENOE). Se se compara com os resultados do mesmo trimestre do ano passado, a população ocupada no setor informal aumentou em 660 mil pessoas.
Apesar da crise econômica, a população ocupada na economia informal não superou, em 2008, nem em 2009 a cifra de 28, 4% registrado em fins de 2005. É neste ano, quando as autoridades falam em recuperação da economia nacional, que os mexicanos que trabalham no setor somaram 28,6% no primeiro trimestre e depois 28,8% no segundo.
Uma cifra histórica. Se se leva em conta que o dito lapso da população total do país aumentou em 849 mil pessoas, pode se afirmar que o crescimento da informalidade representa 77,8% desse número, questão que já torna evidente que parte do motor da geração de emprego não está nas políticas do estado, mas na válvula de escape que a informalidade representa, apontou José Luis de la Cruz Gallegos, diretor do Centro de Investigação em Economia e Negócios dol Tecnológico de Monterrey.
E quanto ao desemprego, no meio do ano no México se chegou a 2,5 milhões de pessoas, quantidade que supera em 30% os 1,9 milhões que não tinham trabalho quando estourou a crise financeira, em fins de 2008. Quer dizer, na metade deste ano se contabilizaram 563 mil e 329 desocupados a mais do que havia antes da crise. Quase os mesmos que o governo do presidente Felipe Calderón assegura que foram criados no setor formal durante o primeiro semestre de 2010.
As estatísticas do Inergi demonstram que a taxa de desemprego se manteve em 5,3% nos últimos três trimestres. Há um ano era de 5,2%, de modo que, comparado com o período abril-junho de 2010, implica que há mais 121 mil desocupados.
As cifras de desemprego se mantém muito acima do que o crescimento econômico deveria implicar. Com uma taxa de desocupação de 5,3%, 2010 reflete uma realidade do mercado de trabalho muito distante das perspectivas que as autoridades econômicas do país têm apresentado, disse De la Cruz Gallegos.
A ENOE destaca que a população ocupada também aumentou em 1,3 milhões de pessoas, para somar 44,6 milhões, mas explica que a população economicamente ativa (PEA) cresceu em 1,4 milhões, devido ao crescimento populacional, já que as pessoas que desistiram de buscar trabalho no trimestre pesquisado mudou as expectativas sobre a possibilidade de encontrá-lo.
Assim, os empregos criados durante o último ano não foram suficientes para cobrir o crescimento da PEA e tampouco foram de qualidade, considerou o Grupo Financeiro Banamex.
A pesquisa trimestral detalha o tipo e a qualidade de empregos que predominam no país: às já mencionadas 12,8 milhões de pessoas que trabalham no setor informal se somam 13,7 milhões que carecem de previdência social e um número similar que não tem contratos de trabalho assinado, 10 milhões de trabalhadores independentes, 4 milhões de subempregados e 3 milhões que não têm renda.
Os indicadores da ENOE produzem uma leitura conjunta negativa sobre a qualidade do emprego: aumentam as taxas de ocupação provisória e a informalidade. O emprego gerado segue concentrado nos estratos salariais mais baixos e inclusive se destróem empregos nos estratos altos, observou o Banamex Citigroup.
De cada dez empregos criados nos últimos 12 meses, sete estão no comércio, dois no campo e só um na indústria. Em todos os casos, os micronegógicios e os pequenos estabelecimentos geraram mais postos de trabalho, enquanto os grandes diminuíram o pessoal. O Inegi considera 13 atividades econômicas distintas, das quais 5 apresentaram aumento no desemprego. Em primeiro lugar ficou a indústria extrativa e elétrica, seguida do setor de transporte a da construção.
Por que as FARC, que recentemente voltaram a apresentar proposta de pacificação, buscando romper seu isolamento, iriam golpear veículos de comunicação? Não seria surpreendente se algum grupo paramilitar de ultra-direita, servindo a estratégias de confronto, tivesse se encarregado do atentado sob investigação, cuidando para que a autoria fosse imputada à guerrilha. Tal cenário seria útil para debilitar o presidente Santos, questionar seu relacionamento com a Venezuela e fortalecer os círculos mais vinculados ao enorme aparato de guerra construído por Uribe. O artigo é de Breno Altman.
Breno Altman - Opera Mundi
A bomba que, na manhã dessa quinta-feira (12/8), explodiu perto dos escritórios da Rádio Caracol e da Agência Efe, na capital colombiana, pode afetar o presidente recém-empossado, Juan Manuel Santos. O discurso moderado do novo mandatário está submetido à primeira onda de pressão, para regozijo de seu antecessor, Álvaro Uribe.
A primeira reação de Santos, mesmo sem indicar concretamente qual grupo teria sido responsável, foi definir o atentado como “terrorista”. Agiu com rapidez e determinação, aparentemente preocupado em não perder espaço para os setores extremistas do bloco conservador que o sustenta. Evidente seu desgosto com as consequências políticas da explosão em Bogotá.
Ainda que o dedo acusatório esteja apontado, por ora subliminarmente, para as FARC ou o ELN, é questionável se essas organizações insurgentes teriam interesse em ataque dessa natureza, incomum no seu modo de operação. São raros os registros, especialmente nos últimos anos, de incursões guerrilheiras nas grandes cidades, ainda mais com o uso de carros-bomba.
Por que as FARC, que recentemente voltaram a apresentar proposta de pacificação, buscando romper seu isolamento, iriam golpear veículos de comunicação? A loucura política, é verdade, eventualmente as levaria à lógica do recrudescimento da violência com o objetivo de forçar alguma negociação. O clima de conciliação entre Santos e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, poderia até ter agravado percepção de fraqueza, induzindo a gestos desesperados de sobrevivência. Mas essa não é a única hipótese razoável para o atentado.
Explosivos corresponderam, nas últimas décadas, ao padrão de atuação dos cartéis da cocaína, cujas ofensivas de terror tiveram como alvo os centros urbanos, escolhidos como espaço visível para atos de vingança e batalhas entre máfias. Os grupos paramilitares, de ultra-direita, sabidamente forneciam mão de obra para essas atividades, em troca de régio financiamento.
Não seria surpreendente se alguma dessas patotas, servindo a estratégias de confronto, tivesse se encarregado da operação terrorista sob investigação, cuidando para que a autoria fosse imputada à guerrilha. Tal cenário seria útil para debilitar o presidente Santos, questionar seu relacionamento com a Venezuela e fortalecer os círculos mais vinculados ao enorme aparato de guerra construído por Uribe.
(*) Breno Altman é jornalista e diretor editorial do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)
OS ex-oficiais da CIA Phil Giraldi e Larry Johnson; W. Patrick Lang,
das Forças Especiais da Agência de Inteligência da Defesa; Ray
McGovern, da Agência de Inteligência da Armada e da CIA, e outros
ex-altos oficiais com longos anos de serviço, têm razão quando
advertem Obama que o primeiro-ministro de Israel tem projetado um
ataque surpresa com a idéia de obrigar os Estados Unidos à guerra
contra o Irã.
Mas com a Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas,
Israel conseguiu que os Estados Unidos se comprometessem a serem os
primeiros em atacar.
Depois disso, Netanyahu não se atreveria a ser o primeiro em fazê-lo,
pois uma ação desse tipo o enfrentaria a todas as potências nucleares
e ele não é estúpido.
Entre todos os inimigos do Irã têm criado uma situação absurda. Obama
não teria outra alternativa que ordenar a morte de centenas de milhões
de pessoas inocentes, e os tripulantes de seus navios de guerra nas
proximidades do Irã seriam os primeiros em morrer e ele não é um
assassino.
É o que penso sem temor a estar errado.
O pior que pode acontecer é que alguém cometa um erro funesto que
precipite os acontecimentos antes de que vença o prazo dado pelo
Conselho de Segurança para inspecionar o primeiro mercante iraniano.
Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. A descoberta de uma vala comum gigante no município de La Macarena segue sob investigação. Em um pedaço da vala, há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010. De quem são esses corpos?
Constanza Vieira, enviada especial da IPS
La Macarena, Colômbia (IPS) – A tentativa mais séria dos paramilitares de entrar neste município do centro da Colômbia foi um fracasso. Fizeram isso em 2003 protegidos pela polícia, mas os moradores, armados com paus e escopetas, os prenderam e entregaram para a Procuradoria Geral da Nação, que os encarcerou. Os combatentes de ultra-direita roubavam à saída dos bares de La Macarena, onde, previamente, a polícia havia confiscado os clientes, assinalando a seus sócios aqueles que portavam alguma riqueza. Estes clientes eram mortos pelos paramilitares e tinham seus corpos lançados no rio Guayabero.
O fato de o paramilitarismo não ter conseguido apoio neste município localizado ao sul da serra que carrega o mesmo nome, legendária por sua megabiodiversidade, dá um significado diferenciado à descoberta de uma vala comum em duas faixas em forma de L que somam cerca de 10 mil metros quadrados, numa área próxima a do cemitério do povoado. O terreno faz fronteira com a base local das brigadas móveis da chamada Força de Deslocamento Rápido (Fudra), que recebe cooperação estadunidense e combate a guerrilha de esquerda.
A Procuradoria Geral da Nação descreveu o achado como um “cemitério de pessoas não identificadas”. “Cemitério clandestino” preferem chamá-lo os parlamentares de esquerda Gloria Ramírez e Ivan Cepeda, este porta-voz do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado.
O braço mais curto do “L” é uma fossa comum, segundo peritos estatais e outras testemunhas que hoje já não se atrevem mais a falar. Está localizada atrás de umas abóbadas baixas no lado esquerdo do cemitério. Parece que ninguém se aventura por ali, ninguém investiga, dizem que está minada e que não há nada de especial ali. Em troca, chama atenção a faixa mais larga, de aproximadamente 6.500 metros quadrados, por onde se chega a partir de um caminho reto deste a entrada do cemitério. A Procuradoria fechou o local no dia 21 de julho, quando um qualificado grupo de especialistas forenses passaram a trabalhar no setor. Ali há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010.
Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. Soube-se da existência do anexo do cemitério de La Macarena há um ano, por meio de um artigo publicado no semanário regional Llano 7 Días, do jornal El Tiempo, de Bogotá. De 2002 até julho de 2009, reconheciam então as autoridades, o exército havia enterrado ali 564 cadáveres, todos eles reportados como guerrilheiros mortos em combate. Cerca de 71% dos corpos permanecia sem identificação.
Tudo começou pela água
Os habitantes do bairro Colinas, a uns 200 metros do cemitério, notaram em junho de 2008 que a água saía com mau cheiro e com sabores putrefatos dos poços profundos de onde ela é extraída no verão. Ao examinar o motivo, a população descobriu que o desagradável assunto vinha do cemitério. “Esses foram os primeiros indícios”, disse a IPS o advogado penalista Ramiro Orjuela, com vínculos familiares e profissionais na região. Desde 2004, “helicópteros traziam para cá corpos e mais corpos, abriam uma vala com uma retroescavadeira e atiravam esses corpos ali. O povo aqui de La Macarena sabe disso”, acrescentou.
Isso não era uma surpresa para os macarenenses. Ao fim e ao cabo, La Macarena vê a guerra passar desde 1950, 14 anos do surgimento das insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O município integrou a zona desmilitarizada onde o governo de Andrés Pastrana (1998-2002) manteve um diálogo de três anos com a guerrilha (diálogo que acabou fracassando no final). Após essa tentativa, o exército retomou os 42 mil quilômetros quadrados do santuário, incluídos os 11.229 que envolvem La Macarena. Desde então, todos os dias os habitantes viam chegar ao cemitério os corpos de supostos guerrilheiros. Os cadáveres eram amontoados em sacos pretos. E, logo em seguida, as fossas eram escavadas. Todo mundo sabia disso.
Assim, o caso da água não foi levantado com uma segunda intenção: “Não acreditavam que se tratava de algo grave, mas sim de uma coisa normal. E resultou que era grave, sim”, observou o advogado. Os militares disseram a Llano 7 Días que não temiam uma investigação. A Polícia teria feito um levantamento legal sobre cada corpo, identificando a arma que portava e a roupa camuflada que vestia, procedimento, garantiram os militares, que teve o aval da Procuradoria. Mas nesta região, na prática, a justiça penal militar tornou-se civil. Os promotores, segundo uma fonte da Igreja Católica, seriam militares da reserva ou em vias de se aposentar que hoje atuam sob as ordens do comandante militar, um equivalente da Polícia, efeito do programa piloto cívico-militar denominado Plano de Consolidação Integral de La Macarena, emitido em 2004.
Orjuela não atribui responsabilidades nem adianta acusação alguma. Só pede que as autoridades investiguem. “Não temos nenhum outro meio de prova que não aquilo que nos diz a comunidade”, disse a IPS. “Eles contam para alguém, mas depois não confirmam o depoimento porque têm medo”, assinalou. Assim que Orjuela e um grupo defensor dos direitos humanos enviaram petições ao Ministério Público e à Procuradoria, esta última fez uma inspeção no local e produziu um informe que permanece oculto ao público.
Baseada neste informe, a Direção Nacional de Investigações Especiais da Procuradoria respondeu em fevereiro que seu objetivo era “alcançar a plena identidade dos aproximadamente 2.000 corpos”, para o que esperava criar “um laboratório especializado de identificação” em La Macarena, junto com outras instituições. O Ministério Público, em troca, não respondeu por escrito. Em meados de julho deste ano relatou a Orjuela e a senadora Ramírez, organizadora de uma audiência pública do Senado em La Macarena no dia 22 de agosto, que até esse momento havia “detectado” 449 corpos. Também confirmou que “em 100% dos casos esses corpos tinham sido trazidos pelo exército. Todos. Não há um único que não”, segundo Orjuela.
Em meio a fortes xingamentos dirigidos contra os organizadores da audiência pública, o governo de Uribe insiste que todos são guerrilheiros mortos em combate e levados para lá. Orjuela adverte: “Isso é possível. Mas não todos”. É que 449 guerrilheiros equivalem a três ou quatro frentes das FARC. Como a guerrilha permanece atuante na região, “então quem são esses 400 e tantos mortos?”, pergunta.
O jesuíta Banco de Dados sobre Direitos Humanos e Violência Política tem testemunhos sobre 79 civis desaparecidos em La Macarena e municípios vizinhos. Há 25 casos documentados sobre supostas execuções extrajudiciais cometidas pelo Exército. Por enquanto, o Ministério Público identificou cinco civis reportados como desaparecidos e que já foram devolvidos às duas famílias. Há outros 37 corpos em processo de identificação. Os demais permanecem perguntando.
No momento em que entramos no nono ano da Guerra do Afeganistão com uma tropa reforçada e continuamos a ocupar o Iraque indefinidamente e alimentamos o Estado de Vigilância sem fim, notícias tem surgido de que a Comissão do Déficit Público está trabalhando num plano para cortar benefícios da Previdência Social, do Medicare [programa de atendimento aos idosos] e até mesmo no congelamento dos salários dos militares. Mas um artigo do New York Times de hoje ilustra vividamente com o que se parece um império em colapso, ao mostrar os tipos de cortes de orçamento que cidades de todo o país tem sido forçadas a fazer. Aqui vão alguns exemplos:
Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.
Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.
Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.
Há algumas ótimas fotos acompanhando o artigo, inclusive uma mostrando como fica uma rua do Colorado na escuridão causada pelo corte de energia. Enquanto isso, a pequena porção dos mais ricos — aqueles que causaram nossos problemas — continua a se dar bem. Vamos relembrar o que o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional escreveu na revista Atlantic sobre o que acontece em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento quando surge uma crise financeira causada pela elite:
“Apertar os oligarcas, no entanto, é poucas vezes a escolha dos governos de países emergentes. Ao contrário: no início da crise, os oligarcas são normalmente os primeiros a conseguir ajuda-extra do governo, como acesso preferencial a moedas estrangeiras ou talvez um corte de impostos ou — aqui vai uma técnica clássica do Kremlin — a assunção pelo governo de obrigações de dívidas privadas. Sob pressão, a generosidade para com os amigos assume formas inovadoras. Enquanto isso, se é preciso apertar alguém, a maior parte dos governos de países emergentes primeiro olha para as pessoas comuns — pelo menos até que os protestos se tornem grandes demais”.
A questão real é se o público estadunidense é muito apático e treinado em submissão para que isso aconteça aqui.
Nota: É também importante considerar um artigo publicado no Wall St. Journal no mês passado — com o subtítulo “De volta à Idade da Pedra”– no qual é descrito como “estradas pavimentadas, emblemas históricos de conquistas dos Estados Unidos, estão sendo desmanteladas em regiões rurais do país e substituídas por estradas de cascalho ou outros pavimentos, já que os condados enfrentam orçamentos apertados e não há verbas estaduais ou federais”. O estado de Utah está considerando seriamente eliminar um ano da escola secundária ou torná-lo opcional. E foi anunciado esta semana que “Camden [Nova Jersey] está se preparando para fechar definitivamente seu sistema de bibliotecas até o final do ano, potencialmente deixando os residentes da cidade entre os poucos dos Estados Unidos sem condições de emprestar um livro de graça.”
Alguém duvida que quando uma sociedade não pode mais pagar por escolas, transporte, estradas asfaltadas, bibliotecas e iluminação pública — ou quando escolhe que não pode pagar por isso em busca de prioridades imperiais ou a manutenção de um Estado de Segurança e Vigilância Nacional — um grande problema surgiu, que as coisas desandaram, que o colapso imperial, por definição, é algo inevitavelmente iminente? De qualquer forma, eu apenas queria deixá-los com alguma luz e pensamentos positivos para o fim-de-semana.
Na conjuntura dos últimos anos, a esquerda mexicana não pode identificar-se com o PRD e muito menos reduzir-se a esta agrupação partidária. Ao invés disso, ultimamente, a energia transformadora da esquerda se expressa principalmente em um vigoroso movimento popular que luta contra o regime neoliberal, à margem da estrutura partidária tradicional e que é liderado por Andrés Manuel López Obrador. É uma falácia, portanto, o que dizem os meios de comunicação e seus comentaristas: a de que a esquerda atravessa seu pior momento no México e deixou de ser uma opção. O artigo é de Héctor Díaz-Polanco.
por Héctor Díaz-Polanco - La Jornada
Em inúmeras ocasiões vi-me obrigado a satisfazer a curiosidade de colegas e amigos latinoamericanos que me perguntaram sobre a terrível debilidade da esquerda mexicana, sua desorganização e carência de projeto. Certamente, sua visão da esquerda se centra na trajetória seguida pelo PRD (Partido da Revolução Democrática) nos últimos anos e na situação que se seguiu a isso.
Trato de explicar-lhes o melhor que posso que, na conjuntura dos últimos anos, a esquerda mexicana não pode identificar-se com o PRD e muito menos reduzir-se a esta agrupação partidária. Ao invés disso, ultimamente, a energia transformadora da esquerda se expressa principalmente em um vigoroso movimento popular que luta contra o regime neoliberal, à margem da estrutura partidária tradicional e que é liderado por Andrés Manuel López Obrador.
Insisto, em resumo, a rebater o que é, na minha opinião, uma falácia promovida pelos meios de comunicação e seus comentaristas: a de que a esquerda atravessa seu pior momento no México e deixou de ser uma opção. Essa conclusão resulta do costume de identificar força política com estrutura partidária, sobretudo se possui aparato e registro. Esse não é um bom método para abordar o assunto. Em uma perspectiva gramsciana, o verdadeiro partido não é só uma instituição, a organização técnica e seus aparatos, mas sim a força social ou o movimento no qual encarna um projeto: é todo um bloco social ativo. É por isso, observa Gramsci, que um partido orgânico e fundamental pode aparecer como várias frações, cada uma das quais adota o nome de partido e inclusive de partido independente (é o caso do PRI e do PAN), enquanto o estado maior intelectual do verdadeiro pode permanecer na obscuridade. A prova de que esses diversos partidos constituem, na verdade, uma unidade orgânica é dada pelo fato de que se juntam imediatamente quando percebem um real antagonista ao projeto que expressam.
Vistas as coisas assim, o partido mais poderoso da esquerda mexicana hoje é o movimento inspirado e liderado por López Obrador. Mas não é o único: devem se considerar outras forças (o zapatismo, etc.) que alimentam a grande corrente das esquerdas mexicanas. É por não levar isso em conta e manter os olhos fixos no PRD e no jogo das frações partidárias, que a demonstração de força e organização ocorrida na concentração do Zócalo (principal praça da capital do país), no dia 25 de julho, produziu tanto desconcerto e mesmo inquietação em alguns setores. Obstinadamente se negaram a reconhecer o movimento que crescia desde baixo, à margem dos partidos convencionais.
Enquanto repetiam que AMLO (López Obrador) e seu movimento tinham se desgastado e que já não eram mais uma opção a ser levada em conta, fecharam os olhos aos milhões de simpatizantes e ativistas, aos milhares de comitês criados em todo o país, aos milhões de exemplares do periódico Regeneración que circulam de família em família, aos círculos de reflexão; e, sobretudo, minimizaram o crescimento de uma liderança com sólido perfil de honestidade, coerência e identificação com os setores populares (fruto de seu conhecimento direto da realidade sociocultural do país). Considerando o nível de organização atingido até agora, sua força e alcance nacional, pode-se derivar uma conclusão completamente distinta da sombria apreciação inicial: comparativamente, a esquerda mexicana vive hoje um de seus melhores momentos.
Sem dúvida, o desenvolvimento do movimento foi estimulado pelas políticas do atual governo, alheias ao interesse geral da população. Mas também, é preciso dizê-lo, é fruto da estratégia e das práticas impulsionadas pela chamada esquerda “moderna” que hoje controla o PRD. Aferrada aos tópicos da socialdemocracia em sua versão neoliberal, sem clara orientação social, apostando nas alianças com forças conservadoras que destroem a diferença, esta esquerda caiu em descrédito (e não falo aqui da base do PRD). Na atual conjuntura, o movimento social que se expressou em Zócalo já cumpriu um papel vital: evitar a completa demolição do projeto da esquerda.
Alarmados por esta tendência, alguns asseguram que AMLO cometeu o erro de abandonar o centro político em 2006, e estaria errando de novo ao não buscá-lo agora (Denise Dresser dixit - jornalista e cientista política mexicana). Por centro entendem as posições e práticas socialdemocratas que se desenvolveram na Europa e em alguns países da América Latina (por exemplo, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Chile). Esconde-se que, nestes países, tais forças perderam o poder, uma a uma, precisamente por querer situar-se no degrau que lhes destinou a direita (que é sempre quem, finalmente, define o centro “politicamente correto”).
A única possibilidade de o movimento de AMLO atingir seus objetivos programáticos é mantendo-se afastado desse falso centro (neoliberal, insensível às necessidades das maiorias e servidor dos grandes potentados). E isso não apenas por razões eleitorais, mas sim por preceitos ético-políticos dos quais não deve se desviar nem um milímetro. Os comentaristas que se dedicam a dar “conselhos” a AMLO para que seja moderado, na verdade querem que ele entre na ladeira ensaboada dos acordos com os poderosos. Isso anularia qualquer qualidade inovadora em seu projeto. De que serviria assim chegar à presidência, amarrado a grupos de interesses de facções e por eles invalidado como governante para as maiorias? Isso, além disso, seria sua morte política aos olhos da maioria dos mexicanos, como ocorreu com a “esquerda moderna”.
(*) Escritor e antropólogo mexicano, autor de “La diversidad cultural y la autonomía en México”.
há, nos EUA, cinco cubanos que estão na prisão há mais de doze anos,
pelo fato de terem se infiltrado nos grupos terroristas de Miami, com
a finalidade de evitarem atos terroristas que esses grupos
organizavam. Desnecessário dizer que a ação deles era clandestina.
Conseguiram evitar alguns atentados, avisando Cuba em tempo.
Entretanto, eles foram descobertos e condenados a longuíssimas penas,
estando em péssima situação.
De fato, eles estão na prisão por combaterem o terrorismo!!!!
Um dos cinco, Gerardo Hernández, está em terrível situação de saúde,
tendo estado, até há bem pouco tempo, numa solitária, de onde saiu nos
últimos dias.
Está havendo um movimento mundial para salvar a vida desses
companheiros. Infelizmente, no Brasil há absoluto silêncio, o que não
ocorrre quando há a prisão de qualquer cubano, mesmo que
comprovadamente esteja recebendo ajuda financeira material dos EUA que
movem uma guerra criminosa contra Cuba, por meio do bloqueio que você
conhece.
Cuba acaba de libertar dezenas de presos que assim estavam não por
divergirem do regime, e sim, por, comprovadamente, receberem ajuda
material para atuarem contra o sistema cubano. Essa ação de Cuba
precisa ser respondida pela libertação dos heróis que, em nenhum
momento, atuaram contra a segurança dos EUA, tendo procurado evitar
atos terroristas contra seu país, Cuba.
É preciso divulgar esses fatos!!! É preciso romper o bloqueio da
imprensa que procura ignorar a ação criminosa dos sucessivos governos
norte-americanos.
Você tem condições de ajudar, se informando e divulgando essa injusta
e triste realidade.
Agradeço e me coloco à disposição para trazer maiores informações. Há
alguns sites com muitos dados.
Cuba está considerando uma questão de honra libertar esses heróis,
punidos por lutarem contra o terrorismo.
Um abraço esperançoso.
Raymundo de Oliveira
Presidente do Conselho da Associação Cultural José Marti
Presidente da Casa da América Latina
O controle do petróleo na origem do conflito entre Venezuela e Colômbia
Professor Wladmir Coelho
Mestre em Direito e Historiador
Analisar a crise entre Colômbia e Venezuela a partir do combate ao chamado narcotráfico constitui no mínimo uma análise incompleta necessitando, para melhor entendimento do tema, o acréscimo de elementos da política externa dos Estados Unidos para a América do Sul considerando-se - inclusive - as políticas de controle das fontes energéticas da região principalmente aquelas relativas ao petróleo. Deste modo torna-se relevante entender a influência dos Estados Unidos no setor petrolífero sul-americano desde o final do século XIX necessitando para este fim uma análise das políticas econômicas do petróleo cujo conteúdo, de modo geral, alternou-se entre o maior ou menor controle da produção, por parte dos oligopólios, em função da adoção de políticas de intervenção estatal ou liberalização da atividade mantendo-se, neste último caso, a prática colonial característica da região.
Neste contexto a prática do dumping, o incentivo e criação de conflitos entre países do subcontinente ou intervenção direta dos órgãos de espionagem e segurança estadunidenses na elaboração de golpes de estado contra governos de tendência nacionalistas não constituem propriamente uma novidade ou delírios de "teorias conspiratórias", mas práticas para manutenção da segurança energética dos Estados Unidos.
Poderíamos ilustrar as afirmativas acima a partir do exemplo brasileiro cuja exploração comercial do petróleo sofreu, a partir do final do século XIX, uma série de ataques dos trustes petrolíferos estadunidenses. O caso de Maraú no estado da Bahia, ainda no período imperial, é emblemático tendo esta iniciativa empresarial petrolífera privada encontrado sua total ruína em função da oferta de querosene dos trustes dos Estados Unidos a preços inferiores ao nacional.
Outra prática a vigorar como parte dos planos de manutenção da dependência energética externa e ao mesmo tempo assegurar reservas para os oligopólios internacionais foi à compra de vastas áreas com potencial petrolífero aplicadas por grupos ligados a Standard Oil impedindo a pesquisa e exploração por grupos brasileiros. Este método prevaleceu até 1934 quando ocorre a separação constitucional entre a propriedade do solo e subsolo transferindo os minerais encontrados neste para o rol dos bens da União.
Ainda na década de 1930 um grave conflito armado envolvendo Paraguai e Bolívia, a Guerra do Chaco, apresentou como elemento detonador a disputa por áreas petrolíferas envolvendo os interesses das empresas Shell e Standard Oil. Durante o citado conflito ficou clara a necessidade de revisão dos métodos de controle da produção e propriedade dos recursos energéticos quando a Standard Oil simplesmente negou abastecer as tropas bolivianas em combate.
Os exemplos de dependência energética do Brasil e Bolívia resultaram em políticas nacionalistas e intervencionistas, em diferentes escalas, aspectos também observados na Venezuela e Colômbia. Esta nova fase da política econômica no subcontinente apresentou como regra a criação de empresas estatais e conseqüente monopólio estatal do setor petrolífero. No Brasil a criação de uma empresa nacional para exploração do petróleo somente ocorreria em 1953 a partir de uma grande campanha popular denominada "O petróleo é nosso", todavia o modelo empresarial adotado foi a criação de uma empresa mista ficando o Estado com o controle acionário desta exercendo esta o monopólio da exploração petrolífera.
Todavia a presença do Estado no setor petrolífero sul-americano não significou a utilização do poder econômico obtido através da exploração do petróleo em política para o desenvolvimento da região ficando evidente a manutenção da tradição colonial a partir do controle destas empresas por setores oligárquicos nacionais interessados exclusivamente em lucros pessoais. Estas empresas tornaram-se feudos familiares ou filiais dos oligopólios de sempre determinando estes as políticas de preço e investimentos naturalmente em função da segurança energética dos Estados Unidos. A Petrobrás, neste sentido, também foi atingida ao direcionar suas atividades para o exterior e exploração na plataforma continental abandonando para os oligopólios a exploração - ou impedimento deste - em terra de áreas com potencial petrolífero.
Durante a década de 1990 vamos observar uma radicalização ideológica denominada neoliberalismo verificando-se na América do Sul uma onda de privatizações e quebra dos monopólios estatais no setor petrolífero retomando o oligopólio internacional o controle direto de vastas áreas produtivas.
O quadro de entrega dos recursos petrolíferos aos oligopólios internacionais na América do Sul iniciaria um processo de reversão a partir de 1999 durante o primeiro governo de Hugo Chaves através da nacionalização da exploração petrolífera e reformulação da empresa estatal a PDVSA (Petróleos da Venezuela S/A) assumindo esta o monopólio do setor restringindo-se a presença de empresas privadas a partir da criação de subsidiarias com controle da PDVSA.
A política econômica petrolífera implantada na Venezuela serviu de fundamentação para a Bolívia e Equador países que também nacionalizaram, no início do presente século, o setor petrolífero e gasífero direcionando o poder econômico resultante da exploração destes recursos para implementação de políticas voltadas para o desenvolvimento interno.
Outro aspecto resultante da utilização do poder econômico do petróleo iniciada a partir da Venezuela foi a criação da ALBA, Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América , entidade voltada para a criação de um pacto comercial, cultural e político entre os países latino americanos em oposição as políticas de controle imperial dos Estados Unidos notadamente aqueles presentes na criação da ALCA Área de Livre Comércio das Américas.
Neste quadro de clara disputa entre os interesses dos Estados Unidos e Venezuela observaremos o governo colombiano optar por manter a prática neoliberal buscando uma aproximação com a potência hegemônica. Esta aliança ganha sua forma atual a partir do ano 2000 através do Plano Colômbia. Neste acordo utiliza-se como pano de fundo o combate ao tráfico de drogas como justificativa para o fornecimento de armas, recursos financeiros e bases militares para os Estados Unidos em território colombiano.
A Colômbia, ao contrário da Venezuela, encontra-se dividida em áreas controladas por forças do Estado e vastas regiões administradas através das guerrilhas - notadamente as FARC - e tratando-se de uma região em conflito muitos pequenos agricultores encontram dificuldades para a manutenção de culturas alternativas a coca. As áreas de controle das FARC apresentam como fonte de arrecadação exatamente estas culturas cujo comércio envolve - inclusive - autoridades do Estado colombiano. Desta forma associar narcotráfico e FARC não corresponde a verdade existindo um envolvimento de setores oficiais comprometidos com os Estados Unidos.
A área de tensão entre Venezuela e Colômbia apresenta ainda uma característica pouco divulgada na imprensa - ou seja - a existência do oleoduto Caño Limón responsável por conduzir a produção petrolífera da região para o porto caribenho Coveñas e deste para os Estados Unidos processo administrado através da Companhia Ocidental de controle estadunidense.
O conflito entre os dois países está desta forma carregado de interesses dos grupos econômicos de sempre tendo estes o objetivo evidente, claro e cristalino de controlar áreas com potencial petrolífero estendendo-se para a Amazônia e suas pouco exploradas, porém conhecidas, riquezas energéticas.
Não devemos esquecer-nos do crescimento do consumo de petróleo na China e conseqüente adoção de uma política por parte deste país de controle de vastas áreas produtivas na África e Ásia provocando uma disputa com os Estados Unidos. Faz muitos anos os Estados Unidos não enfrentavam governos decididos em implantar uma política econômica de caráter nacionalista utilizando - inclusive - parte de sua produção para o consumo interno através de uma política de industrialização. Desestabilizar estes governantes torna-se, deste modo, parte da política externa dos EUA, todavia mobilizar tropas e recursos financeiros para interferir em assuntos internos da Venezuela não motiva ou justifica aumento dos gastos públicos tornando-se necessária a criação de factóides como a transformação de guerrilheiros em traficantes e associação de um governo eleito democraticamente ao treinamento e apoio a forças "criminosas".
PREFEITO RECEBE REPRESENTANTES DA CASA DA AMÉRICA LATINA
A noção quase esquecida de que todos os povos pertencem à mesma humanidade
sustentou a troca de ideias entre o prefeito Washington Quaquá e
representantes da Casa da América Latina, Valmíria Guida e Luís Carlos
Santos, recebidos em audiência nessa quinta-feira, 5 agosto. Fundada em
2007, o objetivo da entidade é lutar em favor da integração e da
solidariedade dos “povos unidos numa mesma opressão geopolítica”. Por isso,
explica Valmíria, no caso, o Canadá não entra no mapa da Casa, mas a Jamaica
e o Haiti, sim.
“Nossa relação com os governos populares do continente é muito boa”, diz o
prefeito Washington Quaquá, “mas pretendemos aprofundá-la por meio de
convênios, mantendo intercâmbio principalmente em setores como educação,
saúde, esportes e cultura”, destaca. Para Luís Carlos, esse interesse do
prefeito de Maricá em estabelecer parcerias com os governos de cunho popular
pode render muitos frutos “para os dois lados”, tanto para aqueles países
(Venezuela, Bolívia, Cuba e outros) quanto para Maricá.
Os visitantes presentearam o prefeito com dois livretos (“Abreu e Lima,
general das massas” e “Os cinco heróis antiterroristas cubanos”) e o
convidaram para a cerimônia de entrega, no dia 31 de agosto, no Rio, da
Medalha Abreu e Lima, homenagem a pessoas e entidades que se destacam na
luta em favor da paz e da autodeterminação dos povos. O pernambucano Abreu e
Lima foi, ao lado de Simon Bolívar, um herói nas guerras de independência
travadas no continente sul-americano.
Wall Street lava dinero del narcotráfico impunemente
Zach Carter
AlterNet
Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens
‘Demasiado grande para caer’ es un problema mucho mayor de lo que piensas. Todos hemos leído informes condenatorios sobre que el Gobierno salva a los bancos de sus apuestas de alto riesgo, pero resulta que el problema del privilegio de Wall Street está arraigado mucho más profundamente en el sistema legal de EE.UU. de lo que los simples rescates atestiguaron en 2008. Los mayores bancos de EE.UU. pueden involucrarse en actividades descaradamente criminales a escala masiva y emerger casi completamente indemnes. El último ejemplo repugnante proviene del Banco Wachovia: Acusado de lavar 380.000 millones de dólares de dineros de cárteles de la droga mexicanos, se espera que el gigante financiero emerja con sólo un tirón de orejas gracias a una política oficial del Gobierno, que protege a los megabancos contra acusaciones criminales.
Michael Smith de Bloomberg ha escrito una devastadora revelación que detalla las operaciones del Wachovia con dinero de la droga y la torcida reacción del Gobierno. El banco hacía transacciones con dinero que provenía literalmente de toneladas de cocaína de violentos cárteles de la droga. No fue por accidente. Denunciantes internos del Wachovia advirtieron de que el banco estaba lavando dinero del narcotráfico, los mandamases del banco los ignoraron totalmente para lograr mayores beneficios y el Gobierno de EE.UU. está a punto de dejar que todos los involucrados queden impunes. El banco no será acusado, porque es política oficial del Gobierno no procesar a megabancos. Del artículo de Smith:
Ningún gran banco estadounidense… ha sido acusado alguna vez por violar la Ley de Secretos Bancarios o cualquiera otra ley federal. En vez de eso, el Departamento de Justicia resuelve acusaciones criminales utilizando acuerdos de suspensión de actuaciones judiciales, según los cuales un banco paga una multa y promete no volver a violar la ley… Los grandes bancos están protegidos de los enjuiciamientos gracias a una variante de la teoría de demasiado-grande-para-caer. Encausar a un gran banco podría provocar una carrera frenética de los inversionistas para vender acciones y causar pánico en los mercados financieros.
Wachovia fue adquirido por Wells Fargo a finales de 2008. El castigo al banco por lavar más de 380.000 millones de dólares en dinero de la droga consistirá en una promesa de no volver a hacerlo y una multa de 160 millones de dólares. La multa es tan pequeña que es casi seguro que Wachovia obtendrá beneficios de su negocio de financiamiento de la droga después de considerar costes legales y multas.
Las autoridades internacionales conocen la conexión entre banqueros y narcotraficantes mucho más allá de Wachovia, pero los gobiernos no hacen nada al respecto. Un informe de 2009 de la Oficina de las Naciones Unidas sobre la Droga y el Crimen estableció que la mayoría de las reglas para impedir el lavado de dinero de la droga a través de los bancos se violan.
Del informe:
“En tiempos de quiebras de grandes bancos, los bancos parecen pensar que el dinero no huele. Ciudadanos honestos que enfrentan dificultades en tiempos de penurias financieras, se preguntan por qué los ingresos del crimen –convertidos en ostentosos inmuebles, coches, botes y aviones– no se confiscan”.
A finales de 2009, el jefe de esa oficina de la ONU, Antonio María Costa, dijo a la prensa que muchos préstamos entre bancos –préstamos a corto plazo que los bancos hacen entre sí– se apoyaban en dinero de la droga. Cuando los mercados financieros se paralizaron en 2007 y 2008, los bancos se volvieron hacia los cárteles de la droga para obtener dinero. Es posible que muchos bancos importantes no hubieran sobrevivido sin ese dinero de la droga.
Grupos de manifestantes tomaram hoje um acampamento do consórcio multinacional que explora gás na região de Cusco, no meio de uma greve provincial contra a exportação do recurso.
O incidente elevou a tensão na província de Quillabamba, em greve desde 27 de julho contra a venda do gás, enquanto intensificam-se os chamados ao governo a ceder às reivindicações ou ao menos abrir o diálogo com os líderes do protesto para evitar uma manifestação violenta.
Fontes policiais afirmaram que os manifestantes ocuparam um acampamento de comunicações, pegaram equipamentos e têm retidos a um número não precisado de trabalhadores.
As mesmas fontes, citadas por radioemissoras, afirmaram que na região de Chirumpiari grupos de civis agrediram guardas privados.
Os manifestantes mantêm desde ontem baixo assédio pacífico com manifestações de protesto dos acampamentos e uma estação com válvulas do gasoducto que transporta o combustível à costa.
Enquanto isso, o líder da Confederação de Camponeses da província cusquenha de Canchis, Valeriano Cama, confirmou que essa jurisdição se somou à greve pacífica contra a exportação de gás e que outras províncias se dispõe a fazer o mesmo.
"A luta é pelo gás, que não se presenteie aos estrangeiros", acrescentou.
Enquanto prosseguem os gerenciamentos em tentativa de um diálogo entre o governo e os grevistas, novas expressões de apoio ao objetivo do protesto acontecem.
O escritório do premiê, Javier Velásquez, enviou uma comunicação ao Comitê Central de Luta de Quillabamba, que conduz a greve, no que propõe a suspensão do desemprego a fim de "dar início a um diálogo sincero e democrático" e "sem condicionamentos".
Velásquez descartou previamente a demanda de cessar as exportações de gás porque tal medida atentaria contra a segurança jurídica dos investidores e a política econômica neoliberal vigente.
Nesse contexto, os presidentes (governadores) das regiões de Arequipa, Tacna, Puno e Moquegua respaldaram a luta dos grevistas e exigiram do governo deixar sem efeito o estado de emergência estabelecido na região de Echarate, zona de Quillabamba que alberga instalações do gasducto.
Os governadores chamaram também aos dirigentes de Quillabamba a que suspendam a greve para dialogar, tema que é analisado pelos membros do Comitê Central de Luta.
Em Lima, a Confederação Geral de Trabalhadores (CGTP) e a organização Foro Cidadão de expecialistas energéticos e outras personalidades, anunciaram uma demanda judicial contra o governo pela "a irregular e ilegal exportação".
Segundo os demandantes, a venda "afetará a qualidade de vida dos peruanos, além de submeter a uma dependência energética prejudicial para o desenvolvimento nacional".
Noam Chomsky - as 10 estratégias de manipulação da mídia para manter o público alienado
O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram renda decente, são tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DIFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO SE ELE FOSSE CRIANÇA DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.
6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e, por fim, no sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Induzir o público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo no qual, um dos seus efeitos, é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si mesmos.
Noam Abraham Chomsky, intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Falou com exclusividade para Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com, em 21 de Julho de 2010.
O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.
Noam Abraham Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem duvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.
Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.
Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.
Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.
Quê significado tem para o senhor esta homenagem?
Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.
Seus três filhos sabem da homenagem?
Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.
Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?
Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.
Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.
É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.
Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado ‘Guerra ou Paz no Oriente Médio?
É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.
Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?
Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.
Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?
Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.
Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?
Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.
Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?
Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.
Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?
Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.
O que acontecerá com o Irã?
Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.
O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?
Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.
Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?
A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.
Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?
É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.
A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?
Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo”.
A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?
Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente também recebia ajuda militar.
O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?
No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.
Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?
Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.
Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?
Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.
Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?
A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.
A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?
Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está a avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.
O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?
É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.
Havana, 3 ago (Prensa Latina) O livro A Vitória Estratégica foi apresentado por seu autor, o líder da Revolução cubana, Fidel Castro, artífice dos fatos que narra.
O volume de 896 páginas constitui uma obra de qualidade excepcional tanto por seu conteúdo como pela edição e impressão, e abordou o confronto das forças rebeldes à ofensiva do exército da ditadura de Fulgêncio Batista no verão de 1958.
Assistiram à apresentação os Comandantes da Revolução Ramiro Valdés e Guillermo García, os Generais de Corpo de Exército Abelardo Colomé e Leopoldo Cintras, bem como as Heroínas do Moncada Melba Hernández e da Sierra Mestre Generala Teté Puebla.
Também participaram Armando Hart, diretor do Escritório do Programa Martiano, outros combatentes da Sierra e o Plano, oficiais das Forças Armadas Revolucionárias, e o Ministério do Interior, destacados historiadores, uma representação dos editores, desenhadores e impressores do volume, e outros convidados.
Segundo uma nota difundida pelo Noticiário Nacional de Televisão, Fidel Castro mostrou-se surpreso pela qualidade do livro e a rapidez de sua terminação e disse sentir-se especialmente motivado pelas lembranças.
Durante mais de uma hora o líder da Revolução cubana leu e comentou fragmentos da obra, nos quais avalia o balanço final da batalha e o significado daquela vitória de 300 guerrilheiros contra mais 10 mil soldados armados até os dentes.
Recordando nome por nome dos combatentes mais destacados e dos caídos na luta, ressaltou mais de uma vez o espírito humanitário e a vocação justiceira do exército rebelde, que atendia e curava a seus prisioneiros até o ponto que alguma vez ele pensou que muitos daqueles soldados integrariam o novo exército para a vitória, só que já para então tinha uma massa nova e pura saída do povo, que se uniria às fileiras do que seriam as Forças Armadas Revolucionárias.
A vida ao fim transbordava nossas predições e sonhos, sentenciou.
Nessa mesma linha de raciocínio, anunciou um novo livro que dá continuidade a este no qual abordará a ofensiva estratégica final do exército rebelde e disse que para ele os materiais reunidos pelo escritório de assuntos históricos do Conselho de Estado constituem um presente enorme por todo o que o estimulam a recordar, pensar e lutar.
As lembranças vão-se organizando, se refrescam coisas que aconteceram há mais de 50 anos, comentou com alegria, e depois recordou as partes de guerra de Rádio Rebelde, onde a arma principal foi sempre a verdade.
Nós só dizíamos a verdade, se púnhamos um fuzil a mais enganávamos a nossos próprios colegas, dizer a verdade foi um princípio elementar que nunca falhou, lembrou.
Retomando o comportamento ético como a distinção daquele exército nascido nos combates contra a tirania, o contrapôs à crueldade sem limites das forças da ditadura.
Em um progresso do livro em preparação, anunciou que narrará um revés tático sofrido durante a contraofensiva, quando uma coluna rebelde que caiu em uma emboscada foi massacrada sem piedade pelo exército da tirania.
Quem treinou a esse exército de torturadores, quem forneceu-lhe as armas, os tanques, os aviões, as fragatas, quem ensinou-os a torturar e matar prisioneiros, foi o governo dos Estados Unidos, esse mesmo que agora tortura a Gerardo Hernández, sem justificativa alguma, afirmou ao se referir a um dos cinco antiterroristas cubanos presos em cárceres estadunidenses, submetido a castigos adicionais.
Até quando vai durar isso, se perguntou Fidel Castro em uma análise que enlaça a história há meio século com a atual no permanente e nunca abandonado propósito imperial de submeter à nação cubana sem se deter aos métodos por repugnantes e covardes que possam resultar.
No ato de apresentação do livro A vitória estratégica usaram também a palavra sua editora principal Katiuska Blanco e Alberto Albariño, vice chefe do departamento ideológico do Comitê Central de Partido Comunista de Cuba, responsável pela impressão.
Wálter Fanganiello Maierovitch, na revista CartaCapital
Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo
Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.
O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.
A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.
Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.
Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), “taxa”de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de “imposto de circulação” gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.
Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: “A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios”.
Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de “Paz, Justiça e Liberdade” e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.
Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.
Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, “este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política”.
A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.
À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.
Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.
Os conservadores tinham por lema “Deus, pátria e família”. Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado “gaitanismo”lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.
Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.
Recentemente, na Colômbia, foi descoberta a maior vala comum da história contemporânea do continente latino-americano, horrenda descoberta que foi quase totalmente invisibilizada pelos meios de comunicação de massa na Colômbia e no mundo. A vala comum contém os restos de ao menos 2.000 pessoas e está em La Macarena, departamento de Meta. Desde 2005, o Exército, espalhado pela zona, enterrou ali milhares de pessoas, sepultadas sem nome.
A reportagem está publicada no sítio colombiano Cronicón, 29-07-2010. A tradução é do Cepat.
A população da região, alertada pelas infiltrações putrefatas dos cadáveres na água potável, e afetada pelos desaparecimentos, já havia denunciado a existência da vala em várias ocasiões ao longo de 2009: havia sido em vão, pois a fiscalia não realizava as investigações. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em dezembro de 2009, que se conseguiu trazer à luz este horrendo crime perpetrado pelos agentes militares de um Estado que lhes garantia a impunidade.
Trata-se da maior vala comum do continente. Dois mil corpos em uma vala comum, isso é um assunto grave para o Estado colombiano, mas sua mídia, e a mídia mundial, cúmplices do genocídio, se encarregaram de mantê-lo quase totalmente em silêncio, quando para encontrar uma atrocidade parecida é preciso remontar às valas nazistas. Este silêncio midiático está sem dúvida vinculado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali se gestam em base aos massacres.
A Comissão Asturiana de Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em janeiro de 2010 (menos de um mês depois da descoberta da vala), perguntou às autoridades sobre o caso. As respostas foram preocupantes: na fiscalia, na procuradoria, no Ministério do Interior, na ONU, todos tentam se esquivar do assunto. E enquanto isso, tratam de “operar” a vala para minimizá-la, mas a delegação britânica a constatou, e as próprias autoridades reconheceram ao menos 2.000 cadáveres. Em dezembro, “o prefeito, aliado do governo, o denunciou também junto ao sepulteiro”, mas depois, as pressões oficiais tendem a fazer “diminuir suas apreciações sobre o número de corpos”.
A Delegação Asturiana denunciou a ostensiva vontade de alterar a cena do crime: “ninguém está protegendo o lugar. Ninguém está impedindo que se possam alterar as provas. Que um trator possa entrar e voltar a misturar os cadáveres anônimos, a tirá-los e levá-los para outro lugar”. “Solicitamos às instituições responsáveis do Governo e do Estado colombiano que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registradas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias com a finalidade de assegurar o perímetro para prevenir a modificação da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório que ali se encontra (…) É fundamental a criação de um Centro de Identificação Forense em La Macarena com a finalidade de conseguir a individualização e plena identificação dos cadáveres ali sepultados”.
A Delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades aduziram desconhecimento, e alegaram incapacidade operativa: “há tantas valas comuns em nosso país que…”. Trata-se do município de Argelia em Cauca: “Um ‘matadouro’ de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos de seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram entrar novamente em suas comunidades: deslocaram os sobreviventes”. As vítimas sobreviventes relataram: “havia pessoas amarradas que soltavam aos cachorros esfomeados para que os assassinassem pouco a pouco”.
Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado colombiano, combinada com a ação de policiais e militares, foi o instrumento de expansão de latifúndios. O Estado colombiano desapareceu com mais de 50.000 pessoas através de seus aparelhos assumidos (policiais, militares) e de seu aparelho encoberto: sua Estratégia Paramilitar. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra classista contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar se inscreve nessa lógica econômica.
A invisibilização de uma vala comum das dimensões da vala de La Macarena se inscreve no contexto de que os negócios de multinacionais e oligarquias se baseiam nesse horror, e em que esta vala seja produto de assassinatos diretamente perpetrados pelo Exército nacional da Colômbia, o que prova ainda mais o caráter genocida do Estado colombiano em seu conjunto (para além do seu presidente Uribe, cujos negócios e vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais do que comprovados).
A cumplicidade da grande imprensa é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Os povos devem romper o silêncio com que se pretende ocultar o genocídio. Urge solidariedade internacional: a Colômbia é, sem dúvida, um dos lugares do planeta no qual o horror do capitalismo se plasma da forma mais evidente, em seu paroxismo mais absoluto.
Honduras enfrenta consequências da instabilidade política interna e da crise financeira internacional
Renato Godoy de Toledo
do enviado a Tegucigalpa (Honduras)
É sabido que o saldo de um ano de golpe em Honduras, na esfera política, tem a instabilidade e a repressão velada como principais características. No aspecto econômico, a situação acompanhou a piora e o país amarga as consequências da instabilidade política e da crise financeira internacional.
Segundo dados oficiais, o desemprego atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas, em um país com uma população total de menos de 8 milhões de habitantes. Ainda de acordo com estatísticas governamentais, um terço dos hondurenhos vive com menos de 20 lempiras (a moeda local) diárias, o equivalente a um dólar. Para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a renda inferior a um dólar diário configura pobreza extrema.
Com o salário mínimo elevado pelo presidente deposto Manuel Zelaya, em 2008, parte da população aponta que o problema do desemprego é fruto da política “populista” do ex-governante. Hoje, o déficit total de Honduras chega a 20 bilhões de dólares, o que equivale a 142% do PIB registrado em 2009. No ano do golpe, o país apresentou uma retração econômica de 2%. Por decreto, Zelaya colocou o salário mínimo a 290 dólares para os trabalhadores urbanos e 214 para os rurais.
Classes altas
Apesar das críticas do patronato e de setores conservadores, hoje, o salário mínimo considerado alto não supre as reais necessidades dos hondurenhos. Uma cesta básica com 30 itens para uma família de cinco membros vale 338 dólares.
O descontentamento com o momento econômico do país não se limita apenas aos mais pobres. Nas classes mais altas, há uma reclamação contra os pacotes econômicos apresentados pelo governo de Porfirio Lobo, que têm como principal marca o aumento de impostos.
No entanto, setores conservadores se valem das sanções econômicas promovidas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para argumentar que o problema hondurenho não tem relação com o golpe de Estado, mas com o bloqueio da ajuda financeira ao país centro-americano.
Direitos econômicos
Gilberto Ríos, da FoodFirst Information & Action Network (Fian), aponta uma piora significativa da condição de vida em Honduras no último período. “Além dos direitos humanos, o golpe tem repercussões ligadas aos direitos econômicos e sociais. A situação econômica e social do país piorou ainda mais. Há um maior desemprego e diminuição da renda da população e mais fome”, explica.
Para o ex-candidato à presidência de Honduras, Carlos H. Reyes, há um processo de piora econômica que tem sido combatido pelos membros da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), organização criada após o golpe de 2009.
De acordo com Reyes, que retirou sua candidatura no ano passado por considerar ilegítimo o processo eleitoral, a defesa de direitos econômicos e sociais têm sido tão importantes para a FNRP como as bandeiras da volta de Manuel Zelaya ao país e da instauração de uma Assembleia Nacional Constituinte.
“Esse governo já emitiu um pacote de impostos e tudo indica que vai impor outros. Estão nos levando aqui ao que está acontecendo na Grécia. Além de toda nossa luta pela Assembleia Nacional Constituinte, estamos em vigília em defesa dos nossos direitos sociais e econômicos. A situação no país piora por conta do desemprego e pelo fato de os EUA devolverem uma grande quantidade de imigrantes. E aqui não há trabalho”, relata.
Os cubanos comemoram, nesta segunda (26), o 57º aniversário do assalto ao Quartel Moncada. A data, maior festa da Revolução, é conhecida como o Dia da Rebeldia Cubana. O presidente Raúl Castro comandou ato na Praça Ernesto Che Guevara, em Santa Clara, onde repousam os restos do guerrilheiro argentino. Fidel, contudo, não esteve presente. Ele participou, no sábado (24), de uma cerimônia em memória dos ex-combatentes da revolução.
Povo de Cuba celebra a revolução
No ato desta manhã. Raúl foi aclamado pela multidão que, com gritos e palavras de ordem, expressou seu compromisso com e revolução, o socialismo e com o líder histórico Fidel Castro.
A direção do Partido Comunista dedica este 26 de julho ao libertador Simón Bolívar e ao Bicentenário das Independências na América Latina. A tomada do quartel por um grupo de jovens sob a liderança de Fidel Castro, em 1953, iniciou a luta contra ditadura de Fulgêncio Batista, que terminou com o triunfo revolucionário do dia 1º de janeiro de 1959.
Na ocasião, muitos guerrilheiros morreram e Fidel foi preso, julgado e condenado a 15 anos de prisão. Por ser advogado, ele se pronunciou em auto defesa diante do tribunal e, após 22 meses de prisão, foi libertado com a anistia geral de 1955.
Compareceram aos atos comemorativos os combatentes da revolução que participaram do histórico 26 de julho, expedicionários do Granma, habitantes da região, e outros lutadores cubanos. Também estiveram presentes membros do Comitê Político do Partido Comunista, dirigentes do Governo e das organizações de massas, das Forças Amadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, bem como uma ampla delegação da Venezuela.
Conquistas da Revolução
Em festejos prévios, no sábado, Raúl Castro listou as principais conquistas da revolução. "Cinqüenta e cinco anos é um período curto na vida de um povo, mas o suficiente para confirmar que o 26 de julho marcou o início de uma nova era na história de Cuba", disse o presidente.
Ele elogiou as palavras que seu irmão Fidel empregou, em 1973, durante o 20º aniversário do assalto ao quartel Moncada. Considerou que Fidel, a quem dedicou a celebração, expressou, de maneira exata e precisa, "a dura realidade que estava por vir e as formas de enfrentá-la."
"Em um dia como hoje, em 1973, Fidel afirmou que a única salvação para os povos da América Latina era unir-se e livrar-se da dominação imperialista, pois só assim conseguiriam um lugar entre as grandes comunidades humanas", disse ele.
Raúl afirmou ainda que, desde daquele "ato memorável de 1973, apenas as profundas convicções e a firme determinação de nosso povo para resistir e vencer tornaram possível a celebração, com orgulho e otimismo, de mais este aniversário."
Ele destacou que, em 1953, a expectativa de vida "em Cuba era de 59 anos, quase 20 a menos que a atual." Lembrou que "no passado, prevalecia o tempo de inatividade, as longas filas de desempregados, o desalojamento dos camponeses das terras que cultivavam e dos trabalhadores de suas casas porque não podiam pagar o aluguel; não devemos esquecer a imagem terrível de crianças morrendo de fome, implorando esmolas, sem médicos ou escolas."
Falou ainda dos últimos investimentos, apesar da difícil situação de Cuba, do incremento ao turismo e das ações realizadas com a colaboração da Venezuela. E levantou um grito, dizendo: "Em nome de todos os patriotas desta ilha, desde a heróica Santiago de Cuba, berço da revolução, Fidel, lhe dedicamos este aniversário e vamos continuar a sua iniciativa de 26 julho. Glória eterna aos nossos mártires! Viva a revolução! Viva Cuba livre!", encerrou, recebendo a resposta da multidão: "Viva!".
A homenagem de Fidel
Usando o simbólico verde-oliva, Fidel Castro alegrou os cubanos neste fim de semana ao visitar uma cidade próxima a Havana pela primeira vez em quatro anos, o que alimentou a discussão relativa a sua participação ou não na principal festa da revolução.
Para homenagear os rebeldes mortos no ataque ao Quartel Moncada, Fidel visitou no sábado um mausoléu em Artemisa, 60 km a sudoeste da capital, vestido com sua camisa militar tradicional, mas sem as insígnias de Comandante-em-chefe.
Segundo as imagens de televisão, Fidel - com uma boa aparência - depositou flores nos túmulos dos guerrilheiros que morreram no ataque a Moncada, primeira ação armada da Revolução Cubana, saudou o povo e leu em pé e com fluidez uma mensagem "aos combatentes revolucionários de toda a Cuba".
Foi a sexta aparição pública de Fidel Castro em 17 dias, mas a viagem a Artemisa marcou a primeira incursão fora de Havana desde que sua doença o tirou do poder, em julho de 2006.
Veja o vídeo com o discurso que Fidel pronunciou no sábado, sobre o 26 de julho:
Castiguemos com o repúdio coletivo os governantes vassalos
FARC-EP [*]
Estamos em marcha pela dignidade da pátria. A batalha pela
independência não terminou, entrou na sua fase decisiva. Não podemos
proclamar-nos livres quando a política de dominação de um império nos
subjuga e nos submete com a cumplicidade apátrida das oligarquias, e
nos aprisiona na desumanidade das cadeias da escravidão neoliberal.
Um país ocupado militarmente não é independente. Não podemos
declarar-nos soberanos quando a força militar de uma potência
estrangeira empesta com bases o território pátrio, pisoteia a
dignidade e a bandeira dos Estados Unidos tremula sobre a nossa
América.
Mas podemos sim proclamar-nos povo em luta pela liberdade!
Já estamos na batalha. Com a certeza de Bolívar, "todos os povos do
mundo que lidaram pela liberdade exterminaram por fim seus tiranos". A
justa causa dos povos não pode ser derrotada. A espada de batalha do
Libertador, agora nas mãos do povo, nos abrirá os caminhos da
esperança e triunfará na contenda da emancipação definitiva.
Desfraldemos hoje a auriflama tricolor do bicentenário como símbolo de
luta e homenagem aos libertadores que sonharam a Grande Nação de
Repúblicas, escudo do nosso destino, aos que nos deram pátria pensando
na humanidade e bateram-se nos campos de batalha para dignificar o
homem e a mulher americanos.
Como há duzentos anos "em Bolívar está a emancipação". Esta certeza
espargida sobre o céu da América pelo prócer Camilo Torres deve ser a
divisa da nossa campanha na alvorada do Socialismo e Pátria Grande que
ilumina o continente e a América insular. A colheita da semeadura
amorosa dos libertadores, concebida para os povos, não pode ser
usurpada nem um minuto mais pelos herdeiros de Santander e sua
perfídia; deve passar ao usufruto dos seus destinatários originais. O
sangue dos libertadores não adubou os campos de batalha para tornar
mais ricos os já ricos nem para facilitar novas cadeias coloniais e
sim para redimir o soberano, que é o povo.
Prestemos tributo nesta efeméride ao inca Tupac Amaru, ao comuneiro
José Antonio Galán, ao negro José Leonardo Chirinos e a todos os
esquartejados pela opressão criminosa da coroa espanhola. Honra à
jovem Policarpa Salavarrieta, arcabuzada pelos terroristas pacificados
encabeçados pelo general espanhol Pablo Morillo. Glória eterna a
Francisco José de Caldas, Camilo Torres Tenorio, a Francisco Carbonel
e a todos aqueles que, supliciados nos patíbulos, nos mostraram com o
seu exemplo o caminho da liberdade. Aos precursores da nossa
independência, Miranda, Nariño e Espejo, nosso reconhecimento eterno.
Temos que desenterrá-los, retirá-los das fossas do esquecimento nas
quais os confinou a mentirosa historiografia dos que desviaram o rumo
da pátria, para que continuem na batalha.
Ainda ressoava o eco da vitória de Ayacunho quando estalou a
contrarrevolução na ambição sem peias da oligarquia crioula pelo poder
político ilimitado. Ela encontrou na Doutrina Monroe intriga e alento
permanente para dividir o território e despedaçar a obra legislativa
bolivariana que pretendia dignificar o povo fazendo prevalecer o
interesse comum sobre o particular.
Tal como o havia prognosticado o Libertador, não tardaram em buscar um
novo amo. Combateram a concepção bolivariana da unidade de povos numa
Grande Nação, apoiados no sofisma da Doutrina Monroe. Ela foi o seu
acicate para assaltar o poder e alcançar o seu miserável sonho de
substituir os vice-reis na opressão. Essa doutrina era o disfarce da
avareza do Destino Manifesto anglo-saxão, que jamais pensou enfrentar
a armada colonial britânica nem a Santa Aliança que projetava
restaurar na América o predomínio do trono espanhol e sim anexar
repúblicas, saquear recursos e submeter politicamente.
Traíram a grandeza e trocaram a possibilidade do surgimento de um novo
poder continental, que fosse equilíbrio do universo, esperança da
humanidade, pelo ajoelhamento e a submissão a uma potência
estrangeira. Só lhes interessava assaltar o poder político com a ajuda
externa para acrescentar as suas fortunas pessoais e pô-las a salvo da
revolução social. Dóceis ao seu novo amo, desmobilizaram, por
conveniência recíproca, o exército libertador, único garante da
independência e das conquistas sociais, forças dissuasiva ao mesmo
tempo das ambições neocoloniais do governo de Washington.
Os cobiçosos e agressivos líderes do Norte, inspirados sempre no
cálculo aritmético, possuídos pela ambição de erigir a sua
prosperidade sobre a base do espólio dos povos do Sul, não podiam
tolerar a concretização do plano estratégico de Bolívar no Congresso
do Panamá que contemplava a formação de uma liga perpétua das nações
antes colônias espanholas, presidida por uma autoridade política
permanente, com um exército unificado concebido para a defesa e para a
campanha de libertação das ilhas de Cuba e Porto Rico, consideradas
por Washington como apêndices do seu espaço continental.
Mortificava-os a ideia do Libertador de tornar efetiva a cidadania
hispano-americana entre povos irmãos, o estabelecimento de um pode
político inimigo da escravidão e, sobretudo, o propósito de
impulsionar um regime de comércio preferencial que fizesse prevalecer
a cláusula de nação mais favorecida para as repúblicas irmãs
coligadas.
Todas estas medidas pensadas pelo Libertador Simón Bolívar para
preservar a independência e a dignidade das nações hispano-americanas
interpunham-se como fortificação inexpugnável frente às insólitas
pretensões do Destino Manifesto, embuste inventado pelos fundadores do
império para auto-legitimar a espoliação.
Por isso transmitiram aos seus ministros na Colômbia, México e Peru a
instrução perversa de estimular as rivalidades entre nossas
repúblicas, o espírito chauvinista, desencadear a espionagem, a
conspiração e a intriga, minar o prestígio do Libertador e por isso
Bolívar é alvo dos seus ataques furibundos.
Eliminar a figura política do Libertador, sua poderosa influência na
América Latina, foi a sua obsessão até causar a sua morte física e o
eclipse transitório do seu projeto político e social.
Todas as desgraças e misérias da Nossa América têm essa origem. "Os
Estados Unidos parecem destinados pela providência a praguejar a
América de misérias em nome da Liberdade", havia profetizado Simón
Bolívar.
A revolução ficou truncada, inconclusa desde 1830 pela acção predadora
da matilha de excludentes crioulos açulada e comandada pelo governo de
Washington.
"Toda revolução – dizia o Libertador – tem três etapas: a guerreira, a
reformadora e a de organização. A primeira etapa pertence ao passado;
foi obra dos soldados. A segunda fizemo-la com o Congresso de Cúcuta e
o governo de Bogotá. A terceira, a de organização, vou abordá-la no
Panamá".
Este é exactamente o ponto de partida para retomar a obra da
independência e da revolução. A 200 anos de iniciada a gesta
independentista o projeto de Bolívar continua a estar assombrosamente
válido, como se houvesse sido concebido para os tempos de hoje. O povo
que pode, o povo que constrói, tem a palavra. E agora Bolívar é o
próprio povo a empunhar a sua espada com a irredutível determinação de
lutar pela concretização do seu grande sonho.
Mas só o grito de independência não é suficiente; ficou demonstrado na
explosão simultânea de gritos que estremeceram o continente Sul,
afogados rapidamente pelas sanguinárias forças punitivas da coroa.
Nenhum povo pode alcançar a sua liberdade se não tiver uma força
própria. Desta vez o novo grito de independência deve ser o grito de
todos, o grito dos excluídos reforçado com a mobilização resoluta, com
a luta multiforme, com as armas da unidade, da inteligência e da
força. É a hora dos povos. Foram eles que combateram e combatem os que
contribuíram e contribuirão com milhares de heróis estelares e
anônimos. Foi o povo a força viva do exército bolivariano que derrotou
o regime colonial na América do Sul e será protagonista do triunfo
inevitável da revolução política e social.
Há uma espiral que ascende rumo à liberdade. A luta dos patriotas do
século XIX tem um fio condutor, uma articulação, com a dos patriotas
do século XXI. Aqueles desenvolveram a sua luta num agitado contexto
de crise do mundo colonial. Consolidava-se, sim, o sistema capitalista
com o saqueio e a escravidão de povos, mas ao mesmo tempo a invasão
napoleônica da Espanha estimulava na América hispânica a ruptura
radical com o regime colonial. A luta dos patriotas do século XXI pela
independência definitiva não só está ligada à derrota do sistema
capitalista e da dominação imperial como exige a superação desse
sistema decadente e a inauguração de uma nova era justiceira: a do
socialismo e da Pátria Grande. A atual crise estrutural do capitalismo
é o toque de clarim que anuncia ao povo que chegou o momento de
lançar-se à batalha definitiva pela emancipação.
A preocupação de Washington é Simón Bolívar ainda vivo e palpitante na
ânsia justiceira dos povos, a vigência do seu pensamento, do seu
projeto político e social, o reencontro dos excluídos com a história
verdadeira que lhe diz que foram eles, sua dignidade, o objeto
principal do projeto originário de nação.
Como vislumbram na consciência dos povos um obstáculo à espoliação,
recorrem à força e à instalação do poderio da sua tecnologia militar
para negar pela violência ou a dissuasão o que exigem o sentido comum
e a justiça. Não nascemos para sermos vassalos de ninguém, nem pátio
traseiro de nenhuma potência. A América do Sul pertence-nos porque
nascemos nela. Temos direito à dignidade humana e a construir o modelo
de sociedade que faça a nossa felicidade.
Que importa que os Estados Unidos instalem estrategicamente suas bases
militares no Caribe e no continente se estamos resolvidos a ser
livres? Como diria Bolívar na efervescência independentista da
Sociedade Patriótica: "ponhamos sem temor a pedra fundamental da
liberdade sul-americana; vacilar é sucumbir".
Oponhamos um escudo de dignidade latino-americana e caribenha às
incessantes agressões e desrespeitos do monstro do Norte, forjado este
escudo no mais duro e resistente aço da unidade. "Porque a divisão é o
que nos está matando", devemos destruí-la. A dispersão e a ausência de
unidade foram o que interpôs o tremendo abismo que nos separa do nosso
destino de Grande Nação, de potência de humanidade e liberdade.
Rompamos as cadeias mentais e culturais que agrilhoam a consciência
coletiva. Nosso dever é não ouvir o escravizante canto de sereia do
império e escutar a palavra amorosa do pai e Libertador, que nos diz:
"unidos seremos fortes e mereceremos respeito; divididos e isolados,
pereceremos". A unidade é a nossa força e a nossa esperança.
Recusemos com decoro pátrio as bases e instalações operativas da
avançada do exército dos Estados Unidos na Colômbia. Castiguemos com o
repúdio coletivo os governantes vassalos, de colônia, que permitiram o
ultraje e que cederam o território como base de agressão ianque contra
os povos do continente; os apátridas que ajoelharam durante 200 anos a
nossa dignidade perante a águia imperial e que cravaram a adaga da
política neoliberal e do Fundo Monetário Internacional no coração da
Colômbia hemisférica; os desavergonhados peões do império que prestam
seu sentimento escravo para atalhar em nome de Washington a incontível
onda bolivariana que percorre o continente.
A marcha patriótica bicentenária está em movimento. Como dizia
Bolívar: "o impulso da revolução está dado, já nada o pode conter
(...) O exemplo da liberdade é sedutor, e o da liberdade interna é
imperioso e arrebatador (...) Devemos triunfar pelo caminho da
revolução e não por outro (...) A lei da repartição de bens é para
toda Colômbia".
A mobilização de povo começou. Já estamos na batalha. Com a espada do
Grande Herói triunfará a independência definitiva, a Pátria Grande e o
Socialismo.
Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 15 de Julho de 2010
Ano bicentenário do grito de independência
[*] Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia–Exército do Povo
Nas últimas semanas, o presidente venezuelano Hugo Chávez passou diversos sinais conciliadores para o mandatário eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que tomará posse dia 7 de agosto. O retorno também foi promissor: o novo chefe de Estado colombiano revelou-se disposto a construir uma agenda positiva, que permitisse o pleno reatamento entre os dois países.
Mas a aproximação foi fulminada pela ação de Álvaro Uribe, desconfortável com a autonomia de seu sucessor e o risco de perder espaço na vida política do país. Mesmo sem qualquer incidente que servisse de pretexto, jogou-se nos últimos dias a reativar denúncias sobre supostos vínculos entre as Farc e a administração chavista.
O ápice da performance uribista foi a atual reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos), que se realiza em Washington. Bogotá apresentou provas para lá de duvidosas, que sequer foram corroboradas por seus aliados tradicionais, de que a Venezuela estaria protegendo e acobertando atividades guerrilheiras. A reação de Caracas foi dura e imediata.
A decisão pela ruptura de relações diplomáticas, no entanto, pode ser provisória. O próprio presidente Chávez, nas primeiras declarações a respeito dessa atitude, reafirmou a esperança de que Santos arrume a bagunça armada pelo atual ocupante do Palácio de Nariño. Mas reiterou sua disposição de enfrentar e desqualificar a estratégia de Uribe.
O presidente colombiano parece mirar dois objetivos. O primeiro deles é interno: a reiteração da “linha dura” como política interna facilita sua aposta de manter hegemonia sobre os setores militares e sociais que conseguiu agregar durante seu governo. O segundo, porém, tem alcance internacional. O uribismo é parte da política norte-americana para combater Chávez e outro governos progressistas; mesmo fora do poder, o líder ultradireitista não quer perder protagonismo e se apresenta como avalista para manter Santos na mesma conduta.
Fontes do Palácio de Miraflores não hesitam em afirmar que as provocações de Uribe, além de fixar seu alvo no presidente venezuelano, seriam estranhamente coincidentes com o discurso de José Serra e Indio da Costa no Brasil, retomando a pauta de eventuais relações entre o PT e a guerrilha colombiana. Esses analistas afirmam que o governante de Bogotá deu um lance para se manter em evidência na disputa regional entre os blocos de esquerda e direita.
Autoridades venezuelanas, nos bastidores, se empenham para que haja uma condenação generalizada, dos países latino-americanos, à conduta de Bogotá e ao cúmplice silêncio norte-americano. Não desejam que outras nações sigam o caminho da ruptura, mas Chávez parece convencido que seu colega colombiano não poderá ser detido com meias-palavras ou atos de conciliação.
Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi
Sr. Antonio Carlos Pereira editor responsável de Opinião
Sr. Ricardo Gandour editor de Conteúdo
Senhores,
É com grande preocupação e mal-estar que a República Bolivariana da Venezuela, por meio de seu Embaixador no Brasil, dirige-se a esse jornal, de reconhecidas qualidade e tradição entre os veículos da imprensa brasileira. E a razão não é outra senão nossa surpresa e indignação com os termos e o tom de que sua edição de hoje (20/07/10) lança mão para atacar o presidente de um país com o qual o Brasil e os brasileiros mantêm relações do mais alto nível e qualidade.
O respeito à plena liberdade de imprensa e de expressão é cláusula pétrea de nossa Constituição e valor orientador do governo de nosso país. A estas diretrizes, no entanto, cremos que devam sempre estar associadas a lhaneza na referência a autoridades constituídas democraticamente eleitas e a plena divulgação de todos os fatos associados a uma cobertura jornalística.
Cremos descabido que um jornal como O Estado de S.Paulo se refira ao presidente Hugo Chávez, eleito e reeleito pelo voto livre da maioria dos venezuelanos, com o uso de termos e expressões como lúgubre circo de Chávez, autocrata, protoditador, circo chavista, caudilho, lúgubre picadeiro, costumeira ferocidade, rugiu, toque verdadeiramente circense da ofensiva chavista no gênero grand guignol.
Mais graves ainda são a distorção e ocultação de informações que maculam os textos hoje publicados.
O presidente Hugo Chávez nunca atropelou a Constituição Bolivariana, instituída por Assembleia Nacional e referendada em plebiscito. Ao contrário, submeteu-se, inclusive, a referendo revogatório de seu próprio mandato, prática democrática avançada que pouquíssimos países do mundo têm o orgulho de praticar.
O editorial omite que o cardeal Jorge Savino já foi convocado pela Assembleia Nacional para apresentar provas de sua campanha difamatória frente aos deputados também democraticamente eleitos , mas o mesmo rechaçou a convocação. Prefere manter suas acusações deletérias a apresentar aos venezuelanos e à opinião pública internacional os fatos que lastreariam suas seguidas diatribes.
Outros trechos do texto só podem ser lidos como clara campanha de acobertamento de um terrorista, como o é, comprovadamente, Alejandro Peña Esclusa: O advogado de Esclusa assegura que o material foi plantado pelos policiais que invadiram a casa de seu cliente - considerando o retrospecto, uma acusação mais do que plausível (grifo nosso)
Esclusa foi preso em sua residência em posse de explosivos, detonadores e munição, após ter sido denunciado, em depoimento à polícia, pelo terrorista confesso Francisco Chávez Abarca - este criminoso, classificado com o alerta vermelho da Interpol, foi preso em solo venezuelano quando dirigia operação de terror, visando desestabilizar o processo eleitoral de setembro deste ano.
A prisão de Esclusa ocorreu de forma pacífica, com colaboração de sua família, e segue os ritos jurídicos normais: ele tem advogado constituído, direito a ampla defesa e será julgado culpado ou inocente de acordo com o entendimento da Justiça, poder independente de influência governamental ou partidária, assim como no Brasil.
Inadmissível seria o governo da Venezuela ter permitido que um terrorista ceifasse vidas e pusesse em risco a democracia, que nos esforçamos arduamente para defender, ampliar e aprimorar em nosso país, assim como o fazem, no Brasil, os brasileiros.
O Estado de S.Paulo tem pleno conhecimento desses fatos, tendo inclusive recebido, em 14/07/10 a Nota de Esclarecimento desta Embaixada, a respeito do desbaratamento da operação terrorista internacional que estava em curso (cópia anexa). O responsável pela editoria Internacional, Roberto Lameirinhas, inclusive confirmou seu recebimento à nossa assessoria de comunicação.
Daí manifestarmos nossa estranheza com a reiterada negativa do jornal em dar tais informações a seus leitores. E ainda tomando como verdade declarações do advogado do referido terrorista.
Temos certeza que os senhores não desconhecem, até pela história recente do Brasil, o quão frágil pode ser a liberdade diante do autoritarismo tirano da intolerância e do uso do terror como método de ação política.
Reafirmamos que não nos cabe emitir qualquer juízo de valor sobre as opiniões político-ideológicas do jornal dirigido por V. Sas., por mais que delas discordemos. O que nos leva a enviar-lhes esta correspondência é, tão somente, a solicitação de que se mantenha a veracidade jornalística e o respeito que se deve sempre às pessoas, sejam ou não autoridades constituídas, mesmo quando o jornal as considere, de moto próprio, como seus inimigos ou desafetos.
Esta Embaixada permanece à disposição do jornal e de seus leitores, para esclarecimentos adicionais sobre quaisquer dos assuntos supracitados, bem como de novos temas julgados pertinentes e reivindica, formalmente, a publicação da presente carta, com o mesmo destaque dado ao editorial de hoje, intitulado O lúgubre circo de Chávez, publicado à página A3.
Atenciosamente,
Maximilien Arvelaiz
Embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil
Em aproximadamente três anos e meio, a atenção
sanitária na Nicarágua deixou de ser uma prática elitista e controlada
pelas regras do mercado, e se converteu em uma prioridade governamental
e um direito de toda a população. Os avanços conseguidos neste campo
desde que os sandinistas assumiram pela segunda vez o governo desta
nação centro-americana, em janeiro de 2007, são enormes e respondem a
uma política de Estado concebida a partir do critério de que a saúde é
um direito fundamental de toda a população e é uma obrigação
governamental brindar uma atenção de qualidade, de maneira eficiente e
gratuita.
Depois de 17 anos de governos neoliberais (1990-2006), uma das primeiras
decisões adotadas pelo presidente Daniel Ortega foi decretar a
gratuidade da atenção médica em hospitais e centros de saúde, incluindo
os exames de laboratórios e com equipes de alta tecnologia, que depois
se estendeu aos medicamentos prescritos nessas unidades.
Essa medida possibilitou o acesso à atenção médica de grande parte da
população nicaragüense, sobretudo a de menores rendimentos, até então
impedida de pagar os altos custos de hospitais privados e inclusive
públicos.
Por exemplo, no Centro Nacional de Cardiologia realizaram-se, em 2007,
2.898 eletrocardiogramas, mas a cifra subiu a 7.932 em 2009 e só durante
o primeiro semestre deste ano se reportaram 4.500.
Há três anos, os nicaragüenses deviam pagar por um eletrocardiograma o
equivalente a uns 30 dólares por exame, mas desde 2007 realizam-se
gratuitamente em todos os hospitais públicos e centros assistenciais
controlados pelo Ministério de Saúde (Minsa).
Mas de pouco serve a gratuidade da atenção médica se são escassos os
centros assistenciais e os que existem não dispõem de recursos humanos e
técnicos necessários.
Concentrada principalmente em Manágua e em algumas outras cidades, a
infra-estrutura de saúde pública que encontrou o governo sandinista em
2007 estava marcada pela corrupção e pelo abandono de três
administrações neoliberais precedentes.
Não existiam máquinas de hemodiálise em nenhum dos hospitais públicos do
país, e muito menos equipes para realizar tomografias, ressonâncias
magnéticas, ecocardiogramas e outros exames especializados.
Tudo isso começou a mudar rapidamente, graças a importantes e
sustentados investimentos governamentais e à ajuda brindada pelos países
da Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (ALBA), principalmente
de Cuba e Venezuela.
A infra-estrutura
Em três anos e meio, foram consertados e acondicionados dezenas de
hospitais e centros de saúde em todo o país e se construíram outros,
principalmente em zonas do interior onde praticamente nunca antes houve
atenção médica à população.
Na primeira semana de julho e em comemoração ao XXXI aniversário do
triunfo da Revolução Sandinista, a ministra de Saúde, Sonia Castro,
anunciou a inauguração, no mês, de 15 novas unidades sanitárias, entre
elas quatro hospitais primários.
Há uma melhora na infra-estrutura e pouco a pouco estamos investindo num
modelo de saúde que encontramos fracassado; sabemos que as necessidades
são grandes, mas vamos avançando, disse a titular do Minsa.
Na aplicação de sua política sanitária, o governo sandinista tem
outorgado a prioridade à prevenção e a partir desse conceito
intensificou-se a atenção às grávidas e multiplicam-se os programas de
vacinação, sobretudo à população infantil, o que permitiu eliminar ou
reduzir a incidência de doenças como a poliomielite, o tétano neonatal,
o sarampo, a rubéola e outras. Ao mesmo tempo trabalhou-se intensamente
na formação de novos médicos, pessoal de enfermaria e técnicos da saúde,
com vocação de serviço solidário e humanista, alheia a conceitos
mercantilistas.
Ao pujante movimento de médicos sandinistas que se move por todo o país,
unem-se pouco a pouco os graduados das universidades locais, bem como os
mais de mil jovens que a Nicarágua enviou à Escola Latino-americana de
Medicina (ELAM) de Havana, e os mais de 200 que estudam na Venezuela.
O esforço realizado ao longo de mais de três anos possibilitou que, no
final de maio, o representante permanente na Nicarágua da Organização
Panamericana de Saúde (OPS), Jorge Luis Prósperi, destacasse as
conquistas do governo sandinista em matéria de saúde.
Nicarágua é um dos países com mais alta cobertura de vacinação no
continente, disse o servidor público, e acrescentou que nem na América
do Sul nem na Central atingem-se cifras acima de 95 por cento na maioria
das vacinas como na Nicarágua e isso só se consegue com um compromisso
político muito forte do governo.
A julgamento de Prósperi, as limitações são basicamente financeiras, mas
para chegar a essa meta conta-se com uma forte política sanitária e o
país tem um plano de saúde e um modelo de organização dos sistemas
sanitários locais que são exemplos para a América.
A colaboração cubana
A colaboração cubana neste esforço é notável. A brigada Ernesto Che
Guevara, integrada por uns 180 especialistas, opera em dois hospitais,
um no município Muelle de los Bueyes, na Região Autônoma do Atlântico
Sul (RAAS), e outro em Waspán, na Região Autônoma do Atlântico Norte
(RAAN), zonas de assentamento tradicional dos povos originários.
O pessoal médico da Che Guevara está presente também nos departamentos
de Matagalpa e Rio San Juan, e seus técnicos operam as equipes vindas da
Venezuela para o Centro de Alta Tecnologia do capitalino hospital Lenin
Fonseca.
Também integram essa brigada os 45 médicos e técnicos que operam os
quatro hospitais oftalmológicos criados na Nicarágua como parte da
Operação Milagro, instalados em Cidade Sandino, Matagalpa, Bluefields e
Puerto Cabezas, onde, em conjunto realizaram-se até agora mais de 67 mil
operações cirúrgicas em pessoas com problemas visuais.
A maior parte dessas operações foi realizada em pessoas afetadas por
cataratas ou pterigium e foi totalmente gratuita, algo muito importante
se se tiver em conta que uma operação desse tipo custa em um hospital
privado da Nicarágua em torno de 900 dólares.
Outra colaboração cubana de grande impacto social é a que protagonizam
os 64 especialistas e técnicos da Ilha que integram a Brigada Todos com
Voz, que desde outubro de 2009 realiza o Estudo Psico-social, Pedagógico
e Clínico-Genético das Pessoas com Incapacidades em todos os
departamentos da Nicarágua.
Essa brigada, integrada também por 25 médicos nicaragüenses, completou
já esses estudos em Masaya, Matagalpa, Chinandega, Managua, León,
Jinotega, Nueva Segovia, Estelí e a princípios de julho estava a ponto
de terminar em Chontales.
Até o dia 6 desse mês tinham estudado um total de 88.419 pessoas com
diversos tipos de incapacidades, para o que visitaram mais de 131 mil
moradias.
Esses estudos permitem registrar informação que antes não existia sobre
as pessoas incapacitadas, o que possibilita ao governo elaborar e
aplicar programas de atenção para melhorar a qualidade de vida desse
vulnerável setor da população.
(*) O autor é co-responsável da Prensa Latina na Nicarágua.
Em Cuba, existem cerca der 50 pessoas a quem os grandes meios de comunicação classificam como "presos políticos", "presos de consciência" ou "dissidentes". Os governos dos países mais poderosos e ricos do mundo se apóiam neste argumento para pressionar o governo cubano e forçar mudanças na ilha de acordo com seus interesses políticos e econômicos. A conhecida e prestigiosa organização Anistia Internacional também qualifica com estes termos estas pessoas. Porém, o que há de correto em tudo isso?
É preciso recordar que nenhum dos chamados "dissidentes" foram penalizados por delitos de opinião, mas por sua colaboração direta com o governo dos Estados Unidos por diferentes meios, basicamente a recepção de fundos econômicos.
Esta superpotência, cuja economia representa hoje cerca de um terço de toda a economia mundial, mantém um bloqueio econômico que provoca graves privações à população da ilha e que já foi condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 18 ocasiões. Além disso, protege em seu território pessoas responsáveis por centenas de vítimas de atos terroristas na ilha e mantém ocupada uma parte do território do país, a Baía de Guantânamo, contra a vontade expressa do povo e do governo cubanos.
Quer dizer, o governo dos Estados Unidos mantém uma guerra aberta e declarada contra Cuba, com o objetivo de derrubar o sistema político e social vigente na ilha. Para isso, destinou, só nos anos 2007 e 2008, US $ 45,7 milhões para os chamados "dissidentes", e outros US $ 100 para organizações radicadas nos Estados Unidos que atuam, em muitos casos, como financiadores intermediários dos mesmos.
Os delitos dos chamados " dissidentes", portanto, não têm nada a ver com a liberdade de expressão, mas com colaboração com uma superpotência estrangeira inimiga.
Mas o que aconteceria em outros países com pessoas com atuações semelhantes? (1)
O Código Penal dos Estados Unidos prevê uma pena de 20 anos para quem preconize a derrubada do governo ou da ordem estabelecida. Estipula 10 anos de prisão para quem emita "falsas declarações", com o objetivo de atentar contra os interesses dos Estados Unidos em suas relações com outra nação. E pena de três anos para quem "mantenha (...) correpondência ou relação com um governo estrangeiro (...). com a intenção de influir em sua conduta (...) a respeito de um conflito ou uma controvérsia com os Estados Unidos".
O Código Penal espanhol castiga com pena de 4 a 8 anos a quem "mantiver relações de inteligência ou relação de qualquer gênero com governos estrangeiros (...), a fim de prejudicar a autoridade do Estado ou comprometer a dignidade ou os interesses vitais da Espanha". Prevê pena de 10 a 15 anos aos responsáveis por crime de "rebelião", aplicado a quem se "levante violenta e publicamente" com objetivos como: derrubar ou modificar a Constituição, destruir ou suprimir faculdades do rei da Espanha.
A França castiga com pena de até 30 anos e multa de € 450 mil "o feito de manter relações de inteligência com uma potência estrangeira, (...) com vistas a sucitar hostilidades ou atos de agressão contra a França".
A Itália sanciona com pena entre 3 e 10 anos o " cidadão que, inclusive indiretamente, receba (...) do estrangeiro (...) dinheiro ou qualquer outro artigo (...) com o objetivo de cometer atos contrários aos interesses nacionais", com um incremento de pena se "o dinheiro (...) se entrega ou se promete mediante propaganda na imprensa".
Em qualquer um dos citados países, e em outros não mencionados, os denominados "dissidentes" cubanos receberiam, então, penas muito superiores que aquelas recebidas por seus delitos em Cuba. Contra todos eles (os dissidentes), ficou provado o recebimento, direto ou indireto, de fundos do governo dos Estados Unidos e colaboração com a política de guerra contra a ilha.
O pesquisador francês Salim Lamrani define a Anistia Internacional como uma organização "reconhecida por sua serenidade, profissionalismo e imparcialidade", porém critica seu tratamento em relação a Cuba. "A Anistia Internacional faria bem em reconsiderar seu juízo a respeito daqueles que considera presos de consciência em Cuba, pois ter duas medidas é inaceitável", afirma o professor.
Neste texto, Luís Carapinha diz-nos que os EUA prosseguem o caminho iniciado de reintervenção na América Latina com o golpe de Estado nas Honduras: “Obama prossegue assim o bloqueio contra Cuba e intensifica a conspiração contra a Venezuela e os restantes países da ALBA, ao mesmo tempo que apoia a agenda da grande burguesia, como mostram os casos do Brasil e da Argentina. Reverter e derrotar as singulares experiências de transformação revolucionária e desarticular os diferentes espaços de integração latino-americana é condição essencial para a recolonização imperialista do sub-continente.”
Um ano após o golpe de Estado nas Honduras os EUA prosseguem a senda desenfreada de militarização do continente americano. A última investida corresponde à ocupação silenciosa da Costa Rica. Os factos são simples: com o apoio da presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, o parlamento do país centro-americano aprovou há dias um «acordo de segurança» com os EUA que prevê a entrada no seu território de sete mil soldados norte-americanos que se farão acompanhar por cerca de 50 vasos de guerra, incluindo um porta-aviões, e mais de duas centenas de helicópteros e aviões de combate.
A razão invocada para a deslocação do impressionante aparato bélico é no mínimo risível – o combate contra o narcotráfico. Ainda mais quando se sabe que os EUA são o maior consumidor mundial de drogas e que a Colômbia e o Peru, países que se encontram na órbita estadunidense, são os dois maiores produtores mundiais de cocaína.
O caso é muito sério. Depois da reactivação da IV Frota para a América Latina, ainda com Bush, e do afastamento do presidente Zelaya, já com Obama, os EUA estabeleceram mais sete bases militares na Colômbia, recuperaram a estratégica presença militar no Panamá – um dos resultados imediatos da eleição presidencial em 2009 de Martinelli –, invadiram o paupérrimo e destroçado Haiti e ampliaram a presença militar nas próprias Honduras, onde sob a fachada democrática resultante de umas eleições fraudulentas segue a campanha de violência e assassinatos do poder golpista.
A literal ocupação da Costa Rica – sem direito ao estatuto de notícia no «grande espaço mediático» – é particularmente escandalosa, pois, que se saiba, a Constituição ainda vigente em San José proíbe a presença de forças armadas no seu território, que aboliu em 1948, e proclama o país como zona de paz.
É certo que políticos como o anterior presidente, Óscar Arias – o eterno mediador do imperialismo – nunca regatearam esforços em melhor servir os interesses dos EUA na zona do seu «quintal das traseiras». Foi sob a sua alçada e não obstante o forte repúdio popular que a Costa Rica implementou em 2009 um Tratado de Livre Comércio com os EUA. É na sua esteira que Chinchilla, em cujo curriculum consta o facto de ter trabalhado para agências ligadas à CIA, como a USAID, e que tal como Arias integra a Internacional Socialista, pactua agora para tornar a Costa Rica num chinelo do imperialismo.
Trata-se este de mais um relevante sinal da contra-ofensiva dos EUA na América Latina. Cujo raio de acção não está circunscrito à obstinação em criar uma zona tampão na América Central e à ameaça directa aos governos da FSLN e FMLN, na Nicarágua e El Salvador. A preocupação central a que o Pentágono tenta dar resposta tem como foco principal os processos de resistência, acumulação de forças e mesmo transformação que se desenvolvem na América Latina.
Obama prossegue assim o bloqueio contra Cuba e intensifica a conspiração contra a Venezuela e os restantes países da ALBA, ao mesmo tempo que apoia a agenda da grande burguesia, como mostram os casos do Brasil e da Argentina. Reverter e derrotar as singulares experiências de transformação revolucionária e desarticular os diferentes espaços de integração latino-americana é condição essencial para a recolonização imperialista do sub-continente.
A irreprimível ambição de hegemonia absoluta obrigam doentiamente a economia mais endividada e parasitária do mundo a canalizar verbas astronómicas para a guerra. Munidos da doutrina do Ataque Imediato Global, porta-aviões e forças navais da super-potência imperialista sulcam os mares do mundo, das águas do Golfo Pérsico e costas iranianas até às cercanias da China.
Em plena crise do capitalismo, crescem exponencialmente os perigos do imperialismo e a máquina bélica dos EUA precipitarem novos focos de tensão e Guerra. Realidade a exigir impostergáveis e efectivas respostas em defesa da vida e da Paz.
* Analista de política internacional
Este texto foi publicado no Avante nº 1911 de 15 de Julho de 2010.
Documentos revelam financiamento dos EUA a meios e jornalistas venezuelanos
Mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências
estadunidenses e 25 páginas da internet foram financiadas na Venezuela
com o dinheiro estrangeiro.
Por Esther Banales Eva Golinger
Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos
Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas
siglas em inglês) evidenciam mais de 4 milhões de dólares em
financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos
anos.
O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de
Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação
Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês),
Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos
Estados Unidos (Usaid).
Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de
Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas
recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento
datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais
organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e
Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).
Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as
encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do
Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e
jornalistas venezuelanos.
Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou
programas na Venezuela dedicados à "promoção da liberdade dos meios e
das instituições democráticas", além de cursos de formação para
jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao
que considera as "constantes ameaças contra a liberdade de expressão"
e "o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios".
Financiamento a páginas web anti Chávez
Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu 699.996 dólares do
Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao "desenvolvimento dos
meios independentes na Venezuela" e para o jornalismo "via tecnologias
inovadoras". Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas
foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25
páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro.
Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em
âmbito nacional, que também incluiu a outorga de "prêmios" de 25 mil
dólares a vários jornalistas.
Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de
páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que
utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo
venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a
realidade sobre o que acontece no país.
Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram
jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso
dessas tecnologias e para criar o que chamam uma "rede de
ciberdissidentes" na Venezuela.
Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush,
juntamente com a organização estadunidense Freedom House convocou um
encontro de "ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos" e
"especialistas em Internet" para analisar o "movimento global de
ciberdissidentes". Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas,
foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da
Venezuela.
No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México
foi a sede da II Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis ("AYM", por
suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o
evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary
Clinton e vários "delegados" convidados pela diplomacia estadunidense,
incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana
Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera,
Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora
membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon
Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.
Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House,
o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o
Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de
"capacitação e formação" dos funcionários estadunidenses e dos
criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e
Youtube.
Financiamento a universidades
Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de
716.346 dólares via organização estadunidense Freedom House, em 2008,
para um projeto de 18 meses dedicado a "fortalecer os meios
independentes na Venezuela". Esse financiamento através da Freedom
House também resultou na criação de "um centro de recursos para
jornalistas" em uma universidade venezuelana não especificada no
relatório. Segundo o documento oficial, "O centro desenvolverá uma
rádio comunitária, uma página web e cursos de formação", todos
financiados pelas agências de Washington.
Outros 706.998 dólares canalizados pela Fupad foram destinados para
"promover a liberdade de expressão na Venezuela", através de um
projeto de 2 anos orientado ao jornalismo investigativo e "às novas
tecnologias", como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre
outras. "Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e
apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias
midiáticas em várias regiões da Venezuela".
"A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo
investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação
independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos
e incorporados no currículo universitário".
Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a
Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a
Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de
pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos,
financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três
universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis
antichavistas durante os últimos três anos.
Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios
privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu 545.804
dólares para um programa intitulado "Venezuela: As vozes do futuro".
Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a "desenvolver uma nova
geração de jornalistas independentes através do uso das novas
tecnologias". Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e
televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos
artigos e transmissões dos "participantes" do programa.
A Usaid e a Fupad
Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em
Caracas, que maneja um orçamento anual entre 5 a 7 milhões de dólares.
Esses milhões de dólares fazem parte dos 40 a 50 milhões de dólares
que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses
estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.
A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela
desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país
sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de
Estado em 1962, e é "filiada" à organização de Estados Americanos
(OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo
Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para
"promover a democracia" e "fortalecer a sociedade civil" na América
Latina e Caribe.
Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima
de 100 milhões de dólares na Colômbia, como parte do Plano Colômbia,
financiando "iniciativas" na zona indígena em El Alto; e leva 10 anos
trabalhando em Cuba, de forma "clandestina", para fomentar uma
"sociedade civil independente" para "acelerar uma transição à
democracia".
Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para "fortalecer os grupos locais
da sociedade civil". Segundo um dos documentos desclassificados, a
Fupad "tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido
outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs
venezuelanas".
Os "sócios" venezuelanos
Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo
jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web
(www.espaciopublic.org) destacar que a organização é "independente e
autônoma de organizações internacionais ou de governos", os documentos
do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento
multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses
documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não
somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como
seus "sócios" e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação
e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle
sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos
Estados Unidos.
O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um
porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment
for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o
Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald
Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é
membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão
(IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de
Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela
NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para
a Assistência para uma Cuba Livre.
Pedidos de ajuda para conter repressão contra trabalhadores chegam à OIT
Fonte: Adital
A fim de conter as investidas violentas e a repressão contra os
trabalhadores grevistas ordenadas pelo governo de Ricardo Martinelli,
o secretário geral da ‘Internacional de Trabalhadores da Construção e
da Madeira (ICM)’, Alberto Emilio Yuson, pediu à interferência da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos conflitos pela
derrogação da Lei 30. As manifestações ocorrem no Panamá desde o
último dia três e tiveram início no município de Bocas Del Toro.
Em carta enviada ontem (15), Emilio Yuson pediu ao diretor geral da
OIT, Juan Somavía, que ative o mecanismo de intervenção urgente,
devido à situação de perseguição e detenção arbitrária sofrida por
líderes sociais de diversas categorias e por dirigentes sindicais,
sobretudo do Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da
Construção e Similares (Suntracs).
Segundo informações da agência de notícias Rebanadas de Realidad, na
solicitação enviada à OIT, o secretário geral da ICM descreve os
transtornos e violências a que os manifestantes estão sendo submetidos
ao realizarem mobilizações e greves para reivindicar a derrogação da
Lei 30, mecanismo que vulnera os direitos humanos, trabalhistas e
ambientais.
Recebeu destaque na carta enviada à OIT, a situação vivida em Bocas
Del Toro e na capital, Cidade do Panamá, onde os confrontos com as
forças nacionais resultaram em centenas de feridos, muitos dos quais
correm o risco de ficarem cegos devido aos tiros e à violência
policial. Os confrontos também deixaram um saldo de mortos, mas ainda
não há um consenso sobre o número real. É certo que pelo menos duas
pessoas perderam a vida devido à repressão.
Emilio Yuson revelou ainda que o governo emitiu ordens de prisão
contra membros da Junta Diretiva do Suntracs, situação que forçou os
trabalhadores a se manterem escondidos até que as ordens caíssem.
Depois de muita pressão, Jaime Caballero, subsecretário geral do
Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da Construção e
Similares (Suntracs) e integrante da Frente Nacional pela Defesa dos
Direitos Econômicos e Sociais (Frenadeso), detido desde o dia 10, foi
liberado na noite de ontem (15). Desde então, ele se mantinha em greve
de fome.
O dirigente sindical foi preso pelos agentes do Conselho de Segurança
durante as repressões empreendidas em Bocas del Toro e levado à prisão
da Direção Nacional de Investigação Judicial da Polícia Nacional.
Os movimentos sindicais panamenhos denunciaram a irregularidade desta
e de outras detenções, como a dos dirigentes Ronaldo Ortiz e Alexis
Garibaldi. Segundo Informações do Instituto Observatório Nacional, os
presos não foram informados sobre os motivos de sua prisão e estão
sendo impedidos de contatarem advogados.
Outras situações irregulares também estão marcando este capítulo de
greve no Panamá. No último dia 10, cerca de 300 pessoas foram detidas
quando saiam do Encontro Nacional de Dirigentes Populares, realizado
na Cidade do Panamá. Antes disto, pelo menos 10 dirigentes sindicais e
trabalhadores já haviam sido alvos de detenções arbitrárias.
Na segunda-feira (12), o Fórum de Advogados pela Liberdade entrou com
pedidos de habeas corpus e, por este motivo, 127 pessoas tiveram suas
ordens de condução suspensas.
O prognóstico da tal "crise fatal" do governo Chávez parece não estar se confirmando. O curioso é que já li isso na mídia em umas 10 ocasiões. Claro que é prudente esperarmos as eleições, mas o fato é que ele já está novamente com um nível de aprovação de razoável para confortável: 61%. *1
Na verdade, retomei o assunto porque queria mostar-lhes, vejam que curioso, como o mundo dá voltas. Observem o que está ocorrendo com dois governos marcadamente de direita:
Governo Berlusconi sofre terceira baixa em dois meses *2
Calderón anuncia saída de ministros do Interior e da Economia *3
Agora eu pergunto, alguém ficou sabendo disso? O jornal O Globo botou em 1a página? A Miriam Leitão fará uma coluna inteira criticando esses governos? As profecias catastróficas do PIG vão surgir para estes presidentes?
Coletei algumas frases da cobertura deste mesmo jornal da época em que o tema era a saída de ministros do governo venezuelano. Percebam a diferença clara no destaque e no tom:
1) *4
"Renúncia de Ramón Carrizález, homem de confiança de Hugo Chávez, agrava crise na Venezuela"
"(...) o governo venezuelano liderado por Hugo Chávez deu na segunda-feira outro grave sinal de desgaste"
"Para analistas, a demissão do vice-presidente agrava a crise política no país."
"A saída de Carrizález é mais um capítulo da atual instabilidade enfrentada pelo presidente Chávez - cuja luta pela implantação de "um socialismo para o século XXI" parece entrar em colapso."
"A recente e forçada desvalorização do bolívar e a escalada da inflação - que especialistas acreditam que possa subir a 60% nos próximos meses - afundam a economia."
2) *5
"O governo se esfarela com a saída dos ministros (...)"
"A bonança terminou e levou a conta para o caudilho."
"Os venezuelanos pagam caro pela opção assistencialista do governo"
"O descontentamento popular se amplia."
É assim que a gente desmascara a manipulação desse caras! :)
A existência no mundo em desenvolvimento de 146 milhões de crianças menores de cinco anos com baixo peso contrasta com a realidade das crianças cubanas, reconhecida mundialmente por estar fora deste mal social.
Esses números alarmantes apareceram em um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado Progresso para a Infância, um boletim sobre Nutrição, lançado na sede da ONU.
Segundo o documento, a percentagem de crianças com baixo peso é de 28 por cento na África subsaariana, 17 no Oriente Médio e no Norte da África, 15 na Ásia Oriental e Pacífico e 7 na América Latina e Caribe.
O quadro é completado pela Europa Central e Oriental, com 5 por cento, e outros países em desenvolvimento, com 27 por cento.
Cuba não tem esses problemas, e é o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil grave, graças aos esforços do governo para melhorar a nutrição das pessoas, especialmente as mais vulneráveis.
As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas sofrem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5.200.000 pessoas subnutridas e no Haiti, três milhões e 800 mil, enquanto em todo o mundo morrem de fome a cada ano mais de cinco milhões de crianças.
De acordo com estimativas das Nações Unidas, seria muito caro conseguir saúde básica e nutrição para todos os povos do Terceiro Mundo.
Porém, bastaria para atender a essa meta 13 bilhões de dólares adicionais por ano para o que se pretende agora, uma cifra que nunca foi alcançada e é minúscula em comparação com os milhões de milhões que são gastos anualmente em publicidade comercial, os 400.000 milhões movimentados pela venda de drogas, ou de até oito bilhões dos gastos em cosméticos nos Estados Unidos.
Para a satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que este é o país com maior progresso na América Latina na luta contra a desnutrição.
O Estado cubano garante uma cesta básica que permite a alimentação da sua população, pelo menos nos níveis básicos, através da rede de distribuição de produtos regulamentados.
Da mesma forma, são feitos ajustes econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a nutrição do povo cubano e aliviar a escassez de alimentos. Especialmente mantém-se uma vigilância constante sobre a vida de crianças e adolescentes. Assim, a atenção para a nutrição começa com a promoção de uma forma melhor e natural de nutrição da espécie humana.
Desde os primeiros dias de vida os inúmeros benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços feitos em Cuba para a saúde e o desenvolvimento da sua infância.
Isso permitiu aumentar a percentagem de recém-nascidos que permanecem até o quarto mês de vida, a amamentação exclusiva e até mesmo a continuidade do consumo de leite, complementada com outros alimentos até os seis meses de idade.
Atualmente, Cuba tem 99 por cento dos recém-nascidos egressos de maternidades com aleitamento materno exclusivo, superior a meta que era de 95 por cento, segundo dados oficiais, o que indica que todas as províncias cumprem essa meta.
Apesar das difíceis condições econômicas atravessadas pela Ilha, se garante a alimentação e nutrição das crianças mediante a entrega diária de um litro de leite a todas as crianças de zero a sete anos de idade.
Adicionando a isso a entrega de outros alimentos, como geléias, sucos e carnes, que, dependendo da disponibilidade econômica do país, são distribuídos de forma equitativa para crianças em idades menores.
Até os 13 anos de idade a prioridade de distribuição subsidiada de produtos complementares, tais como o iogurte de soja, e em catástrofes naturais, as crianças são protegidas pela distribuição gratuita de alimentos básicos.
Crianças incorporadas aos Círculos Infantis (berçários) e escolas primárias com regime de semi-internado também se beneficiam do esforço contínuo para melhorar suas dietas, em termos de componentes dietéticos lácteos e proteína.
Com o apoio da produção agrícola, mesmo em condições de seca severa, e do aumento das importações de alimentos, a ingestão de nutrientes atinge por cima os padrões estabelecidos pela FAO.
Em Cuba, este indicador é a média ficcional da soma do consumo de alimentos pelos ricos e pelos famintos.
Além disso, o consumo social inclui a merenda escolar que é distribuída gratuitamente a centenas de milhares de estudantes e trabalhadores da educação, as cotas especiais de alimentos para crianças de até 15 anos e pessoas acima de 60 nas províncias orientais.
Nesta lista estão cobertas as gestantes, mães lactantes, idosos e portadores de necessidades especiais, suplemento alimentar para crianças com baixo peso e pequeno tamanho, e fonte de alimento para os municípios em Pinar del Rio, Havana e a Ilha da Juventude.
Estas instituições foram atingidas por furacões no ano passado, enquanto as províncias de Holguín, Las Tunas e Camagüey e cinco municípios estão enfrentando a seca.
Nesse empenho colabora o Programa Alimentar Mundial (PAM), que contribui para a melhoria do estado nutricional das populações vulneráveis na região leste, onde se beneficiam mais de 631.000 pessoas.
A cooperação do PAM com Cuba remonta a 1963, quando a agência prestou assistência imediata às vítimas do furacão Flora. Até essa data, realizaram no país cinco projetos de desenvolvimento e 14 operações de emergência.
Recentemente, Cuba deixou de ser um receptor para ser um país doador.
A questão da desnutrição torna-se muito importante na campanha das Nações Unidas para alcançar em 2015 os Objetivos do Milênio, adotada na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada em 2000, e entre seus objetivos está a erradicação da pobreza extrema e da fome até essa data.
Porém, os cubanos dizem que essas metas não vão assustar ninguém, pois a própria ONU coloca o país na vanguarda do cumprimento desses desafios em matéria de desenvolvimento humano.
Não sem deficiências, dificuldades e sérias limitações impostas por um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de quatro décadas.
Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem abaixo do peso no mundo hoje é cubana.
Prometi que seria o homem "mais feliz do mundo se estivesse errado" e infelizmente a minha felicidade duraria muito pouco.
Ainda não concluiu a Copa do Mundo de Futebol. Faltam ainda seis dias para a partida final.
Que extraordinária oportunidade perder-se-ão possivelmente o império ianque e o Estado fascista de Israel para manterem afastadas as mentes da imensa maioria dos habitantes do planeta de seus problemas fundamentais!
Quem terá percebido os sinistros planos do império no que se refere ao Irã e seus grosseiros pretextos para agredi-lo?
Ao mesmo tempo pergunto-me: o que fazem pela primeira vez os navios de guerra israelenses nas águas do Golfo Pérsico, do Estreito de Ormuz e nas áreas marítimas do Irã?
É possível imaginar que os porta-aviões nucleares ianques e os navios de guerra israelenses irão embora dali com o rabo entre as pernas, quando forem cumpridos os requisitos acordados na Resolução 1929 do dia 9 de junho de 2010, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que mantém a autorização para inspecionar os navios e aeronaves iranianas com a possibilidade de realizá-la no território de qualquer Estado e que nesta ocasião autoriza a fazê-la aos navios em alto mar?
A Resolução também estabelece que a inspeção dos navios iranianos não se realizaria sem o consentimento do Irã. Nesse caso, a negação seria objeto de análise.
Outro elemento acrescentado é a possibilidade de confiscar o inspecionado caso se confirme que viola o disposto na Resolução.
Um Irã desarmado foi vítima daquela cruel guerra com o Iraque na qual massas de Guardiões da Revolução limpavam os campos minados avançando sobre as mesmas.
Este não é o caso de hoje. Nas Reflexões anteriores expliquei que Mahmoud Ahmadinejad foi chefe dos Guardiões da Revolução no Oeste do Irã, que levou o peso principal daquela guerra.
Anos mais tarde, um governo do Iraque estimulado enviou a maioria de sua Guarda Republicana e se anexou o Emirado Árabe de Kuwait rico em petróleo, que foi presa fácil.
O governo do Iraque mantinha com Cuba uma estreita amizade e recebia, desde os tempos em que não guerreava com ninguém, importantes serviços de saúde. O nosso país tentou persuadi-lo para que abandonasse o Kuwait e terminasse a guerra que tinha provocado a partir de pontos de vista errados.
Hoje é sabido que uma medíocre embaixadora ianque, que tinha excelentes relações com o Governo do Iraque o induziu ao erro cometido.
Bush pai atacou o seu antigo amigo chefiando uma potente coligação com uma forte composição árabe-muçulmana-sunita de países que fornecem petróleo a grande parte das nações industrializadas e ricas, a qual avançou desde o Sul do Iraque para cortar a retirada à Guarda Republicana que se dirigia para Bagdá, a qual por prudência da Infantaria da Marinha e das Forças Armadas dos Estados Unidos -sob o comando de Colin Powell, general com prestígio, e posteriormente Secretário de Estado de George W. Bush- escapou para a capital do Iraque.
Por pura vingança, contra ela utilizaram projéteis contaminados com urânio empobrecido, com os quais pela primeira vez experimentaram o dano que poderiam produzir nos soldados adversários.
O Irã que agora é ameaçado com seus exércitos de ar, mar e terra, de religião muçulmano-xiita, em nada é parecido com a Guarda Republicana que atacaram impunemente no Iraque.
O império está a ponto de cometer um impagável erro sem que nada o possa impedir. Avança inexoravelmente para um sinistro destino.
O único que pode afirmar-se é que houve quartas de final na Copa do Mundo de Futebol. Assim, os fãs do esporte pudemos desfrutar dos emocionantes jogos em que vimos coisas incríveis. Afirma-se que, em 36 anos, o time da Holanda não perdia em uma sexta-feira em jogos da Copa do Mundo de Futebol. Apenas, graças aos computadores poderia fazer-se esse cálculo.
O fato real é que o Brasil foi eliminado das quartas de final da Copa.
Um juiz deixou o Brasil fora da Copa. Pelo menos essa foi a impressão que não deixou de repetir um excelente comentarista esportivo da televisão cubana. Depois a FIFA declarou que era correta a decisão do árbitro.
Mais tarde, o próprio juiz deixou o Brasil com 10 jogadores em um momento decisivo, quando ainda restava mais da metade do segundo tempo do jogo. Com certeza essa não foi nunca a intenção do árbitro.
Ontem a Argentina foi eliminada. Nos primeiros minutos o time alemão através do meio-campo Muller, surpreendeu a confiada defesa e o goleiro argentino conseguindo marcar um gol.
Posteriormente, não menos de 10 vezes, os centroavantes argentinos, por uma do time alemão, não conseguiram marcar um gol.
Pelo contrário, o time alemão marcou outros três gols e até Ângela Merkel, Chanceler Federal da Alemanha aplaudia com muito entusiasmo.
Assim, novamente, um dos times favoritos perdeu. Dessa forma, mais de 90% dos fãs do futebol em Cuba ficaram atônitos.
A maioria esmagadora dos amantes desse esporte nem sequer sabem em que continente está localizado o Uruguai. Uma final entre países europeus será o mais descolorido e anti-histórico desde que nasceu esse esporte no mundo.
No entanto, na arena internacional aconteceram fatos que não tem nada a ver com os jogos de azar e sim com a lógica elementar que rege os destinos do Império.
Uma série de notícias foram veiculadas nos dias 1, 2 e 3 de julho.
Todas giram em torno de um fato: as grandes potências representadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas com direito a veto, mais a Alemanha, chamaram no dia 2 de julho o Governo do Irã a dar "uma rápida resposta" ao convite que lhe foi feito para reiniciar as negociações sobre o seu programa nuclear.
O Presidente Barack Obama assinou no dia anterior uma Lei que alarga as medidas existentes contra as áreas energética e bancária do Irã e poderia punir as companhias que realizarem negócios com Governo de Teerã. Quer dizer, o bloqueio rigoroso e o estrangulamento do Irã.
O Presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o seu país reiniciará as conversações no fim de agosto e destacou que nelas devem participar países como o Brasil e a Turquia, os dos únicos membros do Conselho de Segurança que rejeitaram as sanções do passado dia 9 de junho.
Um funcionário de alto nível da União Europeia advertiu, pejorativamente, que nem o Brasil nem a Turquia serão convidados para participar das conversações.
Não faz falta nada mais para tirar as conclusões pertinentes.
Nenhuma das duas partes cederá; uma, pelo orgulho dos poderosos, e a outra, pela resistência ao jugo e pela capacidade para combater, como tinha acontecido tantas vezes na história do homem.
O povo do Irã, uma nação de milenares tradições culturais, sem dúvidas, vai defender-se dos agressores. É incompreensível que Obama pense seriamente que o Irã aceitará suas exigências.
O Presidente daquele país e os seus líderes religiosos, inspirados na Revolução Islâmica de Ruhollah Khomeini, criador dos Guardiões da Revolução, das Forças Armadas modernas e do novo estado do Irã, resistirão.
Os povos pobres do mundo, que não temos a menor culpa do colossal enredo criado pelo imperialismo, localizados neste hemisfério ao Sul dos Estados Unidos, o resto situados no Oeste, no Centro e no Sul da África, e os outros que possam ficar ilesos da guerra nuclear no resto do planeta apenas temos a alternativa que encarar as consequências da catastrófica guerra nuclear que vai estourar em breve tempo.
Infelizmente não tenho nada que retificar e me responsabilizo plenamente com todo o que escrevi nas últimas Reflexões.
Alcaldes de la Amazonía boliviana expulsan a USAID de sus municipios
Wilson García Mérida
Bolpress
Pando es declarado “territorio amazónico libre de Usaid”. Son expulsadas de sus comunas autónomas varias ONG’s dependientes de la agencia de cooperación de Estados Unidos como “Conservation Strategy Fund” (CSF), “Herencia”, “Puma”, “WCS Rainforest Alliance” y “Armonía”. Tienen plazo hasta el 30 de julio para entregar sus informes y documentos de cierre de gestión.
Un hecho de trascendencia acaba de suceder en el Estado Plurinacional de Bolivia. Los alcaldes de los municipios en el departamento autónomo de Pando, dentro la Amazonía boliviana, decidieron expulsar de sus jurisdicciones a varias ONG’s, fundaciones y empresas que operan en este territorio con financiamiento de la Agencia de Cooperación de los Estados Unidos (Usaid, por su sigla en inglés), al haberse constatado que estas entidades “son las que generan conflictos internos dentro el país, interfiriendo en nuestro proceso histórico de liberación nacional para socavar la legitimidad democrática de nuestro Gobierno”, según un pronunciamiento emitido el pasado 6 de julio por las autoridades municipales de esta región amazónica fronteriza con Brasil y Perú.
Tras comprobarse que funcionarios pagados por Usaid intentaron provocar un cisma en el movimiento indígena boliviano enfrentando a las organizaciones campesinas de la amazonía boliviana con el propio Gobierno que los representa, los alcaldes de Pando decidieron “expulsar de cada una de nuestras jurisdicciones a las ONG`s, empresas, agencias y proyectos financiados a través de Usaid y sus aliados, para acabar con la impostura de los traficantes internacionales del medio ambiente, poner fin a las maniobras políticas del Gobierno de Estados Unidos en nuestro rico territorio amazónico y liberarnos de las viejas prácticas prebendales impuestas por esta perversa ‘cooperación’ cuyos míseros centavos envilecieron la conciencia de nuestros pueblos, de sus campesinos y de nuestras valerosas representaciones indígenas”.
Entre las ONG’s y fundaciones que “a partir de la fecha” deben abandonar el territorio autónomo de Pando, figuran “Conservation Strategy Fund” (CSF), “Herencia”, “Puma”, “WCS Rainforest Alliance” y “Armonía”, las cuales además, en un plazo que vence el próximo 30 de julio, están obligadas a brindar informes sobre sus programas, proyectos y actividades, así como el origen de su financiamiento, además de los montos recibidos en los últimos 10 años y los resultados tangibles logrados hasta la fecha. “Caso contrario nos veremos obligados a someterlos, en el marco de la nueva Constitución Política del Estado, a los tribunales de justicia por vulnerar nuestra autonomía y atentar contra nuestra soberanía territorial e institucional”, advierte el pronunciamiento emitido por la Asociación de Municipios de Pando (Amdepando).
El pronunciamiento explica que mediante programas como el denominado “Madre de Dios, Acre y Pando” (MAP) y la “Iniciativa de la Cuenca Amazónica” (ICCA), Usaid y sus ONG’s han convertido al departamento amazónico de Pando “en un territorio enajenado e intervenido abusivamente”. Afirma asimismo que bajo el maquillaje de “lucha contra la pobreza”, “preservación del medio ambiente”, con enfoque capitalista, y programas racistas denominados “Protección de Paisajes Indígenas”, suplantan a la autoridad autónoma de los municipios e intervienen políticamente haciendo circular clandestinamente millones de dólares en las comunidades indígenas y campesinas para enfrentar al pueblo con su propio Gobierno, buscando desestabilizar al régimen que preside el líder indígena Evo Morales.
El mal llamado “Manejo efectivo de la diversidad biológica y los servicios ambientales”, agrega el documento, “es sólo un pretexto para trasnacionalizar nuestros recursos naturales, intervenir las organizaciones sociales y alinearlas con los intereses del imperio para terminar dominando nuestros territorios, sus bosques y la biodiversidad”.
En ejercicio soberano de sus competencias conferidas por el nuevo régimen autonómico boliviano establecido en la actual Constitución Política del Estado, los munícipes pandinos han declarado al departamento de Pando “Territorio Amazónico Libre de Usaid”.
Con dicha declaración, los munícipes amazónicos apoyan la decisión del presidente Evo Morales Ayma, oficializada ya fines de 2008, de expulsar definitivamente a Usaid de nuestro país. “Este será un gesto histórico, soberano y ejemplar, destinado a lograr el respeto frente al arrogante intervencionismo extranjero”, reza el pronunciamiento, además de declarar “estado de emergencia en nuestros municipios para defender la dignidad y soberanía nacional ante la desestabilización democrática propiciada por los enemigos internos y extranjeros de este proceso de cambio”.
Advierten las autoridades comunales que “a partir de la fecha ninguna ONG, Fundación —nacional o extranjera—, empresa y/o proyecto que no cuente con la autorización de los alcaldes y sus concejos municipales, podrá hacer intervención alguna en nuestro territorio”.
El departamento de Pando está ubicado al norte de la República de Bolivia sobre una extensión de 64.000 kilómetros cuadrados en la cuenca del gran Amazonas, con más de 50.000 habitantes según el censo del 2001; contiene 5 provincias, 15 municipios y 51 cantones. Es uno de los territorios más ricos de Bolivia en biodiversidad y donde se halla la mayor cantidad de tierras fiscales disponibles para ser distribuida entre indígenas y campesinos sin tierra que vienen llegando de otros confines del país, en un proceso que intentó ser revertido por la ingerencia norteamericana e intereses de latifundistas que propiciaron la masacre indígena del 11 de septiembre del 2008, en el municipio de Porvenir.
Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.
O governo e o capital dos Estados unidos conspiram quotidianamente contra os povos da America Latina
por Altamiro Borges
Para os que acham que a crítica às ações expansionistas dos EUA é
coisa de “esquerdistas com mentalidade conspirativa”, sugiro a leitura
do livro “Legado de cinzas: uma história da CIA”, publicado pelo
jornalista estadunidense Tim Weiner em 2008. Já para os que se
iludiram com a eleição de Barack Obama, sonhando que ela poderia
aplacar a gula imperialista, indico a leitura dos artigos da escritora
estadunidense-venezuelana Eva Golinger, uma atenta pesquisadora dos
documentos desclassificados das várias “agências de ajuda” dos EUA.
No seu mais recente artigo, ela comprova que os EUA continuam bastante
ativos na montagem de rede de conspiradores pelo mundo: “Durante o
último ano, distintas agências de Washington têm financiado, promovido
e organizado grupos de jovens e estudantes na Venezuela, Irã e Cuba,
para criar movimentos de oposição contra seus governos. Os três
países, considerados ‘inimigos’ pelo governo estadunidense, têm sido
vítimas do incremento de agressões de Washington, que busca provocar
mudanças de ‘regime’ favoráveis aos seus interesses”.
Recursos milionários das “agências”
Na semana passada, um dos líderes da oposição anti-chavista, Roderick
Navarro, presidente da Federação de Centros Universitários da
Universidade Central da Venezuela, esteve em Miami para organizar “uma
rede internacional, que inclua estudantes do Irã e Cuba, para que o
mundo saiba das violações dos direitos humanos em nossos países”,
segundo confessou à imprensa. A sua principal visita foi ao Diretório
Democrático Cubano, organização de gusanos cubanos que é financiada
pela USAID e pela NED, duas das mais ativas agências intervencionistas dos
EUA.
“Desde 2005, Washington está reorientando recursos através da NED e da
USAID para o setor estudantil da Venezuela. Dos 15 milhões de dólares
invertidos e canalizados por estas agências neste país, mais de 32%
são dirigidos a organizações ‘juvenis’. Seu programa principal está
direcionado à ‘capacitação no uso de novas tecnologias e de redes
sociais para se organizar de maneira política’, segundo afirmam os
próprios informes da USAID”, denuncia Golinger.
Ingerência agressiva no continente
A escritora afirma que Barack Obama não só manteve estes planos
ilegais de ingerência, como intensificou as ações. “Em agosto de 2009,
Washington começou uma ofensiva mundial usando estudantes venezuelanos
como porta-vozes da oposição. De agosto a setembro, o Departamento de
Estado organizou a visita de oito jovens aos EUA para denunciar o
governo Chávez e para estreitar os vínculos com jovens estadunidenses.
Os oito foram selecionados pelo Departamento de Estado como parte do
programa ‘A democracia para os jovens líderes políticos’”.
“Os jovens venezuelanos, pagos e acompanhados pelo Departamento de
Estado durante a visita, deram declarações à imprensa tentando
desacreditar o governo Chávez. Justamente depois desta visita, foi
organizada uma manifestação através do Facebook, intitulada “No más
Chávez”, que incitou o magnicídio [assassinato] de Chávez... Um mês
depois, em outubro de 2009, a Cidade do México sediou o segundo
encontro da Aliança de Movimentos Juvenis (AYM). Patrocinado pelo
Departamento de Estado, o evento contou com a participação de Hillary
Clinton” e de vários direitistas da América Latina – incluindo do
Brasil, que não teve o seu nome revelado.
Investindo pesado na Internet
Além dos debates políticos, com palestras de agentes do Instituto
Republicano Internacional, do Banco Mundial e do Departamento Estado,
os presentes tiveram vários cursos de “capacitação e formação” em
Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube. O império estadunidense
tem investido pesado na utilização destas ferramentas da Internet.
Segundo a AYM, entidade criada em 2008, "o uso destas técnicas mais
modernas tem resultado em coisas assombrosas”. Ela se jacta de várias
manifestações direitistas organizadas através da Internet.
Como alerta Eva Golinger, “as novas tecnologias – Twitter, Facebook,
Youtube e outros – são suas principais armas nesta nova estratégia, e
os meios tradicionais, como a CNN e as afiliadas, exageram o impacto
real destes movimentos, promovendo opiniões falsas e distorcidas”.
Para a escritora, o objetivo é criar uma “ciber-dissidência”, que
desestabilize governos progressistas, apropriando-se de bandeiras como
as da “liberdade de expressão e dos direitos humanos”.
Após audiências públicas em San José, na Costa Rica, familiares que representam 25 desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia acreditam que a Corte condenará o Estado brasileiro
Michelle Amaral da Redação
Familiares de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia acreditam que o Brasil possa ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Oraganização dos Estados Americanos (OEA). O Estado brasileiro é réu em um processo de responsabilização por crimes cometidos durante a repressão à Guerrilha do Araguaia, entre os anos de 1972 e 1974.
Em uma sessão pública na Câmara Municipal de São Paulo, realizada em junho, familiares das vítimas e representantes das organizações que moveram a ação contra o Estado Brasileiro se reuniram para fazer um relato de como foram os seus depoimentos nas audiências públicas realizadas pela Corte, em San José, na Costa Rica.
Nestas audiências, que aconteceram entre os dias 20 e 21 de maio, prestaram depoimento representantes das vítimas, testemunhas, peritos e representantes do Estado brasileiro. Com isto, foi iniciado o processo de finalização do julgamento, restando agora a sentença da Corte, que deverá ser emitida no final de agosto.
“A gente tem certeza que o Brasil vai ser condenado, a gente já tinha antes da audiência e com a audiência ficou mais explícito”, afirma Beatriz Stella de Azevedo Affonso, do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), que representa os familiares das vítimas no processo. Segundo ela, as falas dos juízes e o modo como o julgamento foi conduzido permitem esta certeza.
A ação contra o Estado brasileiro foi movida pelo Cejil, pela organização Tortura Nunca Mais e pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo.
Julgamento
As audiências fazem parte do julgamento em curso contra o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de 70 pessoas, pela impunidade dos crimes cometidos e pelo não esclarecimento da verdade sobre os fatos ocorridos na Guerrilha do Araguaia - resistência guerrilheira existente na região amazônica brasileira entre o final da década de 60 até meados dos anos 70, ao longo do rio Araguaia -, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).
A ação n° 11552, chamada "Caso Gomes Lund e outros", tramitou por 13 anos na Comissão de Direitos Humanos da OEA (CIDH) que, como não obteve uma resposta do governo brasileiro que atendesse à demanda dos familiares dos desaparecidos, o levou ao julgamento da Corte em 2008.
Em seu parecer, a CIDH considerou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de membros do PCdoB e camponeses na Guerrilha do Araguaia.
Os familiares que representam 25 desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia passaram a cobrar na Justiça brasileira a localização e recuperação dos restos mortais a partir de 1982, com o início do processo de redemocratização do país. E, em 1995, sem nenhum resultado no sistema judicial interno, resolveram levar o caso à CIDH.
"Para mim foi muito sofrido ter que buscar justiça para meus companheiros, para meus familiares fora do meu país”, disse Criméia Almeida, sobrevivente do Araguaia e que até hoje busca os corpos do marido André Grabois e do sogro Maurício Grabois, militantes da guerrilha mortos em 1973.
Segundo ela, o mais triste é saber que os familiares dos desaparecidos do Araguaia não são os únicos que não conseguem obter Justiça no Brasil. “Talvez tantos outros brasileiros, não só desaparecidos políticos, mas vítimas de tantos outros desrespeitos aos direitos humanos, não estão conseguindo seus direitos aqui no Brasil e talvez nem tenham condições de buscar os seus direitos fora”.
No mesmo sentido, Suzana Lisboa, ex-integrante Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça (CEMDP), lamentou o fato de se ter “que buscar uma instância no exterior para encaminhar e julgar questões tão básicas”.
Condenação
Laura Petit, irmã da ex-guerrilheira do Araguaia, Mária Lúcia Petit, primeira militante a ter seu corpo identificado – somente dois corpos foram identificados até hoje, o segundo foi Bergson Gurjão Farias -, afirmou ter esperança de que haja uma condenação internacional e que isto represente o fim da impunidade dos torturadores.
"A gente sente a diferença de estar falando para uma Corte que se preocupa com os diretos humanos do que estar falando aqui no Brasil, porque a gente tem repetido essa história da luta dos familiares pela busca dos desaparecidos durante décadas e não se fez nada", relatou Petit.
De acordo com o advogado Belisário dos Santos Júnior, que também participou como testemunha nas audiências realizadas pela Corte, uma condenação do Estado brasileiro pela OEA acarretaria sérias consequências jurídicas.
“Poderia implicar na obrigação de se revogar uma parte da Lei de Anistia. Poderia implicar na atribuição de outras indenizações aos familiares, mais completas. Poderia implicar na obrigação do Estado brasileiro perseguir judicialmente a responsabilidade pelas torturas que foram cometidas naquele período, pelas graves violações dos direitos humanos que foram cometidas”, estima o advogado.
Apesar da importância de uma condenação pela Corte da OEA, Criméia alega que, para que ela seja cumprida, ainda será necessária muita luta por parte dos familiares dos desaparecidos. "Espero que o país seja condenado sim, e sei que ainda vou ter que lutar muito para que essa sentença seja cumprida", disse.
Começam preparativos para Brigada de Luta contra o Terrorismo Midiático
07.07.10 - CUBA
Tatiana Félix *
Fonte: Adital
"Já faz alguns anos que se observa a ofensiva na Internet contra os povos que lutam pela sua liberdade. A web já se transformou em novo cenário de luta, e os primeiros meses deste ano de 2010 puseram em evidência o emprego destas novas tecnologias contra Cuba mediante uma campanha midiática feroz nas quais sobressaem a mentira, a traição e a desonra".
É para tentar reverter esta situação, descrita em convocatória, que o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), convoca a população, veículos de comunicação e demais entidades a participarem da primeira edição da Brigada Mundial de Luta contra o Terrorismo Midiático, que se realizará nas cidades de Holguín e Havana, em Cuba, entre os dias 15 e 28 de novembro deste ano. Para os interessados em participar deste momento, a inscrição deve ser feita até 10 de outubro.
O objetivo do evento é fortalecer a mídia do país e demais setores da sociedade cubana, e também analisar o caso dos Cinco Heróis Cubanos presos nos Estados Unidos, há mais de dez anos, acusados de terrorismo. "Todos os povos tem sofrido o assédio moral midiático. Hoje, o combate é ainda mais amargo. É necessário fazer frente com mente fria e coração ardente, de forma coordenada e com a caneta na mão", afirma o Instituto Cubano.
A programação inclui visitas, intercâmbios e conferências relacionadas com o tema dos meios de comunicação em Cuba, os desafios desta batalha e a projeção de acordos para fortalecer a colaboração entre todos os participantes. Ao todo são seis noites no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella (CIJAM), no município de Caimito, à 45 quilômetros da Cidade de Havana, e 6 noites na província de Holguín, durante a realização do VI Colóquio.
Aproveitando a mobilização, será realizado o VI Colóquio pela Liberdade dos Cinco Heróis Cubanos presos nos Estados Unidos. Este programa prevê um workshop com os meios de comunicação participantes como uma das sessões de trabalho mais importantes.
6 julho 2010 - O governo dos EUA emitiu uma nova norma que converte em delito grave para qualquer jornalista, repórter, blogger, fotógrafo ou cidadão que aproximar-se de qualquer operação de limpeza de óleo, equipamento ou embarcação no Golfo do México. Qualquer pessoa capturada está sujeita a prisão, uma multa de US $ 40.000 e o julgamento por um delito federal.
por Luiz Carlos Azenha (com dicas do Stanley Burburinho e Conceição Oliveira)
Em comum, todos tem um sorriso permanente estampado no rosto. Sorriso plastificado. Nem disfarçam mais, fazendo “cara de conteúdo”. Difícil discernir entre os locutores que fazem televendas, os humoristas do CQC e os telejornalistas encarregados das coberturas esportivas. Eles estão permanentemente de bom humor e tratam o telespectador como um imbecilóide, como a criança que recém migrou do show da Xuxa para a adolescência das coberturas esportivas e que, se tudo der certo, em breve se tornará bovinamente “consumidor de notícias” do Jornal Nacional.
O mais curioso é que os mentores dessa imbecilização generalizada se alimentam de preconceitos antigos para suas “sacadas” modernosas. Nascem daí momentos imperdíveis de nosso telejornalismo, como o que o SporTV produziu sobre o Paraguai, a título de fazer uma graça. Houve, sim, um tímido pedido de desculpas (mas eles continuam pensando a mesma coisa sobre o Paraguai, só lamentam não poder dizer isso em voz alta). É produto genuinamente brasileiro, como a jabuticaba: um tele-entretenimento jornalístico que ganha dinheiro reproduzindo a própria ignorância.
PS: Um leitor do Viomundo me enviou um e-mail dizendo que havia denunciado a SporTV ao jornal paraguaio La Nación, inclusive postando no You Tube o vídeo imbecilizante da emissora. Infelizmente, não consigo localizar a mensagem para dar crédito ao internauta.
PS 2: Com a ajuda da Conceição Oliveira, reconstituí o “ciclo” da denúncia contra a SporTV. Foi o Vinicius Duarte que divulgou primeiro no twitter (ele tem o blog Com Fel e Limão); a partir disso, o blog do Esquerdopata (do Valdir Fiorini) encaminhou a denúncia ao jornal paraguaio ABC Color (uma vez que a Globo bloqueia o conteúdo fora do Brasil, o blog cuidou de subir o vídeo no You Tube). Só depois disso outro jornal paraguaio, o La Nación, publicou.
Com 31 votos a favor e 8 contra, os membros da Assembleia Legislativa da Costa Rica decidiram, na última sexta-feira (2) pela entrada, no país, de 48 navios de guerra e 7 mil militares estadunidenses, que chegarão nos próximos seis meses e permanecerão até dezembro, no oceano Pacífico e Mar do Caribe. De acordo como o Governo costarriquenho, a intenção dos militares é combater o narcotráfico. A entrega da soberania nacional do país causou o descontentamento e o repúdio de diversas organizações populares.
Ciente da gravidade da situação, o legislador da Unidade Social Cristã (PUSC), Luís Fishman, sugeriu a quebra do quórum para não votar a permissão. No entanto, não recebeu o apoio necessário para executar seu plano. Os partidos da Liberação Nacional (PLN), Movimento Libertário (ML) e Renovação Costarriquense (RC) foram os principais responsáveis pela outorga da permissão para a entrada dos militares.
Organizações sociais e políticas da Costa Rica se mostraram descontentes com a decisão da Assembleia e emitiram um comunicado urgente alertando sobre o perigo da entrada das forças militares estadunidenses no país e abrindo os olhos da população para as reais intenções da chefe de Estado Laura Chinchilla.
Com esta ocupação, os EUA inserem a Costa Rica em sua agenda de guerra e transformam este território em um objetivo militar. Além disso, de acordo com o comunicado da Comissão Nacional de Enlace (CNE), com a ação, a Costa Rica adere abertamente ao ‘Plano Colômbia’ e passa a fazer parte dos planos de "agressão e guerra" dos Estados Unidos contra países latino-americanos, como a Venezuela.
"A historieta vendida pelo governo de Laura Chinchilla de que esta avançada militar vem para lutar contra o narcotráfico e que os "marinheiros" vêm para construir escolinhas ninguém crê. Nesta nova fase, a ocupação militar, é uma consequência direta derivada dos compromissos adquiridos no capítulo de segurança no marco do TLC [Tratado de Livre Comércio], assinado por Oscar Arias, que já tinha convertido a Costa Rica num protetorado dos EUA", esclarece o comunicado.
A CNE, desde já, responsabiliza os membros do PLN, ML e RC por quaisquer situações negativas que ocorram durante a permanência dos militares, já que estes "adquirem direitos para fazer o que lhes dá vontade no território nacional sempre que considerem que seja necessário para cumprir ‘sua missão’".
Partidos como Ação Cidadã (PAC), Frente Ampla (FA) e Unidade Social Cristã (PUSC) se opuseram à ocupação militar, justificando que a quantidade de militares estadunidenses é excessiva e desproporcional para o trabalho que ‘supostamente’ será realizado. Este número de material e pessoal militar estadunidense não era vista no país desde 1821, ano em que a Costa Rica conseguiu a independência.
Mediante todas as ações de rechaço, neste domingo (4) o Governo costarriquenho negou que esta medida seja uma tentativa de permitir a militarização do país por parte dos Estados Unidos. Segundo informações da TeleSul, Laura Chinchilla afirmou que o ministro de Segurança daria, nesta segunda-feira (5), mais detalhes sobre o acordo firmado com Washington.
José María Tijerino, ministro de Segurança, adiantou à imprensa que a presença dos militares servirá para reforçar o trabalho que os guarda-costas estadunidenses realizam há 11 anos para combater o narcotráfico. Tijerino esclareceu ainda que o efetivo militar estará sob suas ordens.
A divulgação da Nota Política “Fora qualquer base norte-americana no
Brasil” cumpriu o
importante papel de chamar a atenção para as negociações em curso
entre o Brasil e os
Estados Unidos, no campo militar. Até então, o tema era apenas objeto
de especulações da
imprensa, sem que o governo brasileiro prestasse ao país qualquer
informação a respeito.
Só depois que as notícias vieram à luz do dia é que os porta-vozes do
governo e do PT
passaram a se pronunciar.
Estes porta-vozes não negam as negociações, tampouco a iminente
assinatura do acordo.
Usam a tática de procurar subestimar os entendimentos, para evitar a
mobilização dos
setores antiimperialistas e para preservar Lula e sua candidata, no
único tema a que se
apegam para tentar caracterizar seu governo como de esquerda: a
política externa.
Recorrem a uma discussão semântica sobre o conceito de base militar,
insistindo em que
não se trata de uma base do tipo colombiano e que o acordo não prevê
presença de tropas
norte-americanas em solo brasileiro.
É óbvio que não faz sentido uma base militar clássica dos EUA (com
soldados armados e
fardados) em território brasileiro ou de qualquer outro país da
América do Sul, exceto na
Colômbia, onde a insurgência das FARC é militar, um Exército do Povo,
com milhares de
combatentes e quase 50 anos de resistência.
Nos demais países da região, os EUA não precisam manter soldados de
plantão, mas bases de
inteligência e espionagem. Na grande maioria dos casos, como o do
Brasil, porque as
classes dominantes não contrariam os interesses do imperialismo. Além
do mais, as tropas
norte-americanas já rondam os mares do nosso continente, armadas até
os dentes, numa
imensa base móvel chamada IV Frota, reativada há poucos anos. As
tropas dos EUA podem ser
transportadas rapidamente, como foi no caso do Haiti. A pretexto do
terremoto, em 48
horas os Estados Unidos invadiram o país com mais de 10.000 soldados,
um contingente
maior do que o total das tropas da ONU, vergonhosamente comandadas
pelo Brasil.
Pelo que apuramos com responsabilidade, em consultas a diversas
fontes, inclusive algumas
de nossas relações internacionais, a presença militar norte-americana
no Brasil será uma
importante base de inteligência e espionagem, como algumas que já
existem no Paraguai
(para parte do Cone Sul), no Peru (para a região andina) e em El
Salvador (para a América
Central). São bases que abrigam centenas de militares
norte-americanos em roupa civil e
agentes da CIA, que têm como suas principais missões a escuta
telefônica e o controle de
toda a comunicação via Internet nas regiões de sua jurisdição.
O Pentágono, hoje em dia, privilegia este tipo de bases como um novo
sistema de controle
militar regional. Chamam-nas de FOL (Forward Operation Location),
centros de “mobilidade
estratégica” para guerras-relâmpago, usando tropas aerotransportadas
de rápida
mobilização.
Há indícios de que a base de inteligência pode ser instalada próximo
ao Rio de Janeiro,
para criar um triângulo de espionagem envolvendo bases similares em
Portugal e na
Flórida. Há indícios também de que o poderoso ministro da Defesa de
Lula, Nelson Jobim,
já estaria em Washington para acertar os detalhes finais e
possivelmente assinar o
acordo. Interessante notar que o assunto está sendo tratado pelos
Ministérios da Defesa
dos dois países, e não pelos de Relações Exteriores.
Só o Presidente Lula é quem pode hoje impedir a assinatura deste
absurdo acordo. Caso ele
assine, restará uma luta para que o Congresso Nacional não o
homologue. Só a pressão da
opinião pública poderá revogar o acordo.
Resta-nos aguardar alguns dias para que o quadro fique mais claro,
mas sem deixar de nos
mobilizarmos através da mais ampla denúncia dos entendimentos em
curso.
Há tempos a Argentina vem lutando contra a mineração poluente, a mineração química prejudicial para o ambiente. Conciencia Solidaria é uma organização interprovincial Argentina sem fins lucrativos que vem dizendo NÃO à poluição da mineração em várias províncias do país.
No dia 24 de junho passado, a ONG Conciencia Solidaria saiu em defesa da lei de mineração 9526 que, precisamente, proíbe que se explore qualquer tipo de minerais metálicos a céu aberto, já que tanto a extração de tório e urânio como o uso de produtos químicos tóxicos com fins extrativos são altamente poluentes. Com o apoio da presidente e representante da ONG na cidade de Córdoba, Conciencia Solidaria pode fazer uma apresentação para o Superior Tribunal de Justiça. A lei abrange o território da província de Córdoba, Argentina, contra a predação da mineração nuclear e da mineração em grande escala. Como sabemos, a poluição é um dos principais flagelos dos quais é vítima nosso meio ambiente em todos os países do mundo.
A província de Córdoba é uma das sete províncias do país que possuem essa lei que proíbe a megamineração, e luta-se para que a lei se cumpra estritamente e para que se estenda a todas as províncias da Argentina. Dizer Não à mineração poluente é dizer Sim ao meio ambiente e à preservação da água.
Conciencia Solidaria, em sua campanha intitulada "Mineração poluente. Você sabe o que é?", lançou um vídeo explicando os efeitos prejudiciais causados pela poluição da mineração. Deste vídeo participaram diretores, técnicos e conhecidos atores argentinos como Georgina Barbarossa, Julieta Díaz, Taibo Raul, Juan Palomino, Leonor Manso, Nicholas e Gaston Pauls e Silvia Perez, entre outros. Todos se solidarizaram com a causa de forma voluntária com o objetivo de fazer circular livremente este vídeo para conscientizar a população da problemática meio-ambiental e recolher assinaturas para o "Não à poluição da mineração".
Poesia: Canção das Américas
Canção das Américas
Um dia
me descobri a perambular
na amplidão do Novo Mundo,
por um Novo Mundo
que já não era meu.
Outros donos tinham suas terras,
suas minas e seus mares.
Desse Novo Mundo
meu era tão somente
o silêncio de verdes paisagens,
os murmúrios do vento primaveril
soprando longínquas histórias...
Misturado à brisa
longe, muito longe
rompia o véu de silêncio
tropel dos heróis nativos
galopando estradas,
palmilhando secretas trilhas
varando perigosos pântanos.
Perambulando
a imensidão do Novo Mundo
veloz
vi Zapata escalando montanhas
em seu cavalo negro
ao encontro de Pancho Vila
distribuindo terras
aos campônios mexicanos.
Perambulando
a imensidão da América
o Cavaleiro da Esperança
incendiava os sertões do Brasil
com a chama libertária.
Suaves brisas trazem
lancinantes gritos de escravos
agrilhoados em negros navios.
Sob pálida luz do luar
Zumbi rugia heróico
a cinqüentenária resistência
dos Palmares.
André Borges
Ex-menina de rua de SP estuda Medicina em Cuba
Graças a alguns “papa-hóstias”, como costumo chamar meus amigos da igreja, fiquei sabendo da história dela durante um agradável almoço na Feijoada da Lana, na Vila Madalena, a melhor da cidade. Repórter vive disso: tem que andar por aí, conversar com todo mundo para descobrir as novidades, ficar sabendo de personagens cuja vida vale a pena ser contada.
É este o caso da jovem Gisele Antunes Rodrigues, de 23 anos, ex-menina de rua de São Paulo, nascida em Ribeirão Pires, que deu a volta por cima e hoje está no terceiro ano de Medicina. Detalhe: ela estuda no Instituto Superior de Ciências Médicas de La Habana, em Cuba, onde estão matriculados outros 275 brasileiros.
Gisele veio passar as férias no Brasil e, na próxima semana, volta a Cuba. Como ela foi parar lá? Ninguém melhor do que a própria Gisele, que escreve muito bem, para nos contar como é a vida lá e como foi esta sua incrível travessia das ruas de São Paulo até cursar uma faculdade de Medicina em outro país.
A meu pedido, Gisele enviou seu depoimento nesta sexta-feira e eu pedi autorização para poder reproduzí-lo aqui no Balaio. Tenho certeza de que esta comovente história com final feliz pode servir de estímulo e inspiração a outros jovens que vivem em dificuldades.
Para: Ricardo Kotscho
Olá!!!
Autorizo o senhor a publicar essa história. Caso deseje, pode corrigir os erros. Mas, por favor, sem sensacionalismo. Tente seguir mais o menos o texto abaixo. Desculpa por escrever isso, mas eu já tive problemas.
Gosto do seu blog, vou tentar acessar nele em Cuba.
Abraços
Gisele Antunes
***
Só mais uma brasileira
Saí de casa com 9 anos de idade porque minha mãe espancava eu e meu irmão. Não tínhamos comida, o básico para sobreviver. Meu pai nunca foi presente. É um alcoólatra que só vi duas vezes na vida. Minha mãe é uma mulher honesta, mas que não conseguia educar seus filhos. Já foi constatado que ela tem problemas mentais.
Ela trabalhava como cigana na Praça da República. Quando eu fugi de casa segui esse caminho, e encontrei uma grande quantidade de meninos e meninas de rua. Apresentei-me a um deles, este me ensinou como chegar em um albergue para jovens, e a partir desse momento passei a ser menina de rua. Só comparecia nessa instituição para comer, tomar banho e ter um pouco de infância (brincar). No meu quinto dia na rua, comecei a cheirar cola e depois maconha.
Alguns educadores preocupados com a minha situação tentavam me orientar, mas de nada valia. Foi quando me apresentaram a uma religiosa, a irmã Ana Maria, que me encaminhou para um abrigo, o Sol e Vida. Passei uns três anos lá e deixei de usar dogras. Esta instituição não era financiada pelo governo. Quando foi fechada, me encaminharam a outros abrigos da prefeitura, entre eles o Instituto Dom Bosco, do Bom Retiro. E assim foi, até os 17 anos.
Para alguém que usa droga, não era fácil seguir regras. Foi por muita persistência e um ótimo trabalho de vários educadores que eu consegui deixar a drogas, sair da desnutrição e recuperar a saúde após anemia grave.
Na infância, era rebelde, não queria aceitar a minha situação. Apenas queria ter uma família. Mas havia algo que eu valorizava _ a escola e os cursos que eu fazia na adolescência. Aos 14 anos de idade, comecei a jogar futebol, tive a minha primeira remuneração. Aos 16 anos, entrei em uma empresa, a Ericsson, que capacitava jovens dos abrigos para o mercado de trabalho. Essa empresa financiou meu curso de auxiliar de enfermagem e o inicio do técnico. O último não foi possível concluir.
Explico: existe uma lei nas instituições públicas segunda a qual o jovem a partir dos 17 anos e 11 meses não é mais sustentado pelo governo, tem que se manter sozinho. Como eu não tinha contato com a minha família, quando se aproximou a data de completar essa idade, entrei em desespero.
A sorte foi que a entidade, o Instituto Dom Bosco Bom Retiro, criou um projeto denominado Aquece Horizonte. Este projeto é uma república para jovens que, ao sair do abrigo, podem ficar lá até os 21 anos. Os coordenadores e patrocinadores acompanham o desenvolvimento do jovem neste período de amadurecimento.
As regras mais básicas da república são: trabalhar, estudar e querer vencer na vida. No segundo ano de república, eu desejava entrar na universidade, mas sabia que não tinha condições de pagar a faculdade de enfermagem ou conseguir passar na universidade pública.
Optei então por fazer a faculdade de pedagogia. É uma área que me encanta, e a única que podia pagar. No primeiro semestre da faculdade de pedagogia, um educador do abrigo, o Ivandro, me chamou pra uma conversa e me informou sobre um processo seletivo para estudar medicina em Cuba. Fiquei contente e aceitei participar da seleção.
Passei pelo processo seletivo no consulado cubano e estou desde 2007 em Cuba. Dou inicio ao terceiro ano de medicina no dia 06 de setembro de 2010. São 7 anos no país, sendo 6 de medicina e um de pré-médico.
Ir a Cuba foi minha maior conquista. Além de aprender sobre a medicina, aprendo sobre a vida, a importância dos valores. Antes de ir, sempre lia reportagens negativas sobre o país, mas quando cheguei lá, não foi isso que vi. Em Cuba, todos têm direito a educação, saúde, cultura, lazer e o básico pra sobreviver.
Li em muitas revistas que o Fidel Castro é um ditador, e descobri em Cuba, que ele é amado e idolatrado pelos cubanos. Escrevem que Cuba é o país da miséria. Mas de que tipo de miséria eles falam? Interpreto como miséria o que passei na infância. Em casa, não tinha água encanada, luz, comida.
Recordo que tinha dias em que eu, meu irmão e minha mãe não conseguíamos nos levantar da cama devido a fraqueza por falta de alimento. Tomávamos água doce pra esquecer a fome. Então, quando abro uma revista publicada no Brasil e nela está escrito que Cuba é um país miserável, eu me pergunto: se em Cuba, onde todos têm os direitos a saúde, educação, moradia, lazer e alimento, como podemos denominar o Brasil?
Temos um país com riqueza imensa, que conquistou o 8º lugar no ranking dos países mais ricos, mas sua riqueza se concentra nas mãos de poucos, com uns 60 % da população vivendo em uma miséria verdadeira, pior que a miséria da minha infância.
Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos estados Unidos por ser um país socialista e é criticado por outros governos. No entanto, consegue dar bolsa para mais de 15 mil estrangeiros de vários países, se destaca na área da saúde (gratuita), educação (colegial, médio, técnico e superior gratuito para todos) e esporte (2º lugar no quadro de medalhas, na historia dos Jogos Panamericanos), é livre de analfabetismo.
A cada mil nascidos vivos morrem menos de 4. Vivenciando tudo isso, eu queria também que o Brasil fosse miserável como Cuba, como é escrito em varias revistas. Acho que o brasileiro estaria melhor e não seria tão comum encontrar tantos jovens sem educação, matando, roubando e se drogando nas ruas.
Vou passar mais quatro anos em Cuba e não quero deixar o curso por nada. Desejo concluir a faculdade e ajudar esse povo carente que sonha com melhoras na área da saúde, quero ajudar outros jovens a realizar os seus sonhos , como me ajudaram. Também pretendo apoiar meu irmão, que deseja estudar direito.
Tenho meu irmão como exemplo de superação. Saiu de casa com 13 anos de idade, mas não foi para uma instituição governamental. Morou em um cômodo que seu patrão lhe ofereceu. Enquanto eu estudava e fazia cursos, ele estava trabalhando para ter o pão de cada dia. Hoje, ele é um homem com 25 anos de idade, casado e tem uma filha linda, e mesmo assim encontra tempo pra me apoiar e me dar conselhos.
Foi muito bom visitar o Brasil. Depois de longos 13 anos tive um tipo de comunicação com a minha mãe. Isso pra mim é uma vitoria. Quero estar próxima dela quando voltar.
Conto um pouco da minha história, mas sei que muitos brasileiros ultrapassaram barreiras piores, até realizarem seus sonhos. Peço ao povo brasileiro que continue lutando. É período de eleições, peço também que todos votem com consciência, escolha a pessoa adequada pra administrar o nosso país tão injusto.
Gisele Antunes Rodrigues
Ser culto é o único modo de ser livre (José Martí)
*Matéria originalmente publicada no Balaio do Kotscho
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ex-menina-de-rua-de-sp-estuda-m...
Modesto da Silveira entrevista militares cassados
Modesto da Silveira entrevista militares cassados no “Pulando a Cerca”
O Programa Pulando a Cerca, ancorado por Daniel Chutorianscy, terá um convidado muito especial na próxima sexta, 3: o advogado Modesto da Silveira, recordista na defesa de civis e militares punidos durante o regime militar (64-85). Ele participará da entrevista com os capitães de Marinha e integrantes da direção da Associação Democrática e Nacionalista de Militares (Adnam), Fernando de Santa Rosa e Luiz Carlos Souza Moreira.
Os dois militares foram presos no dia 6 de abril de 1964, cassados e excluídos dos quadros pelo primeiro ato institucional da junta militar golpista, mas, ao contrário dos torturadores, eles continuam sem anistia. O programa será transmitido às 10h30, ao vivo, na Unitevê, o canal universitário de Niterói e São Gonçalo (17 NET), e terá 45 minutos de duração.
Quem não mora em Niterói e São Gonçalo ou não possui TV a Cabo poderá acompanhar pela internet. Basta acessar www.uniteve.uff.br
Fonte: Agência Petroleira de Notícias
QUIEN NO HÁ VISTO?
por Carlos Pronzato
Quien no há visto
Al Che
Anunciar la última batalla
En Santa Clara?
Quien no há visto
A Fidel
Llevar la buena nueva
A La Havana?
Quien no há visto
Al pueblo
Descendiendo la Sierra
Cargando el nombre
De la independencia?
Quien no há visto
A Marti
El dia glorioso
De la Revolución
Caminando junto al pueblo
Por el malecón?
Y quien no há visto
Ese viento
Esa brisa
que circula
Y que perdura
cuando alguien
En el mundo
Se refiere a Cuba?
Governo argentino acusa jornais de apropriação ilegal
A presidente Cristina Fernández de Kirchner apresentou, na noite desta terça, um relatório de mais de 20 mil páginas acusando os donos dos principais jornais do país de envolvimento em crimes cometidos durante a ditadura. No relatório, intitulado “Papel Prensa, a Verdade”, o governo denuncia os proprietários dos jornais La Nación, Clarín e do extinto La Razón de terem se apropriado ilegalmente e mediante ameaças da maior empresa fornecedor de papel jornal do país na época da ditadura, a Papel Prensa, em novembro de 1976.
Página/12
O governo argentino denunciou, na noite desta terça-feira (24), a apropriação ilegal da empresa “Papel Prensa” (maior empresa fornecedora de papel jornal do país) por parte dos jornais Clarín, La Nación e La Razón.
A presidente Cristina Fernández de Kirchner, acompanhada de todo o seu gabinete, dos presidentes de ambas as câmaras, funcionários, dirigentes políticos empresários e de representantes de organizações sociais recebeu o informe elaborado pela Comissão Oficial formada especialmente para investigar a transferência das ações da empresa do Grupo Graiver (antigo proprietário de Papel Prensa) aos proprietários dos jornais Clarín, La Nación e La Razón. Essas empresas (durante a ditadura) “necessitavam das ações classe A para assumir o controle da empresa”, fato comunicado naquela época, nos três jornais, por meio de uma nota afirmando que “tomavam o controle da empresa conforme acordo prévio com a Junta de Comandantes” da ditadura.
Cristina Fernández de Kirchner afirmou que “no caso do Clarín ocorreu a coincidência entre quem fabrica o papel e quem controla a palavra impressa”. Ela denunciou as condições políticas nas quais a transferência das ações se deu, num país em que só existia a “liberdade ambulatória”. Denunciou também que, anos depois, por causa da falência do La Razón, os jornais controladores da empresa “acordaram um pacto de sindicalização de ações”, para controlar as decisões da companhia.
Assegurou, além disso, que a viúva de David Graiver, Lidia Papaleo, foi detida cinco dias depois de ter assinado a transferência das ações da empresa do marido, para evitar que a empresa caísse na interdição dos bens da família ordenada pela Junta militar. Por último, afirmou que “apesar de que estou convencida de como as coisas aconteceram, o Procurador do Tesouro fará a denúncia correspondente para que a Justiça determine as condições nas quais se realizou a transferência das ações da empresa” e antecipou que enviará ao Congresso um projeto de lei para “declarar de interesse público a produção de pasta de celulose e do papel jornal, bem como sua distribuição e comercialização, e para estabelecer o marco regulatório deste insumo básico, que garanta um tratamento igualitário para todos os jornais da República.”
Integrante da Comissão, Alberto González Arzac afirmou que “o informe constitui uma refutação definitiva das versões sobre a história da empresa Papel Prensa S/A que os jornais Clarín e La Nación publicaram em suas edições de 2 de março e de 4 de abril deste ano.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16901)
XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA DE HAVANA
Por André Borges
A cidade de Havana – pérola das Antilhas – mais uma vez foi palco do XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA. Ao evento, ocorrido entre os dias 24 e 30 de maio, compareceram poetas de várias partes do mundo, especialmente da América Latina. O referido Festival foi uma homenagem ao Bicentenário do Início da Luta pela Primeira Independência da América e também ao Centenário de JOSÉ LEZAMA LIMA e MIGUEL HERNÁNSDEZ.
O Festival teve sua recepção inicial na sede da União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC),quando a Comissão Organizadora do evento saudou
os poetas e demais convidados presentes, ocasião em que diversos poetas se pronunciaram sobre a importância do Festival e da felicidade de estarem ali com poetas do mundo inteiro. Em seguida ônibus conduziram a delegação internacional de poetas ao Museu Che Guevara, sua antiga residência. Além da saudosa visita ao lugar em que viveu Guevara, aconteceu a cerimônia do plantio de várias árvores, simbolizando a integração do Continente Americano.
Sempre levada por ônibus especiais, a caravana de poetas foi a uma noite de músicas e vinhos na Sociedade Cultural José Marti, quando uma diva cubana deliciou todos os poetas com o seu mavioso canto. Comovente era o espírito de confraternização e solidariedade do povo cubano para com os visitantes que materializavam a necessária e libertária integração continental com que tanto sonharam os líderes, Bolívar,Guevara, Tiradentes e José Marti que assim se expressou: A América há de promover tudo o que una nossos povos e há de abominar tudo o que os separe.
Do palco do Teatro do Museu Nacional de Belas Artes foi enviada uma mensagem poética aos povos do mundo com poemas declamados na mais simbólica solenidade, que premiou os poetas integrantes da Rede Mundial de Poetas em Defesa da Humanidade, presidida por Tarek William Saab.
O poeta brasileiro que participou do XV Festival de Poesia de Havana, André Borges, entre outros poemas que apresentou no Festival, declamou o seu poema CHE GUEVARA.
Venezuela: Bolsa Pública de Valores
CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promulgou na terça-feira uma nova lei para o mercado financeiro, que proíbe as Bolsas de comercializarem títulos da dívida pública.
Essa atividade, além de operações de renda fixa e variável, será assumida pela nova Bolsa Pública de Valores, a ser lançada nas próximas semanas, segundo Chávez. O presidente disse a uma TV estatal que a nova lei irá contribuir para livrar o país da "podridão do capitalismo".
Analistas ouvidos pela Reuters disseram no mês passado que a regra restringiria as Bolsas e corretoras ao quase inexistente mercado da dívida privada, o que pode levar ao "fechamento técnico" das quase 90 corretoras de valores venezuelanas.
Até agora, as Bolsas e corretoras podiam operar a compra e venda dos títulos da dívida pública, com os quais investidores podem obter dólares de maneira legal, em meio ao rígido controle cambial vigente desde 2003.
O governo diz que empresas privadas que enriqueceram com as enormes emissões de dívida pública dos últimos anos incorreram em crimes de lavagem de dinheiro e conspiraram para desestabilizar a "revolução socialista" de Chávez.
Cerca de 30 Bolsas e corretoras sofreram intervenções e dezenas de executivos foram presos durante o governo de Chávez.
A nova lei se soma a várias outras restrições prévias, como a que vetava a participação de intermediários num novo mecanismo do Banco Central que usa cotações dos títulos soberanos e dos papéis da estatal petroleira PDVSA para gerar um terceiro tipo de câmbio oficial.
Colômbia: acordo militar com os EUA é inconstitucional
Corte Constitucional colombiana divulgou esta semana o resultado da sentença sobre a inconstitucionalidade do acordo militar que permitia aos Estados Unidos operar em sete bases colombianas, desde 30 de outubro de 2009. O acordo, que já se encontra sem efeito desde o dia 17 de agosto, precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para que seja afirmada ou negada sua validade. Na avaliação da Corte, acordo "afeta de maneira evidente a soberania nacional".
Natasha Pitts *
Conforme previsto, a Corte Constitucional colombiana divulgou terça-feira (17) o resultado da sentença sobre a inconstitucionalidade do acordo militar que permitia aos Estados Unidos operar em sete bases colombianas, desde 30 de outubro de 2009. O acordo, que já se encontra sem efeito deste ontem, precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para que seja afirmada ou negada sua validade.
No início de outubro de 2009, o Conselho de Estado já havia alertado o governo colombiano para a necessidade de que o ‘Acordo Complementar para a Cooperação e Assistência Técnica em Defesa e Segurança’ fosse renegociado, já que afetava de maneira evidente a soberania nacional. Além disso, emitiu um conceito em que recomendou que os trâmites fossem resolvidos junto ao Congresso da República.
Mesmo com todas as orientações e recomendações e ignorando o Conselho de Estado, o governo de Álvaro Uribe passou por cima da Constituição colombiana e firmou o contrato com o governo estadunidense, dando o aval para a entrada de cerca de 800 militares, 600 civis, além de navios e aviões do exército dos EUA.
"Desta forma se comprova que sim, tinham fundamento os questionamentos que amplos setores democráticos da população colombiana e estadunidense vinham fazendo sobre o acordo militar e sobre a forma mansa com que o governo de Uribe, com seu então ministro de Defesa hoje presidente, Juan Manuel Santos, pretendia renunciar à soberania nacional", reflete a Coalizão Colômbia Não Bases, que nasceu para combater a instalação de bases militares no território colombiano.
Pela junção de todas as ilegalidades, a presidente da Corte Constitucional, Mauricio González, declarou que o acordo é contrário às praxes constitucionais e por não ter sido avalizado pelo Congresso não pode surtir efeitos na ordem jurídica interna do país até que seja sanada a exigência. Conforme acrescentou a Coalizão Colômbia Não Bases em notícia publicada ontem, como o acordo já vinha sendo executado "deverão ser retiradas as tropas e equipes estrangeiras das bases militares colombianas".
O acordo foi devolvido ao presidente Juan Manuel Santos e a partir da data da liberação da sentença o governo terá um ano para retificá-lo e para que o mesmo tramite junto ao Congresso. No caso de ser enviado e aprovado pelo Congresso, de maioria oficialista, deverá ser submetido a um novo exame do tribunal.
Ciente do resultado da sentença, o governo nacional, por meio do ministro de Defesa, Rodrigo Rivera, anunciou que acata a sentença e "estudará detalhadamente dita decisão à luz das normas do direito internacional, dos acordos vigentes e das demais normas aplicáveis".
Segundo informações da agência AFP, durante pronunciamento, o governo nacional deixou claro que a decisão da Corte "não afeta os acordos previamente subscritos e vigentes com os Estados Unidos", os quais "se vêm cumprindo e seguirão sendo cumpridos de boa fé".
Após a liberação da sentença, o advogado Luis Guillermo Pérez, do Coletivo jurídico José Alvear Restrepo Cajar, ONG que havia pedido por própria conta a declaração de inconstitucionalidade, reforçou a postura de que os colombianos precisam "resolver o conflito por seus próprios meios". O advogado também relembrou que a ocupação estadunidense no país nunca havia sido analisada de modo adequado e criticou o fato de a população ignorar o que os militares faziam na região.
(*) Jornalista da Adital
Ao querido povo paraguaio
Ao querido povo paraguaio.
Ainda no avião, na rápida viagem entre São Paulo e
Assunção lembrava todo o tempo de incluir em minha saudação neste
Encontro, em terras Guarany, meus pedidos de desculpas ao povo
paraguaio. Certamente esse ato terá pouco valor, pois falo somente em
meu nome e não da nação brasileira, de seus mandatários, quem de fato
deveria pedir desculpas ao povo e a nação paraguaia por uma série de
injustiça que cometemos contra esse povo irmão.
Mas me sinto com a obrigação ética de dirigir essas
palavras ao povo paraguaio. Hoje mais do que ontem.
Meus pedidos de desculpas.
Peço desculpas ao Paraguai pelos crimes bárbaros
cometidos pelo Exército Brasileiro na chamada “Guerra do Paraguai”, no
século XIX. Poderíamos chamar da “Chacina de Assunção”, quando o
Exército Brasileiro cercou e incendiou os campos ao redor de Assunção,
onde crianças e mulheres se refugiavam da invasão brasileira a cidade.
Foram cerca de três mil crianças e mulheres mortas no fogo ateado pelo
Brasil, a serviço dos interesses britânicos. Injustificável a Guerra,
imperdoável os crimes. Os sentimentos de dor pelos paraguaios, nossos
irmãos, mortos naquele horrendo episódio se misturam à vergonha do
nosso exército assassino. A reparação histórica daqueles crimes o
Brasil ainda é devedor. Certamente um dia pagaremos essa conta, com a
integração solidária entre nossos povos. Conviveremos irmanados com a
dor e a vergonha do nosso passado, porém jamais com o esquecimento.
Peço desculpas ao Paraguai e ao seu povo trabalhador
pelo preconceito proclamado e difundido por uma elite social
brasileira, ignorante e racista, que associa Paraguai e paraguaios à
falsidade e falsificação, desconhecendo sua história de luta e seus
esforços para constituir um lugar digno e honrado para se viver. As
mentes colonizadas no Brasil refletem o que a grande mídia racista
preconiza. O episódio deplorável dos comentaristas da Rede Globo em
seu canal esportivo a cabo (Sportv), quando da cobertura, na copa do
mundo, da partida Paraguai X Espanha é repassado aos ignorantes, de
mentes colonizadas que se espalham em nosso país, atingindo inclusive
as universidades, transformando em reprodutores desse preconceito
racial, de traços fascistas, os que deveriam combatê-los. Parte de
nossos educadores apenas reproduzem esse estereótipo idiota. À Rede
Globo nosso mais ferrenho repúdio, com a solidariedade de vários
setores da sociedade brasileira, inclusive de setores governamentais.
Aos educadores, mentes colonizadas, nosso convite para conhecer a
história e a força desse povo Guarany, raiz profunda de Nuestra
América.
Irmãos paraguaios aceitem minhas desculpas. É importante
compreendermos que o preconceito e o racismo são inerentes às
sociedades de classes. Há preconceito “interno” no Brasil, entre
brasileiros. Sofremos o mesmo tipo de preconceito, talvez em menor
escala, difundido e praticado por racistas/fascistas contra pobres,
negros, índios e contra nós nordestinos. É a conseqüência de uma
sociedade desigual, fruto do sistema capitalista em que estamos
inseridos. Lutar contra esses preconceitos raciais necessariamente nos
faz lutar contra o sistema e vice versa.
Peço desculpas pelo crime ambiental que o tão
propalado “agronegócio brasileiro” comete contra o “Aqüífero Guarany”
em terras brasileiras e paraguaias. Certamente um dos maiores
patrimônio natural das terras americanas. São toneladas de produtos
químicos (venenos), lançados diariamente por aviões nas terras que
cobrem o aqüífero e que, com as chuvas o recarregam envenenado. Tudo
em função do lucro. Esse quadro deplorável é exaltado ao máximo pela
mídia e pelos defensores de um “desenvolvimentismo” a todo custo.
Peço desculpas pela vil forma de açambarcarmos a
energia de Itaipu, essa gigante bi-nacional, construída por ditadores
e que hoje necessariamente deve reestruturar-se em seu processo de
distribuição de energia elétrica, para que se faça justiça ao
Paraguai.
Meus agradecimentos.
Agradeço a forma carinhosa e calorosa que fomos
recebidos nesse país. Caminhei hoje cedinho por algumas ruas de
Assunção, me dirigi às pessoas que encontrei nas ruas, no meu
“Paraibol” desastrado. Os cumprimentei e fui correspondido. Como
sempre na América Latina, encontrei um povo amável, amigo, simples,
humilde. Sinto-me entre irmãos e irmãs. Na minha casa. Apenas um
pouco mais fria do que de costume. Recordo-me e me emociono com as
lembranças dos jesuitas em suas missões por aqui, encantados com a
sabedoria Guarany e a edificação da experiência mais fantástica da
vida comunitária estruturada em nossas terras, ao redor do Rio
Paraguai, destruida pela cúpula católica e a Coroa Espanhola - Quanta
estupidez. É preciso refazer tudo. Recomeçar mais uma vez.
Não sai da minha mente e canto em silêncio os primeiros versos da
Internacional. De pé ó vítimas da fome, de pé famélicos da terra...
Muito obrigado pelo convite. Espero colaborar, de alguma forma, para
reforçar a compreensão do que é a América Latina hoje e contribuir
para a sua integração de forma livre e solidária.
Como 95% dos paraguaios falam o Guarany, tento uma saudação nesse
idioma, que procurei aprender de ontem para cá.: Yopará (tudo bem)!
Abraço Amigo
Jonas Duarte.
Aumenta desemprego e informalidade bate recorde no México
Em junho deste ano, cerca de 12,8 milhões de pessoas, o que equivale a 28,8% do total da população ocupada, estava trabalhando na economia informal no México. Desemprego, por sua vez, atinge 2,5 milhões de pessoas, quantidade que supera em 30% os 1,9 milhões que não tinham trabalho quando estourou a crise financeira, em fins de 2008. Além do trabalho informal, aumenta também o índice de empregos provisórios e precários.
Susana González G. - La Jornada
Pelo segundo trimestre consecutivo foi batido o recorde de mexicanos que trabalham na economia informal. Esse número chegou, em junho, a 12, 8 milhões de pessoas, o que equivale a 28,8% do total da população ocupada, informou sexta-feira (13) o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi).
A cifra corresponde ao período abril-junho de 2010 e é a mais alta dos últimos seis anos, desde que o Instituto realiza trimestralmente a Pesquisa Nacional de Ocupação e Emprego (ENOE). Se se compara com os resultados do mesmo trimestre do ano passado, a população ocupada no setor informal aumentou em 660 mil pessoas.
Apesar da crise econômica, a população ocupada na economia informal não superou, em 2008, nem em 2009 a cifra de 28, 4% registrado em fins de 2005. É neste ano, quando as autoridades falam em recuperação da economia nacional, que os mexicanos que trabalham no setor somaram 28,6% no primeiro trimestre e depois 28,8% no segundo.
Uma cifra histórica. Se se leva em conta que o dito lapso da população total do país aumentou em 849 mil pessoas, pode se afirmar que o crescimento da informalidade representa 77,8% desse número, questão que já torna evidente que parte do motor da geração de emprego não está nas políticas do estado, mas na válvula de escape que a informalidade representa, apontou José Luis de la Cruz Gallegos, diretor do Centro de Investigação em Economia e Negócios dol Tecnológico de Monterrey.
E quanto ao desemprego, no meio do ano no México se chegou a 2,5 milhões de pessoas, quantidade que supera em 30% os 1,9 milhões que não tinham trabalho quando estourou a crise financeira, em fins de 2008. Quer dizer, na metade deste ano se contabilizaram 563 mil e 329 desocupados a mais do que havia antes da crise. Quase os mesmos que o governo do presidente Felipe Calderón assegura que foram criados no setor formal durante o primeiro semestre de 2010.
As estatísticas do Inergi demonstram que a taxa de desemprego se manteve em 5,3% nos últimos três trimestres. Há um ano era de 5,2%, de modo que, comparado com o período abril-junho de 2010, implica que há mais 121 mil desocupados.
As cifras de desemprego se mantém muito acima do que o crescimento econômico deveria implicar. Com uma taxa de desocupação de 5,3%, 2010 reflete uma realidade do mercado de trabalho muito distante das perspectivas que as autoridades econômicas do país têm apresentado, disse De la Cruz Gallegos.
A ENOE destaca que a população ocupada também aumentou em 1,3 milhões de pessoas, para somar 44,6 milhões, mas explica que a população economicamente ativa (PEA) cresceu em 1,4 milhões, devido ao crescimento populacional, já que as pessoas que desistiram de buscar trabalho no trimestre pesquisado mudou as expectativas sobre a possibilidade de encontrá-lo.
Assim, os empregos criados durante o último ano não foram suficientes para cobrir o crescimento da PEA e tampouco foram de qualidade, considerou o Grupo Financeiro Banamex.
A pesquisa trimestral detalha o tipo e a qualidade de empregos que predominam no país: às já mencionadas 12,8 milhões de pessoas que trabalham no setor informal se somam 13,7 milhões que carecem de previdência social e um número similar que não tem contratos de trabalho assinado, 10 milhões de trabalhadores independentes, 4 milhões de subempregados e 3 milhões que não têm renda.
Os indicadores da ENOE produzem uma leitura conjunta negativa sobre a qualidade do emprego: aumentam as taxas de ocupação provisória e a informalidade. O emprego gerado segue concentrado nos estratos salariais mais baixos e inclusive se destróem empregos nos estratos altos, observou o Banamex Citigroup.
De cada dez empregos criados nos últimos 12 meses, sete estão no comércio, dois no campo e só um na indústria. Em todos os casos, os micronegógicios e os pequenos estabelecimentos geraram mais postos de trabalho, enquanto os grandes diminuíram o pessoal. O Inegi considera 13 atividades econômicas distintas, das quais 5 apresentaram aumento no desemprego. Em primeiro lugar ficou a indústria extrativa e elétrica, seguida do setor de transporte a da construção.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: CartaMaior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16881)
Atentado em Bogotá ameaça política de distensão
Por que as FARC, que recentemente voltaram a apresentar proposta de pacificação, buscando romper seu isolamento, iriam golpear veículos de comunicação? Não seria surpreendente se algum grupo paramilitar de ultra-direita, servindo a estratégias de confronto, tivesse se encarregado do atentado sob investigação, cuidando para que a autoria fosse imputada à guerrilha. Tal cenário seria útil para debilitar o presidente Santos, questionar seu relacionamento com a Venezuela e fortalecer os círculos mais vinculados ao enorme aparato de guerra construído por Uribe. O artigo é de Breno Altman.
Breno Altman - Opera Mundi
A bomba que, na manhã dessa quinta-feira (12/8), explodiu perto dos escritórios da Rádio Caracol e da Agência Efe, na capital colombiana, pode afetar o presidente recém-empossado, Juan Manuel Santos. O discurso moderado do novo mandatário está submetido à primeira onda de pressão, para regozijo de seu antecessor, Álvaro Uribe.
A primeira reação de Santos, mesmo sem indicar concretamente qual grupo teria sido responsável, foi definir o atentado como “terrorista”. Agiu com rapidez e determinação, aparentemente preocupado em não perder espaço para os setores extremistas do bloco conservador que o sustenta. Evidente seu desgosto com as consequências políticas da explosão em Bogotá.
Ainda que o dedo acusatório esteja apontado, por ora subliminarmente, para as FARC ou o ELN, é questionável se essas organizações insurgentes teriam interesse em ataque dessa natureza, incomum no seu modo de operação. São raros os registros, especialmente nos últimos anos, de incursões guerrilheiras nas grandes cidades, ainda mais com o uso de carros-bomba.
Por que as FARC, que recentemente voltaram a apresentar proposta de pacificação, buscando romper seu isolamento, iriam golpear veículos de comunicação? A loucura política, é verdade, eventualmente as levaria à lógica do recrudescimento da violência com o objetivo de forçar alguma negociação. O clima de conciliação entre Santos e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, poderia até ter agravado percepção de fraqueza, induzindo a gestos desesperados de sobrevivência. Mas essa não é a única hipótese razoável para o atentado.
Explosivos corresponderam, nas últimas décadas, ao padrão de atuação dos cartéis da cocaína, cujas ofensivas de terror tiveram como alvo os centros urbanos, escolhidos como espaço visível para atos de vingança e batalhas entre máfias. Os grupos paramilitares, de ultra-direita, sabidamente forneciam mão de obra para essas atividades, em troca de régio financiamento.
Não seria surpreendente se alguma dessas patotas, servindo a estratégias de confronto, tivesse se encarregado da operação terrorista sob investigação, cuidando para que a autoria fosse imputada à guerrilha. Tal cenário seria útil para debilitar o presidente Santos, questionar seu relacionamento com a Venezuela e fortalecer os círculos mais vinculados ao enorme aparato de guerra construído por Uribe.
(*) Breno Altman é jornalista e diretor editorial do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)
Fonte: CartaMaior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16876)
Fidel Castro: Israel não atacará primeiro
R E F L E X Õ E S D O F I D E L
Havana. 11 de Agosto, de 2010
Israel não atacará primeiro
OS ex-oficiais da CIA Phil Giraldi e Larry Johnson; W. Patrick Lang,
das Forças Especiais da Agência de Inteligência da Defesa; Ray
McGovern, da Agência de Inteligência da Armada e da CIA, e outros
ex-altos oficiais com longos anos de serviço, têm razão quando
advertem Obama que o primeiro-ministro de Israel tem projetado um
ataque surpresa com a idéia de obrigar os Estados Unidos à guerra
contra o Irã.
Mas com a Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas,
Israel conseguiu que os Estados Unidos se comprometessem a serem os
primeiros em atacar.
Depois disso, Netanyahu não se atreveria a ser o primeiro em fazê-lo,
pois uma ação desse tipo o enfrentaria a todas as potências nucleares
e ele não é estúpido.
Entre todos os inimigos do Irã têm criado uma situação absurda. Obama
não teria outra alternativa que ordenar a morte de centenas de milhões
de pessoas inocentes, e os tripulantes de seus navios de guerra nas
proximidades do Irã seriam os primeiros em morrer e ele não é um
assassino.
É o que penso sem temor a estar errado.
O pior que pode acontecer é que alguém cometa um erro funesto que
precipite os acontecimentos antes de que vença o prazo dado pelo
Conselho de Segurança para inspecionar o primeiro mercante iraniano.
Mas não há razão para ser tão pessimista.
Fidel Castro Ruz
Colômbia: o cemitério que faz perguntas
Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. A descoberta de uma vala comum gigante no município de La Macarena segue sob investigação. Em um pedaço da vala, há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010. De quem são esses corpos?
Constanza Vieira, enviada especial da IPS
La Macarena, Colômbia (IPS) – A tentativa mais séria dos paramilitares de entrar neste município do centro da Colômbia foi um fracasso. Fizeram isso em 2003 protegidos pela polícia, mas os moradores, armados com paus e escopetas, os prenderam e entregaram para a Procuradoria Geral da Nação, que os encarcerou. Os combatentes de ultra-direita roubavam à saída dos bares de La Macarena, onde, previamente, a polícia havia confiscado os clientes, assinalando a seus sócios aqueles que portavam alguma riqueza. Estes clientes eram mortos pelos paramilitares e tinham seus corpos lançados no rio Guayabero.
O fato de o paramilitarismo não ter conseguido apoio neste município localizado ao sul da serra que carrega o mesmo nome, legendária por sua megabiodiversidade, dá um significado diferenciado à descoberta de uma vala comum em duas faixas em forma de L que somam cerca de 10 mil metros quadrados, numa área próxima a do cemitério do povoado. O terreno faz fronteira com a base local das brigadas móveis da chamada Força de Deslocamento Rápido (Fudra), que recebe cooperação estadunidense e combate a guerrilha de esquerda.
A Procuradoria Geral da Nação descreveu o achado como um “cemitério de pessoas não identificadas”. “Cemitério clandestino” preferem chamá-lo os parlamentares de esquerda Gloria Ramírez e Ivan Cepeda, este porta-voz do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado.
O braço mais curto do “L” é uma fossa comum, segundo peritos estatais e outras testemunhas que hoje já não se atrevem mais a falar. Está localizada atrás de umas abóbadas baixas no lado esquerdo do cemitério. Parece que ninguém se aventura por ali, ninguém investiga, dizem que está minada e que não há nada de especial ali. Em troca, chama atenção a faixa mais larga, de aproximadamente 6.500 metros quadrados, por onde se chega a partir de um caminho reto deste a entrada do cemitério. A Procuradoria fechou o local no dia 21 de julho, quando um qualificado grupo de especialistas forenses passaram a trabalhar no setor. Ali há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010.
Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. Soube-se da existência do anexo do cemitério de La Macarena há um ano, por meio de um artigo publicado no semanário regional Llano 7 Días, do jornal El Tiempo, de Bogotá. De 2002 até julho de 2009, reconheciam então as autoridades, o exército havia enterrado ali 564 cadáveres, todos eles reportados como guerrilheiros mortos em combate. Cerca de 71% dos corpos permanecia sem identificação.
Tudo começou pela água
Os habitantes do bairro Colinas, a uns 200 metros do cemitério, notaram em junho de 2008 que a água saía com mau cheiro e com sabores putrefatos dos poços profundos de onde ela é extraída no verão. Ao examinar o motivo, a população descobriu que o desagradável assunto vinha do cemitério. “Esses foram os primeiros indícios”, disse a IPS o advogado penalista Ramiro Orjuela, com vínculos familiares e profissionais na região. Desde 2004, “helicópteros traziam para cá corpos e mais corpos, abriam uma vala com uma retroescavadeira e atiravam esses corpos ali. O povo aqui de La Macarena sabe disso”, acrescentou.
Isso não era uma surpresa para os macarenenses. Ao fim e ao cabo, La Macarena vê a guerra passar desde 1950, 14 anos do surgimento das insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O município integrou a zona desmilitarizada onde o governo de Andrés Pastrana (1998-2002) manteve um diálogo de três anos com a guerrilha (diálogo que acabou fracassando no final). Após essa tentativa, o exército retomou os 42 mil quilômetros quadrados do santuário, incluídos os 11.229 que envolvem La Macarena. Desde então, todos os dias os habitantes viam chegar ao cemitério os corpos de supostos guerrilheiros. Os cadáveres eram amontoados em sacos pretos. E, logo em seguida, as fossas eram escavadas. Todo mundo sabia disso.
Assim, o caso da água não foi levantado com uma segunda intenção: “Não acreditavam que se tratava de algo grave, mas sim de uma coisa normal. E resultou que era grave, sim”, observou o advogado. Os militares disseram a Llano 7 Días que não temiam uma investigação. A Polícia teria feito um levantamento legal sobre cada corpo, identificando a arma que portava e a roupa camuflada que vestia, procedimento, garantiram os militares, que teve o aval da Procuradoria. Mas nesta região, na prática, a justiça penal militar tornou-se civil. Os promotores, segundo uma fonte da Igreja Católica, seriam militares da reserva ou em vias de se aposentar que hoje atuam sob as ordens do comandante militar, um equivalente da Polícia, efeito do programa piloto cívico-militar denominado Plano de Consolidação Integral de La Macarena, emitido em 2004.
Orjuela não atribui responsabilidades nem adianta acusação alguma. Só pede que as autoridades investiguem. “Não temos nenhum outro meio de prova que não aquilo que nos diz a comunidade”, disse a IPS. “Eles contam para alguém, mas depois não confirmam o depoimento porque têm medo”, assinalou. Assim que Orjuela e um grupo defensor dos direitos humanos enviaram petições ao Ministério Público e à Procuradoria, esta última fez uma inspeção no local e produziu um informe que permanece oculto ao público.
Baseada neste informe, a Direção Nacional de Investigações Especiais da Procuradoria respondeu em fevereiro que seu objetivo era “alcançar a plena identidade dos aproximadamente 2.000 corpos”, para o que esperava criar “um laboratório especializado de identificação” em La Macarena, junto com outras instituições. O Ministério Público, em troca, não respondeu por escrito. Em meados de julho deste ano relatou a Orjuela e a senadora Ramírez, organizadora de uma audiência pública do Senado em La Macarena no dia 22 de agosto, que até esse momento havia “detectado” 449 corpos. Também confirmou que “em 100% dos casos esses corpos tinham sido trazidos pelo exército. Todos. Não há um único que não”, segundo Orjuela.
Em meio a fortes xingamentos dirigidos contra os organizadores da audiência pública, o governo de Uribe insiste que todos são guerrilheiros mortos em combate e levados para lá. Orjuela adverte: “Isso é possível. Mas não todos”. É que 449 guerrilheiros equivalem a três ou quatro frentes das FARC. Como a guerrilha permanece atuante na região, “então quem são esses 400 e tantos mortos?”, pergunta.
O jesuíta Banco de Dados sobre Direitos Humanos e Violência Política tem testemunhos sobre 79 civis desaparecidos em La Macarena e municípios vizinhos. Há 25 casos documentados sobre supostas execuções extrajudiciais cometidas pelo Exército. Por enquanto, o Ministério Público identificou cinco civis reportados como desaparecidos e que já foram devolvidos às duas famílias. Há outros 37 corpos em processo de identificação. Os demais permanecem perguntando.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16850)
Crise nos EUA: Como é de perto o colapso do império
What collapsing empire looks like
By Glenn Greenwald, no Salon
No momento em que entramos no nono ano da Guerra do Afeganistão com uma tropa reforçada e continuamos a ocupar o Iraque indefinidamente e alimentamos o Estado de Vigilância sem fim, notícias tem surgido de que a Comissão do Déficit Público está trabalhando num plano para cortar benefícios da Previdência Social, do Medicare [programa de atendimento aos idosos] e até mesmo no congelamento dos salários dos militares. Mas um artigo do New York Times de hoje ilustra vividamente com o que se parece um império em colapso, ao mostrar os tipos de cortes de orçamento que cidades de todo o país tem sido forçadas a fazer. Aqui vão alguns exemplos:
Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.
Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.
Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.
Há algumas ótimas fotos acompanhando o artigo, inclusive uma mostrando como fica uma rua do Colorado na escuridão causada pelo corte de energia. Enquanto isso, a pequena porção dos mais ricos — aqueles que causaram nossos problemas — continua a se dar bem. Vamos relembrar o que o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional escreveu na revista Atlantic sobre o que acontece em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento quando surge uma crise financeira causada pela elite:
“Apertar os oligarcas, no entanto, é poucas vezes a escolha dos governos de países emergentes. Ao contrário: no início da crise, os oligarcas são normalmente os primeiros a conseguir ajuda-extra do governo, como acesso preferencial a moedas estrangeiras ou talvez um corte de impostos ou — aqui vai uma técnica clássica do Kremlin — a assunção pelo governo de obrigações de dívidas privadas. Sob pressão, a generosidade para com os amigos assume formas inovadoras. Enquanto isso, se é preciso apertar alguém, a maior parte dos governos de países emergentes primeiro olha para as pessoas comuns — pelo menos até que os protestos se tornem grandes demais”.
A questão real é se o público estadunidense é muito apático e treinado em submissão para que isso aconteça aqui.
Nota: É também importante considerar um artigo publicado no Wall St. Journal no mês passado — com o subtítulo “De volta à Idade da Pedra”– no qual é descrito como “estradas pavimentadas, emblemas históricos de conquistas dos Estados Unidos, estão sendo desmanteladas em regiões rurais do país e substituídas por estradas de cascalho ou outros pavimentos, já que os condados enfrentam orçamentos apertados e não há verbas estaduais ou federais”. O estado de Utah está considerando seriamente eliminar um ano da escola secundária ou torná-lo opcional. E foi anunciado esta semana que “Camden [Nova Jersey] está se preparando para fechar definitivamente seu sistema de bibliotecas até o final do ano, potencialmente deixando os residentes da cidade entre os poucos dos Estados Unidos sem condições de emprestar um livro de graça.”
Alguém duvida que quando uma sociedade não pode mais pagar por escolas, transporte, estradas asfaltadas, bibliotecas e iluminação pública — ou quando escolhe que não pode pagar por isso em busca de prioridades imperiais ou a manutenção de um Estado de Segurança e Vigilância Nacional — um grande problema surgiu, que as coisas desandaram, que o colapso imperial, por definição, é algo inevitavelmente iminente? De qualquer forma, eu apenas queria deixá-los com alguma luz e pensamentos positivos para o fim-de-semana.
Fonte: Vi o Mundo (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/crise-nos-eua-como-e-de-perto-o-...)
As esquerdas mexicanas e López Obrador
Na conjuntura dos últimos anos, a esquerda mexicana não pode identificar-se com o PRD e muito menos reduzir-se a esta agrupação partidária. Ao invés disso, ultimamente, a energia transformadora da esquerda se expressa principalmente em um vigoroso movimento popular que luta contra o regime neoliberal, à margem da estrutura partidária tradicional e que é liderado por Andrés Manuel López Obrador. É uma falácia, portanto, o que dizem os meios de comunicação e seus comentaristas: a de que a esquerda atravessa seu pior momento no México e deixou de ser uma opção. O artigo é de Héctor Díaz-Polanco.
por Héctor Díaz-Polanco - La Jornada
Em inúmeras ocasiões vi-me obrigado a satisfazer a curiosidade de colegas e amigos latinoamericanos que me perguntaram sobre a terrível debilidade da esquerda mexicana, sua desorganização e carência de projeto. Certamente, sua visão da esquerda se centra na trajetória seguida pelo PRD (Partido da Revolução Democrática) nos últimos anos e na situação que se seguiu a isso.
Trato de explicar-lhes o melhor que posso que, na conjuntura dos últimos anos, a esquerda mexicana não pode identificar-se com o PRD e muito menos reduzir-se a esta agrupação partidária. Ao invés disso, ultimamente, a energia transformadora da esquerda se expressa principalmente em um vigoroso movimento popular que luta contra o regime neoliberal, à margem da estrutura partidária tradicional e que é liderado por Andrés Manuel López Obrador.
Insisto, em resumo, a rebater o que é, na minha opinião, uma falácia promovida pelos meios de comunicação e seus comentaristas: a de que a esquerda atravessa seu pior momento no México e deixou de ser uma opção. Essa conclusão resulta do costume de identificar força política com estrutura partidária, sobretudo se possui aparato e registro. Esse não é um bom método para abordar o assunto. Em uma perspectiva gramsciana, o verdadeiro partido não é só uma instituição, a organização técnica e seus aparatos, mas sim a força social ou o movimento no qual encarna um projeto: é todo um bloco social ativo. É por isso, observa Gramsci, que um partido orgânico e fundamental pode aparecer como várias frações, cada uma das quais adota o nome de partido e inclusive de partido independente (é o caso do PRI e do PAN), enquanto o estado maior intelectual do verdadeiro pode permanecer na obscuridade. A prova de que esses diversos partidos constituem, na verdade, uma unidade orgânica é dada pelo fato de que se juntam imediatamente quando percebem um real antagonista ao projeto que expressam.
Vistas as coisas assim, o partido mais poderoso da esquerda mexicana hoje é o movimento inspirado e liderado por López Obrador. Mas não é o único: devem se considerar outras forças (o zapatismo, etc.) que alimentam a grande corrente das esquerdas mexicanas. É por não levar isso em conta e manter os olhos fixos no PRD e no jogo das frações partidárias, que a demonstração de força e organização ocorrida na concentração do Zócalo (principal praça da capital do país), no dia 25 de julho, produziu tanto desconcerto e mesmo inquietação em alguns setores. Obstinadamente se negaram a reconhecer o movimento que crescia desde baixo, à margem dos partidos convencionais.
Enquanto repetiam que AMLO (López Obrador) e seu movimento tinham se desgastado e que já não eram mais uma opção a ser levada em conta, fecharam os olhos aos milhões de simpatizantes e ativistas, aos milhares de comitês criados em todo o país, aos milhões de exemplares do periódico Regeneración que circulam de família em família, aos círculos de reflexão; e, sobretudo, minimizaram o crescimento de uma liderança com sólido perfil de honestidade, coerência e identificação com os setores populares (fruto de seu conhecimento direto da realidade sociocultural do país). Considerando o nível de organização atingido até agora, sua força e alcance nacional, pode-se derivar uma conclusão completamente distinta da sombria apreciação inicial: comparativamente, a esquerda mexicana vive hoje um de seus melhores momentos.
Sem dúvida, o desenvolvimento do movimento foi estimulado pelas políticas do atual governo, alheias ao interesse geral da população. Mas também, é preciso dizê-lo, é fruto da estratégia e das práticas impulsionadas pela chamada esquerda “moderna” que hoje controla o PRD. Aferrada aos tópicos da socialdemocracia em sua versão neoliberal, sem clara orientação social, apostando nas alianças com forças conservadoras que destroem a diferença, esta esquerda caiu em descrédito (e não falo aqui da base do PRD). Na atual conjuntura, o movimento social que se expressou em Zócalo já cumpriu um papel vital: evitar a completa demolição do projeto da esquerda.
Alarmados por esta tendência, alguns asseguram que AMLO cometeu o erro de abandonar o centro político em 2006, e estaria errando de novo ao não buscá-lo agora (Denise Dresser dixit - jornalista e cientista política mexicana). Por centro entendem as posições e práticas socialdemocratas que se desenvolveram na Europa e em alguns países da América Latina (por exemplo, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Chile). Esconde-se que, nestes países, tais forças perderam o poder, uma a uma, precisamente por querer situar-se no degrau que lhes destinou a direita (que é sempre quem, finalmente, define o centro “politicamente correto”).
A única possibilidade de o movimento de AMLO atingir seus objetivos programáticos é mantendo-se afastado desse falso centro (neoliberal, insensível às necessidades das maiorias e servidor dos grandes potentados). E isso não apenas por razões eleitorais, mas sim por preceitos ético-políticos dos quais não deve se desviar nem um milímetro. Os comentaristas que se dedicam a dar “conselhos” a AMLO para que seja moderado, na verdade querem que ele entre na ladeira ensaboada dos acordos com os poderosos. Isso anularia qualquer qualidade inovadora em seu projeto. De que serviria assim chegar à presidência, amarrado a grupos de interesses de facções e por eles invalidado como governante para as maiorias? Isso, além disso, seria sua morte política aos olhos da maioria dos mexicanos, como ocorreu com a “esquerda moderna”.
(*) Escritor e antropólogo mexicano, autor de “La diversidad cultural y la autonomía en México”.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16870)
Raymundo de Oliveira: Libertação de cubanos presos nos EUA
Meus amigos,
há, nos EUA, cinco cubanos que estão na prisão há mais de doze anos,
pelo fato de terem se infiltrado nos grupos terroristas de Miami, com
a finalidade de evitarem atos terroristas que esses grupos
organizavam. Desnecessário dizer que a ação deles era clandestina.
Conseguiram evitar alguns atentados, avisando Cuba em tempo.
Entretanto, eles foram descobertos e condenados a longuíssimas penas,
estando em péssima situação.
De fato, eles estão na prisão por combaterem o terrorismo!!!!
Um dos cinco, Gerardo Hernández, está em terrível situação de saúde,
tendo estado, até há bem pouco tempo, numa solitária, de onde saiu nos
últimos dias.
Está havendo um movimento mundial para salvar a vida desses
companheiros. Infelizmente, no Brasil há absoluto silêncio, o que não
ocorrre quando há a prisão de qualquer cubano, mesmo que
comprovadamente esteja recebendo ajuda financeira material dos EUA que
movem uma guerra criminosa contra Cuba, por meio do bloqueio que você
conhece.
Cuba acaba de libertar dezenas de presos que assim estavam não por
divergirem do regime, e sim, por, comprovadamente, receberem ajuda
material para atuarem contra o sistema cubano. Essa ação de Cuba
precisa ser respondida pela libertação dos heróis que, em nenhum
momento, atuaram contra a segurança dos EUA, tendo procurado evitar
atos terroristas contra seu país, Cuba.
É preciso divulgar esses fatos!!! É preciso romper o bloqueio da
imprensa que procura ignorar a ação criminosa dos sucessivos governos
norte-americanos.
Você tem condições de ajudar, se informando e divulgando essa injusta
e triste realidade.
Agradeço e me coloco à disposição para trazer maiores informações. Há
alguns sites com muitos dados.
Cuba está considerando uma questão de honra libertar esses heróis,
punidos por lutarem contra o terrorismo.
Um abraço esperançoso.
Raymundo de Oliveira
Presidente do Conselho da Associação Cultural José Marti
Presidente da Casa da América Latina
PS: sites com informações sobre os Cinco Heróis
http://5heroes.cujae.edu.cu
http://5heroes.cujae.edu.cu/app/archivos.php
www.antiterroristas.cu
www.cubadebate.cu
www.thecuban5.org
nomes dos cubanos:
Rene González, Ramón Labañino, Gerardo Hernández, Fernando González e Antonio Guerrero.
O petróleo na origem do conflito entre Venezuela e Colômbia
O controle do petróleo na origem do conflito entre Venezuela e Colômbia
Professor Wladmir Coelho
Mestre em Direito e Historiador
Analisar a crise entre Colômbia e Venezuela a partir do combate ao chamado narcotráfico constitui no mínimo uma análise incompleta necessitando, para melhor entendimento do tema, o acréscimo de elementos da política externa dos Estados Unidos para a América do Sul considerando-se - inclusive - as políticas de controle das fontes energéticas da região principalmente aquelas relativas ao petróleo. Deste modo torna-se relevante entender a influência dos Estados Unidos no setor petrolífero sul-americano desde o final do século XIX necessitando para este fim uma análise das políticas econômicas do petróleo cujo conteúdo, de modo geral, alternou-se entre o maior ou menor controle da produção, por parte dos oligopólios, em função da adoção de políticas de intervenção estatal ou liberalização da atividade mantendo-se, neste último caso, a prática colonial característica da região.
Neste contexto a prática do dumping, o incentivo e criação de conflitos entre países do subcontinente ou intervenção direta dos órgãos de espionagem e segurança estadunidenses na elaboração de golpes de estado contra governos de tendência nacionalistas não constituem propriamente uma novidade ou delírios de "teorias conspiratórias", mas práticas para manutenção da segurança energética dos Estados Unidos.
Poderíamos ilustrar as afirmativas acima a partir do exemplo brasileiro cuja exploração comercial do petróleo sofreu, a partir do final do século XIX, uma série de ataques dos trustes petrolíferos estadunidenses. O caso de Maraú no estado da Bahia, ainda no período imperial, é emblemático tendo esta iniciativa empresarial petrolífera privada encontrado sua total ruína em função da oferta de querosene dos trustes dos Estados Unidos a preços inferiores ao nacional.
Outra prática a vigorar como parte dos planos de manutenção da dependência energética externa e ao mesmo tempo assegurar reservas para os oligopólios internacionais foi à compra de vastas áreas com potencial petrolífero aplicadas por grupos ligados a Standard Oil impedindo a pesquisa e exploração por grupos brasileiros. Este método prevaleceu até 1934 quando ocorre a separação constitucional entre a propriedade do solo e subsolo transferindo os minerais encontrados neste para o rol dos bens da União.
Ainda na década de 1930 um grave conflito armado envolvendo Paraguai e Bolívia, a Guerra do Chaco, apresentou como elemento detonador a disputa por áreas petrolíferas envolvendo os interesses das empresas Shell e Standard Oil. Durante o citado conflito ficou clara a necessidade de revisão dos métodos de controle da produção e propriedade dos recursos energéticos quando a Standard Oil simplesmente negou abastecer as tropas bolivianas em combate.
Os exemplos de dependência energética do Brasil e Bolívia resultaram em políticas nacionalistas e intervencionistas, em diferentes escalas, aspectos também observados na Venezuela e Colômbia. Esta nova fase da política econômica no subcontinente apresentou como regra a criação de empresas estatais e conseqüente monopólio estatal do setor petrolífero. No Brasil a criação de uma empresa nacional para exploração do petróleo somente ocorreria em 1953 a partir de uma grande campanha popular denominada "O petróleo é nosso", todavia o modelo empresarial adotado foi a criação de uma empresa mista ficando o Estado com o controle acionário desta exercendo esta o monopólio da exploração petrolífera.
Todavia a presença do Estado no setor petrolífero sul-americano não significou a utilização do poder econômico obtido através da exploração do petróleo em política para o desenvolvimento da região ficando evidente a manutenção da tradição colonial a partir do controle destas empresas por setores oligárquicos nacionais interessados exclusivamente em lucros pessoais. Estas empresas tornaram-se feudos familiares ou filiais dos oligopólios de sempre determinando estes as políticas de preço e investimentos naturalmente em função da segurança energética dos Estados Unidos. A Petrobrás, neste sentido, também foi atingida ao direcionar suas atividades para o exterior e exploração na plataforma continental abandonando para os oligopólios a exploração - ou impedimento deste - em terra de áreas com potencial petrolífero.
Durante a década de 1990 vamos observar uma radicalização ideológica denominada neoliberalismo verificando-se na América do Sul uma onda de privatizações e quebra dos monopólios estatais no setor petrolífero retomando o oligopólio internacional o controle direto de vastas áreas produtivas.
O quadro de entrega dos recursos petrolíferos aos oligopólios internacionais na América do Sul iniciaria um processo de reversão a partir de 1999 durante o primeiro governo de Hugo Chaves através da nacionalização da exploração petrolífera e reformulação da empresa estatal a PDVSA (Petróleos da Venezuela S/A) assumindo esta o monopólio do setor restringindo-se a presença de empresas privadas a partir da criação de subsidiarias com controle da PDVSA.
A política econômica petrolífera implantada na Venezuela serviu de fundamentação para a Bolívia e Equador países que também nacionalizaram, no início do presente século, o setor petrolífero e gasífero direcionando o poder econômico resultante da exploração destes recursos para implementação de políticas voltadas para o desenvolvimento interno.
Outro aspecto resultante da utilização do poder econômico do petróleo iniciada a partir da Venezuela foi a criação da ALBA, Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América , entidade voltada para a criação de um pacto comercial, cultural e político entre os países latino americanos em oposição as políticas de controle imperial dos Estados Unidos notadamente aqueles presentes na criação da ALCA Área de Livre Comércio das Américas.
Neste quadro de clara disputa entre os interesses dos Estados Unidos e Venezuela observaremos o governo colombiano optar por manter a prática neoliberal buscando uma aproximação com a potência hegemônica. Esta aliança ganha sua forma atual a partir do ano 2000 através do Plano Colômbia. Neste acordo utiliza-se como pano de fundo o combate ao tráfico de drogas como justificativa para o fornecimento de armas, recursos financeiros e bases militares para os Estados Unidos em território colombiano.
A Colômbia, ao contrário da Venezuela, encontra-se dividida em áreas controladas por forças do Estado e vastas regiões administradas através das guerrilhas - notadamente as FARC - e tratando-se de uma região em conflito muitos pequenos agricultores encontram dificuldades para a manutenção de culturas alternativas a coca. As áreas de controle das FARC apresentam como fonte de arrecadação exatamente estas culturas cujo comércio envolve - inclusive - autoridades do Estado colombiano. Desta forma associar narcotráfico e FARC não corresponde a verdade existindo um envolvimento de setores oficiais comprometidos com os Estados Unidos.
A área de tensão entre Venezuela e Colômbia apresenta ainda uma característica pouco divulgada na imprensa - ou seja - a existência do oleoduto Caño Limón responsável por conduzir a produção petrolífera da região para o porto caribenho Coveñas e deste para os Estados Unidos processo administrado através da Companhia Ocidental de controle estadunidense.
O conflito entre os dois países está desta forma carregado de interesses dos grupos econômicos de sempre tendo estes o objetivo evidente, claro e cristalino de controlar áreas com potencial petrolífero estendendo-se para a Amazônia e suas pouco exploradas, porém conhecidas, riquezas energéticas.
Não devemos esquecer-nos do crescimento do consumo de petróleo na China e conseqüente adoção de uma política por parte deste país de controle de vastas áreas produtivas na África e Ásia provocando uma disputa com os Estados Unidos. Faz muitos anos os Estados Unidos não enfrentavam governos decididos em implantar uma política econômica de caráter nacionalista utilizando - inclusive - parte de sua produção para o consumo interno através de uma política de industrialização. Desestabilizar estes governantes torna-se, deste modo, parte da política externa dos EUA, todavia mobilizar tropas e recursos financeiros para interferir em assuntos internos da Venezuela não motiva ou justifica aumento dos gastos públicos tornando-se necessária a criação de factóides como a transformação de guerrilheiros em traficantes e associação de um governo eleito democraticamente ao treinamento e apoio a forças "criminosas".
Fonte: http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=29506
MARICÁ: PREFEITO RECEBE CASA DA AMÉRICA LATINA
PREFEITO RECEBE REPRESENTANTES DA CASA DA AMÉRICA LATINA
A noção quase esquecida de que todos os povos pertencem à mesma humanidade
sustentou a troca de ideias entre o prefeito Washington Quaquá e
representantes da Casa da América Latina, Valmíria Guida e Luís Carlos
Santos, recebidos em audiência nessa quinta-feira, 5 agosto. Fundada em
2007, o objetivo da entidade é lutar em favor da integração e da
solidariedade dos “povos unidos numa mesma opressão geopolítica”. Por isso,
explica Valmíria, no caso, o Canadá não entra no mapa da Casa, mas a Jamaica
e o Haiti, sim.
“Nossa relação com os governos populares do continente é muito boa”, diz o
prefeito Washington Quaquá, “mas pretendemos aprofundá-la por meio de
convênios, mantendo intercâmbio principalmente em setores como educação,
saúde, esportes e cultura”, destaca. Para Luís Carlos, esse interesse do
prefeito de Maricá em estabelecer parcerias com os governos de cunho popular
pode render muitos frutos “para os dois lados”, tanto para aqueles países
(Venezuela, Bolívia, Cuba e outros) quanto para Maricá.
Os visitantes presentearam o prefeito com dois livretos (“Abreu e Lima,
general das massas” e “Os cinco heróis antiterroristas cubanos”) e o
convidaram para a cerimônia de entrega, no dia 31 de agosto, no Rio, da
Medalha Abreu e Lima, homenagem a pessoas e entidades que se destacam na
luta em favor da paz e da autodeterminação dos povos. O pernambucano Abreu e
Lima foi, ao lado de Simon Bolívar, um herói nas guerras de independência
travadas no continente sul-americano.
Fonte: http://www.marica.rj.gov.br/noticia2.php?noticia=1788
Wall Street lava dinero del narcotráfico impunemente
Wall Street lava dinero del narcotráfico impunemente
Zach Carter
AlterNet
Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens
‘Demasiado grande para caer’ es un problema mucho mayor de lo que piensas. Todos hemos leído informes condenatorios sobre que el Gobierno salva a los bancos de sus apuestas de alto riesgo, pero resulta que el problema del privilegio de Wall Street está arraigado mucho más profundamente en el sistema legal de EE.UU. de lo que los simples rescates atestiguaron en 2008. Los mayores bancos de EE.UU. pueden involucrarse en actividades descaradamente criminales a escala masiva y emerger casi completamente indemnes. El último ejemplo repugnante proviene del Banco Wachovia: Acusado de lavar 380.000 millones de dólares de dineros de cárteles de la droga mexicanos, se espera que el gigante financiero emerja con sólo un tirón de orejas gracias a una política oficial del Gobierno, que protege a los megabancos contra acusaciones criminales.
Michael Smith de Bloomberg ha escrito una devastadora revelación que detalla las operaciones del Wachovia con dinero de la droga y la torcida reacción del Gobierno. El banco hacía transacciones con dinero que provenía literalmente de toneladas de cocaína de violentos cárteles de la droga. No fue por accidente. Denunciantes internos del Wachovia advirtieron de que el banco estaba lavando dinero del narcotráfico, los mandamases del banco los ignoraron totalmente para lograr mayores beneficios y el Gobierno de EE.UU. está a punto de dejar que todos los involucrados queden impunes. El banco no será acusado, porque es política oficial del Gobierno no procesar a megabancos. Del artículo de Smith:
Ningún gran banco estadounidense… ha sido acusado alguna vez por violar la Ley de Secretos Bancarios o cualquiera otra ley federal. En vez de eso, el Departamento de Justicia resuelve acusaciones criminales utilizando acuerdos de suspensión de actuaciones judiciales, según los cuales un banco paga una multa y promete no volver a violar la ley… Los grandes bancos están protegidos de los enjuiciamientos gracias a una variante de la teoría de demasiado-grande-para-caer. Encausar a un gran banco podría provocar una carrera frenética de los inversionistas para vender acciones y causar pánico en los mercados financieros.
Wachovia fue adquirido por Wells Fargo a finales de 2008. El castigo al banco por lavar más de 380.000 millones de dólares en dinero de la droga consistirá en una promesa de no volver a hacerlo y una multa de 160 millones de dólares. La multa es tan pequeña que es casi seguro que Wachovia obtendrá beneficios de su negocio de financiamiento de la droga después de considerar costes legales y multas.
Las autoridades internacionales conocen la conexión entre banqueros y narcotraficantes mucho más allá de Wachovia, pero los gobiernos no hacen nada al respecto. Un informe de 2009 de la Oficina de las Naciones Unidas sobre la Droga y el Crimen estableció que la mayoría de las reglas para impedir el lavado de dinero de la droga a través de los bancos se violan.
Del informe:
“En tiempos de quiebras de grandes bancos, los bancos parecen pensar que el dinero no huele. Ciudadanos honestos que enfrentan dificultades en tiempos de penurias financieras, se preguntan por qué los ingresos del crimen –convertidos en ostentosos inmuebles, coches, botes y aviones– no se confiscan”.
A finales de 2009, el jefe de esa oficina de la ONU, Antonio María Costa, dijo a la prensa que muchos préstamos entre bancos –préstamos a corto plazo que los bancos hacen entre sí– se apoyaban en dinero de la droga. Cuando los mercados financieros se paralizaron en 2007 y 2008, los bancos se volvieron hacia los cárteles de la droga para obtener dinero. Es posible que muchos bancos importantes no hubieran sobrevivido sin ese dinero de la droga.
Fuente: http://www.alternet.org/economy/147564/wall_street_is_laundering_drug_money
Celebrações de Bicentenários de Independência
Indicamos os sítios comemorativos dos bicentenários de independência de três nações latinoamericanas, a saber:
Argentina: http://www.bicentenario.argentina.ar/
Colômbia: http://www.bicentenarioindependencia.gov.co/
México: http://www.bicentenario.gob.mx/
Manifestantes tomam acampamento em região gasífera peruana
04 de agosto de 2010, Lima (Prensa Latina)
Grupos de manifestantes tomaram hoje um acampamento do consórcio multinacional que explora gás na região de Cusco, no meio de uma greve provincial contra a exportação do recurso.
O incidente elevou a tensão na província de Quillabamba, em greve desde 27 de julho contra a venda do gás, enquanto intensificam-se os chamados ao governo a ceder às reivindicações ou ao menos abrir o diálogo com os líderes do protesto para evitar uma manifestação violenta.
Fontes policiais afirmaram que os manifestantes ocuparam um acampamento de comunicações, pegaram equipamentos e têm retidos a um número não precisado de trabalhadores.
As mesmas fontes, citadas por radioemissoras, afirmaram que na região de Chirumpiari grupos de civis agrediram guardas privados.
Os manifestantes mantêm desde ontem baixo assédio pacífico com manifestações de protesto dos acampamentos e uma estação com válvulas do gasoducto que transporta o combustível à costa.
Enquanto isso, o líder da Confederação de Camponeses da província cusquenha de Canchis, Valeriano Cama, confirmou que essa jurisdição se somou à greve pacífica contra a exportação de gás e que outras províncias se dispõe a fazer o mesmo.
"A luta é pelo gás, que não se presenteie aos estrangeiros", acrescentou.
Enquanto prosseguem os gerenciamentos em tentativa de um diálogo entre o governo e os grevistas, novas expressões de apoio ao objetivo do protesto acontecem.
O escritório do premiê, Javier Velásquez, enviou uma comunicação ao Comitê Central de Luta de Quillabamba, que conduz a greve, no que propõe a suspensão do desemprego a fim de "dar início a um diálogo sincero e democrático" e "sem condicionamentos".
Velásquez descartou previamente a demanda de cessar as exportações de gás porque tal medida atentaria contra a segurança jurídica dos investidores e a política econômica neoliberal vigente.
Nesse contexto, os presidentes (governadores) das regiões de Arequipa, Tacna, Puno e Moquegua respaldaram a luta dos grevistas e exigiram do governo deixar sem efeito o estado de emergência estabelecido na região de Echarate, zona de Quillabamba que alberga instalações do gasducto.
Os governadores chamaram também aos dirigentes de Quillabamba a que suspendam a greve para dialogar, tema que é analisado pelos membros do Comitê Central de Luta.
Em Lima, a Confederação Geral de Trabalhadores (CGTP) e a organização Foro Cidadão de expecialistas energéticos e outras personalidades, anunciaram uma demanda judicial contra o governo pela "a irregular e ilegal exportação".
Segundo os demandantes, a venda "afetará a qualidade de vida dos peruanos, além de submeter a uma dependência energética prejudicial para o desenvolvimento nacional".
Fonte: http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id...
10 estratégias de manipulação da mídia para alienar o público
Noam Chomsky - as 10 estratégias de manipulação da mídia para manter o público alienado
O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram renda decente, são tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DIFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO SE ELE FOSSE CRIANÇA DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.
6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e, por fim, no sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Induzir o público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo no qual, um dos seus efeitos, é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si mesmos.
Chomsky: “Os EUA são o maior terrorista do mundo”
Noam Abraham Chomsky, intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Falou com exclusividade para Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com, em 21 de Julho de 2010.
O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.
Noam Abraham Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem duvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.
Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.
Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.
Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.
Quê significado tem para o senhor esta homenagem?
Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.
Seus três filhos sabem da homenagem?
Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.
Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?
Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.
Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.
É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.
Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado ‘Guerra ou Paz no Oriente Médio?
É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.
Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?
Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.
Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?
Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.
Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?
Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.
Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?
Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.
Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?
Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.
O que acontecerá com o Irã?
Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.
O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?
Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.
Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?
A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.
Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?
É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.
A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?
Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo”.
A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?
Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente também recebia ajuda militar.
O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?
No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.
Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?
Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.
Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?
Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.
Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?
A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.
A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?
Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está a avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.
O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?
É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.
Fonte: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em http://www.semana.com/noticias-mundo/parte-colombia-robada-roosevelt/142...
Apresenta Fidel Castro seu livro A Vitória Estratégica
Havana, 3 ago (Prensa Latina) O livro A Vitória Estratégica foi apresentado por seu autor, o líder da Revolução cubana, Fidel Castro, artífice dos fatos que narra.
O volume de 896 páginas constitui uma obra de qualidade excepcional tanto por seu conteúdo como pela edição e impressão, e abordou o confronto das forças rebeldes à ofensiva do exército da ditadura de Fulgêncio Batista no verão de 1958.
Assistiram à apresentação os Comandantes da Revolução Ramiro Valdés e Guillermo García, os Generais de Corpo de Exército Abelardo Colomé e Leopoldo Cintras, bem como as Heroínas do Moncada Melba Hernández e da Sierra Mestre Generala Teté Puebla.
Também participaram Armando Hart, diretor do Escritório do Programa Martiano, outros combatentes da Sierra e o Plano, oficiais das Forças Armadas Revolucionárias, e o Ministério do Interior, destacados historiadores, uma representação dos editores, desenhadores e impressores do volume, e outros convidados.
Segundo uma nota difundida pelo Noticiário Nacional de Televisão, Fidel Castro mostrou-se surpreso pela qualidade do livro e a rapidez de sua terminação e disse sentir-se especialmente motivado pelas lembranças.
Durante mais de uma hora o líder da Revolução cubana leu e comentou fragmentos da obra, nos quais avalia o balanço final da batalha e o significado daquela vitória de 300 guerrilheiros contra mais 10 mil soldados armados até os dentes.
Recordando nome por nome dos combatentes mais destacados e dos caídos na luta, ressaltou mais de uma vez o espírito humanitário e a vocação justiceira do exército rebelde, que atendia e curava a seus prisioneiros até o ponto que alguma vez ele pensou que muitos daqueles soldados integrariam o novo exército para a vitória, só que já para então tinha uma massa nova e pura saída do povo, que se uniria às fileiras do que seriam as Forças Armadas Revolucionárias.
A vida ao fim transbordava nossas predições e sonhos, sentenciou.
Nessa mesma linha de raciocínio, anunciou um novo livro que dá continuidade a este no qual abordará a ofensiva estratégica final do exército rebelde e disse que para ele os materiais reunidos pelo escritório de assuntos históricos do Conselho de Estado constituem um presente enorme por todo o que o estimulam a recordar, pensar e lutar.
As lembranças vão-se organizando, se refrescam coisas que aconteceram há mais de 50 anos, comentou com alegria, e depois recordou as partes de guerra de Rádio Rebelde, onde a arma principal foi sempre a verdade.
Nós só dizíamos a verdade, se púnhamos um fuzil a mais enganávamos a nossos próprios colegas, dizer a verdade foi um princípio elementar que nunca falhou, lembrou.
Retomando o comportamento ético como a distinção daquele exército nascido nos combates contra a tirania, o contrapôs à crueldade sem limites das forças da ditadura.
Em um progresso do livro em preparação, anunciou que narrará um revés tático sofrido durante a contraofensiva, quando uma coluna rebelde que caiu em uma emboscada foi massacrada sem piedade pelo exército da tirania.
Quem treinou a esse exército de torturadores, quem forneceu-lhe as armas, os tanques, os aviões, as fragatas, quem ensinou-os a torturar e matar prisioneiros, foi o governo dos Estados Unidos, esse mesmo que agora tortura a Gerardo Hernández, sem justificativa alguma, afirmou ao se referir a um dos cinco antiterroristas cubanos presos em cárceres estadunidenses, submetido a castigos adicionais.
Até quando vai durar isso, se perguntou Fidel Castro em uma análise que enlaça a história há meio século com a atual no permanente e nunca abandonado propósito imperial de submeter à nação cubana sem se deter aos métodos por repugnantes e covardes que possam resultar.
No ato de apresentação do livro A vitória estratégica usaram também a palavra sua editora principal Katiuska Blanco e Alberto Albariño, vice chefe do departamento ideológico do Comitê Central de Partido Comunista de Cuba, responsável pela impressão.
Fonte: http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=21...
Ignorar a história, uma saída rasteira
Wálter Fanganiello Maierovitch, na revista CartaCapital
Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo
Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.
O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.
A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.
Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.
Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), “taxa”de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de “imposto de circulação” gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.
Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: “A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios”.
Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de “Paz, Justiça e Liberdade” e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.
Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.
Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, “este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política”.
A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.
À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.
Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.
Os conservadores tinham por lema “Deus, pátria e família”. Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado “gaitanismo”lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.
Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.
Encontrada na Colômbia a maior vala comum da América Latina
Recentemente, na Colômbia, foi descoberta a maior vala comum da história contemporânea do continente latino-americano, horrenda descoberta que foi quase totalmente invisibilizada pelos meios de comunicação de massa na Colômbia e no mundo. A vala comum contém os restos de ao menos 2.000 pessoas e está em La Macarena, departamento de Meta. Desde 2005, o Exército, espalhado pela zona, enterrou ali milhares de pessoas, sepultadas sem nome.
A reportagem está publicada no sítio colombiano Cronicón, 29-07-2010. A tradução é do Cepat.
A população da região, alertada pelas infiltrações putrefatas dos cadáveres na água potável, e afetada pelos desaparecimentos, já havia denunciado a existência da vala em várias ocasiões ao longo de 2009: havia sido em vão, pois a fiscalia não realizava as investigações. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em dezembro de 2009, que se conseguiu trazer à luz este horrendo crime perpetrado pelos agentes militares de um Estado que lhes garantia a impunidade.
Trata-se da maior vala comum do continente. Dois mil corpos em uma vala comum, isso é um assunto grave para o Estado colombiano, mas sua mídia, e a mídia mundial, cúmplices do genocídio, se encarregaram de mantê-lo quase totalmente em silêncio, quando para encontrar uma atrocidade parecida é preciso remontar às valas nazistas. Este silêncio midiático está sem dúvida vinculado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali se gestam em base aos massacres.
A Comissão Asturiana de Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em janeiro de 2010 (menos de um mês depois da descoberta da vala), perguntou às autoridades sobre o caso. As respostas foram preocupantes: na fiscalia, na procuradoria, no Ministério do Interior, na ONU, todos tentam se esquivar do assunto. E enquanto isso, tratam de “operar” a vala para minimizá-la, mas a delegação britânica a constatou, e as próprias autoridades reconheceram ao menos 2.000 cadáveres. Em dezembro, “o prefeito, aliado do governo, o denunciou também junto ao sepulteiro”, mas depois, as pressões oficiais tendem a fazer “diminuir suas apreciações sobre o número de corpos”.
A Delegação Asturiana denunciou a ostensiva vontade de alterar a cena do crime: “ninguém está protegendo o lugar. Ninguém está impedindo que se possam alterar as provas. Que um trator possa entrar e voltar a misturar os cadáveres anônimos, a tirá-los e levá-los para outro lugar”. “Solicitamos às instituições responsáveis do Governo e do Estado colombiano que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registradas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias com a finalidade de assegurar o perímetro para prevenir a modificação da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório que ali se encontra (…) É fundamental a criação de um Centro de Identificação Forense em La Macarena com a finalidade de conseguir a individualização e plena identificação dos cadáveres ali sepultados”.
A Delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades aduziram desconhecimento, e alegaram incapacidade operativa: “há tantas valas comuns em nosso país que…”. Trata-se do município de Argelia em Cauca: “Um ‘matadouro’ de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos de seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram entrar novamente em suas comunidades: deslocaram os sobreviventes”. As vítimas sobreviventes relataram: “havia pessoas amarradas que soltavam aos cachorros esfomeados para que os assassinassem pouco a pouco”.
Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado colombiano, combinada com a ação de policiais e militares, foi o instrumento de expansão de latifúndios. O Estado colombiano desapareceu com mais de 50.000 pessoas através de seus aparelhos assumidos (policiais, militares) e de seu aparelho encoberto: sua Estratégia Paramilitar. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra classista contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar se inscreve nessa lógica econômica.
A invisibilização de uma vala comum das dimensões da vala de La Macarena se inscreve no contexto de que os negócios de multinacionais e oligarquias se baseiam nesse horror, e em que esta vala seja produto de assassinatos diretamente perpetrados pelo Exército nacional da Colômbia, o que prova ainda mais o caráter genocida do Estado colombiano em seu conjunto (para além do seu presidente Uribe, cujos negócios e vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais do que comprovados).
A cumplicidade da grande imprensa é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Os povos devem romper o silêncio com que se pretende ocultar o genocídio. Urge solidariedade internacional: a Colômbia é, sem dúvida, um dos lugares do planeta no qual o horror do capitalismo se plasma da forma mais evidente, em seu paroxismo mais absoluto.
Fonte: Conversa Afiada ( http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2010/08/02/uribe-o-heroi-do-pig-f... )
No pós-golpe, economia hondurenha definha e desemprego dispara
Honduras enfrenta consequências da instabilidade política interna e da crise financeira internacional
Renato Godoy de Toledo
do enviado a Tegucigalpa (Honduras)
É sabido que o saldo de um ano de golpe em Honduras, na esfera política, tem a instabilidade e a repressão velada como principais características. No aspecto econômico, a situação acompanhou a piora e o país amarga as consequências da instabilidade política e da crise financeira internacional.
Segundo dados oficiais, o desemprego atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas, em um país com uma população total de menos de 8 milhões de habitantes. Ainda de acordo com estatísticas governamentais, um terço dos hondurenhos vive com menos de 20 lempiras (a moeda local) diárias, o equivalente a um dólar. Para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a renda inferior a um dólar diário configura pobreza extrema.
Com o salário mínimo elevado pelo presidente deposto Manuel Zelaya, em 2008, parte da população aponta que o problema do desemprego é fruto da política “populista” do ex-governante. Hoje, o déficit total de Honduras chega a 20 bilhões de dólares, o que equivale a 142% do PIB registrado em 2009. No ano do golpe, o país apresentou uma retração econômica de 2%. Por decreto, Zelaya colocou o salário mínimo a 290 dólares para os trabalhadores urbanos e 214 para os rurais.
Classes altas
Apesar das críticas do patronato e de setores conservadores, hoje, o salário mínimo considerado alto não supre as reais necessidades dos hondurenhos. Uma cesta básica com 30 itens para uma família de cinco membros vale 338 dólares.
O descontentamento com o momento econômico do país não se limita apenas aos mais pobres. Nas classes mais altas, há uma reclamação contra os pacotes econômicos apresentados pelo governo de Porfirio Lobo, que têm como principal marca o aumento de impostos.
No entanto, setores conservadores se valem das sanções econômicas promovidas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para argumentar que o problema hondurenho não tem relação com o golpe de Estado, mas com o bloqueio da ajuda financeira ao país centro-americano.
Direitos econômicos
Gilberto Ríos, da FoodFirst Information & Action Network (Fian), aponta uma piora significativa da condição de vida em Honduras no último período. “Além dos direitos humanos, o golpe tem repercussões ligadas aos direitos econômicos e sociais. A situação econômica e social do país piorou ainda mais. Há um maior desemprego e diminuição da renda da população e mais fome”, explica.
Para o ex-candidato à presidência de Honduras, Carlos H. Reyes, há um processo de piora econômica que tem sido combatido pelos membros da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), organização criada após o golpe de 2009.
De acordo com Reyes, que retirou sua candidatura no ano passado por considerar ilegítimo o processo eleitoral, a defesa de direitos econômicos e sociais têm sido tão importantes para a FNRP como as bandeiras da volta de Manuel Zelaya ao país e da instauração de uma Assembleia Nacional Constituinte.
“Esse governo já emitiu um pacote de impostos e tudo indica que vai impor outros. Estão nos levando aqui ao que está acontecendo na Grécia. Além de toda nossa luta pela Assembleia Nacional Constituinte, estamos em vigília em defesa dos nossos direitos sociais e econômicos. A situação no país piora por conta do desemprego e pelo fato de os EUA devolverem uma grande quantidade de imigrantes. E aqui não há trabalho”, relata.
Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/no-pos-golpe-ec... )
POVO CUBANO COMEMORA O DIA DA REBELDIA (57 ANOS)
Os cubanos comemoram, nesta segunda (26), o 57º aniversário do assalto ao Quartel Moncada. A data, maior festa da Revolução, é conhecida como o Dia da Rebeldia Cubana. O presidente Raúl Castro comandou ato na Praça Ernesto Che Guevara, em Santa Clara, onde repousam os restos do guerrilheiro argentino. Fidel, contudo, não esteve presente. Ele participou, no sábado (24), de uma cerimônia em memória dos ex-combatentes da revolução.
Povo de Cuba celebra a revolução
No ato desta manhã. Raúl foi aclamado pela multidão que, com gritos e palavras de ordem, expressou seu compromisso com e revolução, o socialismo e com o líder histórico Fidel Castro.
A direção do Partido Comunista dedica este 26 de julho ao libertador Simón Bolívar e ao Bicentenário das Independências na América Latina. A tomada do quartel por um grupo de jovens sob a liderança de Fidel Castro, em 1953, iniciou a luta contra ditadura de Fulgêncio Batista, que terminou com o triunfo revolucionário do dia 1º de janeiro de 1959.
Na ocasião, muitos guerrilheiros morreram e Fidel foi preso, julgado e condenado a 15 anos de prisão. Por ser advogado, ele se pronunciou em auto defesa diante do tribunal e, após 22 meses de prisão, foi libertado com a anistia geral de 1955.
Compareceram aos atos comemorativos os combatentes da revolução que participaram do histórico 26 de julho, expedicionários do Granma, habitantes da região, e outros lutadores cubanos. Também estiveram presentes membros do Comitê Político do Partido Comunista, dirigentes do Governo e das organizações de massas, das Forças Amadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, bem como uma ampla delegação da Venezuela.
Conquistas da Revolução
Em festejos prévios, no sábado, Raúl Castro listou as principais conquistas da revolução. "Cinqüenta e cinco anos é um período curto na vida de um povo, mas o suficiente para confirmar que o 26 de julho marcou o início de uma nova era na história de Cuba", disse o presidente.
Ele elogiou as palavras que seu irmão Fidel empregou, em 1973, durante o 20º aniversário do assalto ao quartel Moncada. Considerou que Fidel, a quem dedicou a celebração, expressou, de maneira exata e precisa, "a dura realidade que estava por vir e as formas de enfrentá-la."
"Em um dia como hoje, em 1973, Fidel afirmou que a única salvação para os povos da América Latina era unir-se e livrar-se da dominação imperialista, pois só assim conseguiriam um lugar entre as grandes comunidades humanas", disse ele.
Raúl afirmou ainda que, desde daquele "ato memorável de 1973, apenas as profundas convicções e a firme determinação de nosso povo para resistir e vencer tornaram possível a celebração, com orgulho e otimismo, de mais este aniversário."
Ele destacou que, em 1953, a expectativa de vida "em Cuba era de 59 anos, quase 20 a menos que a atual." Lembrou que "no passado, prevalecia o tempo de inatividade, as longas filas de desempregados, o desalojamento dos camponeses das terras que cultivavam e dos trabalhadores de suas casas porque não podiam pagar o aluguel; não devemos esquecer a imagem terrível de crianças morrendo de fome, implorando esmolas, sem médicos ou escolas."
Falou ainda dos últimos investimentos, apesar da difícil situação de Cuba, do incremento ao turismo e das ações realizadas com a colaboração da Venezuela. E levantou um grito, dizendo: "Em nome de todos os patriotas desta ilha, desde a heróica Santiago de Cuba, berço da revolução, Fidel, lhe dedicamos este aniversário e vamos continuar a sua iniciativa de 26 julho. Glória eterna aos nossos mártires! Viva a revolução! Viva Cuba livre!", encerrou, recebendo a resposta da multidão: "Viva!".
A homenagem de Fidel
Usando o simbólico verde-oliva, Fidel Castro alegrou os cubanos neste fim de semana ao visitar uma cidade próxima a Havana pela primeira vez em quatro anos, o que alimentou a discussão relativa a sua participação ou não na principal festa da revolução.
Para homenagear os rebeldes mortos no ataque ao Quartel Moncada, Fidel visitou no sábado um mausoléu em Artemisa, 60 km a sudoeste da capital, vestido com sua camisa militar tradicional, mas sem as insígnias de Comandante-em-chefe.
Segundo as imagens de televisão, Fidel - com uma boa aparência - depositou flores nos túmulos dos guerrilheiros que morreram no ataque a Moncada, primeira ação armada da Revolução Cubana, saudou o povo e leu em pé e com fluidez uma mensagem "aos combatentes revolucionários de toda a Cuba".
Foi a sexta aparição pública de Fidel Castro em 17 dias, mas a viagem a Artemisa marcou a primeira incursão fora de Havana desde que sua doença o tirou do poder, em julho de 2006.
Veja o vídeo com o discurso que Fidel pronunciou no sábado, sobre o 26 de julho:
Com Telesur e Prensa Latina
O povo que pode, o povo que constrói, tem a palavra!
Castiguemos com o repúdio coletivo os governantes vassalos
FARC-EP [*]
Estamos em marcha pela dignidade da pátria. A batalha pela
independência não terminou, entrou na sua fase decisiva. Não podemos
proclamar-nos livres quando a política de dominação de um império nos
subjuga e nos submete com a cumplicidade apátrida das oligarquias, e
nos aprisiona na desumanidade das cadeias da escravidão neoliberal.
Um país ocupado militarmente não é independente. Não podemos
declarar-nos soberanos quando a força militar de uma potência
estrangeira empesta com bases o território pátrio, pisoteia a
dignidade e a bandeira dos Estados Unidos tremula sobre a nossa
América.
Mas podemos sim proclamar-nos povo em luta pela liberdade!
Já estamos na batalha. Com a certeza de Bolívar, "todos os povos do
mundo que lidaram pela liberdade exterminaram por fim seus tiranos". A
justa causa dos povos não pode ser derrotada. A espada de batalha do
Libertador, agora nas mãos do povo, nos abrirá os caminhos da
esperança e triunfará na contenda da emancipação definitiva.
Desfraldemos hoje a auriflama tricolor do bicentenário como símbolo de
luta e homenagem aos libertadores que sonharam a Grande Nação de
Repúblicas, escudo do nosso destino, aos que nos deram pátria pensando
na humanidade e bateram-se nos campos de batalha para dignificar o
homem e a mulher americanos.
Como há duzentos anos "em Bolívar está a emancipação". Esta certeza
espargida sobre o céu da América pelo prócer Camilo Torres deve ser a
divisa da nossa campanha na alvorada do Socialismo e Pátria Grande que
ilumina o continente e a América insular. A colheita da semeadura
amorosa dos libertadores, concebida para os povos, não pode ser
usurpada nem um minuto mais pelos herdeiros de Santander e sua
perfídia; deve passar ao usufruto dos seus destinatários originais. O
sangue dos libertadores não adubou os campos de batalha para tornar
mais ricos os já ricos nem para facilitar novas cadeias coloniais e
sim para redimir o soberano, que é o povo.
Prestemos tributo nesta efeméride ao inca Tupac Amaru, ao comuneiro
José Antonio Galán, ao negro José Leonardo Chirinos e a todos os
esquartejados pela opressão criminosa da coroa espanhola. Honra à
jovem Policarpa Salavarrieta, arcabuzada pelos terroristas pacificados
encabeçados pelo general espanhol Pablo Morillo. Glória eterna a
Francisco José de Caldas, Camilo Torres Tenorio, a Francisco Carbonel
e a todos aqueles que, supliciados nos patíbulos, nos mostraram com o
seu exemplo o caminho da liberdade. Aos precursores da nossa
independência, Miranda, Nariño e Espejo, nosso reconhecimento eterno.
Temos que desenterrá-los, retirá-los das fossas do esquecimento nas
quais os confinou a mentirosa historiografia dos que desviaram o rumo
da pátria, para que continuem na batalha.
Ainda ressoava o eco da vitória de Ayacunho quando estalou a
contrarrevolução na ambição sem peias da oligarquia crioula pelo poder
político ilimitado. Ela encontrou na Doutrina Monroe intriga e alento
permanente para dividir o território e despedaçar a obra legislativa
bolivariana que pretendia dignificar o povo fazendo prevalecer o
interesse comum sobre o particular.
Tal como o havia prognosticado o Libertador, não tardaram em buscar um
novo amo. Combateram a concepção bolivariana da unidade de povos numa
Grande Nação, apoiados no sofisma da Doutrina Monroe. Ela foi o seu
acicate para assaltar o poder e alcançar o seu miserável sonho de
substituir os vice-reis na opressão. Essa doutrina era o disfarce da
avareza do Destino Manifesto anglo-saxão, que jamais pensou enfrentar
a armada colonial britânica nem a Santa Aliança que projetava
restaurar na América o predomínio do trono espanhol e sim anexar
repúblicas, saquear recursos e submeter politicamente.
Traíram a grandeza e trocaram a possibilidade do surgimento de um novo
poder continental, que fosse equilíbrio do universo, esperança da
humanidade, pelo ajoelhamento e a submissão a uma potência
estrangeira. Só lhes interessava assaltar o poder político com a ajuda
externa para acrescentar as suas fortunas pessoais e pô-las a salvo da
revolução social. Dóceis ao seu novo amo, desmobilizaram, por
conveniência recíproca, o exército libertador, único garante da
independência e das conquistas sociais, forças dissuasiva ao mesmo
tempo das ambições neocoloniais do governo de Washington.
Os cobiçosos e agressivos líderes do Norte, inspirados sempre no
cálculo aritmético, possuídos pela ambição de erigir a sua
prosperidade sobre a base do espólio dos povos do Sul, não podiam
tolerar a concretização do plano estratégico de Bolívar no Congresso
do Panamá que contemplava a formação de uma liga perpétua das nações
antes colônias espanholas, presidida por uma autoridade política
permanente, com um exército unificado concebido para a defesa e para a
campanha de libertação das ilhas de Cuba e Porto Rico, consideradas
por Washington como apêndices do seu espaço continental.
Mortificava-os a ideia do Libertador de tornar efetiva a cidadania
hispano-americana entre povos irmãos, o estabelecimento de um pode
político inimigo da escravidão e, sobretudo, o propósito de
impulsionar um regime de comércio preferencial que fizesse prevalecer
a cláusula de nação mais favorecida para as repúblicas irmãs
coligadas.
Todas estas medidas pensadas pelo Libertador Simón Bolívar para
preservar a independência e a dignidade das nações hispano-americanas
interpunham-se como fortificação inexpugnável frente às insólitas
pretensões do Destino Manifesto, embuste inventado pelos fundadores do
império para auto-legitimar a espoliação.
Por isso transmitiram aos seus ministros na Colômbia, México e Peru a
instrução perversa de estimular as rivalidades entre nossas
repúblicas, o espírito chauvinista, desencadear a espionagem, a
conspiração e a intriga, minar o prestígio do Libertador e por isso
Bolívar é alvo dos seus ataques furibundos.
Eliminar a figura política do Libertador, sua poderosa influência na
América Latina, foi a sua obsessão até causar a sua morte física e o
eclipse transitório do seu projeto político e social.
Todas as desgraças e misérias da Nossa América têm essa origem. "Os
Estados Unidos parecem destinados pela providência a praguejar a
América de misérias em nome da Liberdade", havia profetizado Simón
Bolívar.
A revolução ficou truncada, inconclusa desde 1830 pela acção predadora
da matilha de excludentes crioulos açulada e comandada pelo governo de
Washington.
"Toda revolução – dizia o Libertador – tem três etapas: a guerreira, a
reformadora e a de organização. A primeira etapa pertence ao passado;
foi obra dos soldados. A segunda fizemo-la com o Congresso de Cúcuta e
o governo de Bogotá. A terceira, a de organização, vou abordá-la no
Panamá".
Este é exactamente o ponto de partida para retomar a obra da
independência e da revolução. A 200 anos de iniciada a gesta
independentista o projeto de Bolívar continua a estar assombrosamente
válido, como se houvesse sido concebido para os tempos de hoje. O povo
que pode, o povo que constrói, tem a palavra. E agora Bolívar é o
próprio povo a empunhar a sua espada com a irredutível determinação de
lutar pela concretização do seu grande sonho.
Mas só o grito de independência não é suficiente; ficou demonstrado na
explosão simultânea de gritos que estremeceram o continente Sul,
afogados rapidamente pelas sanguinárias forças punitivas da coroa.
Nenhum povo pode alcançar a sua liberdade se não tiver uma força
própria. Desta vez o novo grito de independência deve ser o grito de
todos, o grito dos excluídos reforçado com a mobilização resoluta, com
a luta multiforme, com as armas da unidade, da inteligência e da
força. É a hora dos povos. Foram eles que combateram e combatem os que
contribuíram e contribuirão com milhares de heróis estelares e
anônimos. Foi o povo a força viva do exército bolivariano que derrotou
o regime colonial na América do Sul e será protagonista do triunfo
inevitável da revolução política e social.
Há uma espiral que ascende rumo à liberdade. A luta dos patriotas do
século XIX tem um fio condutor, uma articulação, com a dos patriotas
do século XXI. Aqueles desenvolveram a sua luta num agitado contexto
de crise do mundo colonial. Consolidava-se, sim, o sistema capitalista
com o saqueio e a escravidão de povos, mas ao mesmo tempo a invasão
napoleônica da Espanha estimulava na América hispânica a ruptura
radical com o regime colonial. A luta dos patriotas do século XXI pela
independência definitiva não só está ligada à derrota do sistema
capitalista e da dominação imperial como exige a superação desse
sistema decadente e a inauguração de uma nova era justiceira: a do
socialismo e da Pátria Grande. A atual crise estrutural do capitalismo
é o toque de clarim que anuncia ao povo que chegou o momento de
lançar-se à batalha definitiva pela emancipação.
A preocupação de Washington é Simón Bolívar ainda vivo e palpitante na
ânsia justiceira dos povos, a vigência do seu pensamento, do seu
projeto político e social, o reencontro dos excluídos com a história
verdadeira que lhe diz que foram eles, sua dignidade, o objeto
principal do projeto originário de nação.
Como vislumbram na consciência dos povos um obstáculo à espoliação,
recorrem à força e à instalação do poderio da sua tecnologia militar
para negar pela violência ou a dissuasão o que exigem o sentido comum
e a justiça. Não nascemos para sermos vassalos de ninguém, nem pátio
traseiro de nenhuma potência. A América do Sul pertence-nos porque
nascemos nela. Temos direito à dignidade humana e a construir o modelo
de sociedade que faça a nossa felicidade.
Que importa que os Estados Unidos instalem estrategicamente suas bases
militares no Caribe e no continente se estamos resolvidos a ser
livres? Como diria Bolívar na efervescência independentista da
Sociedade Patriótica: "ponhamos sem temor a pedra fundamental da
liberdade sul-americana; vacilar é sucumbir".
Oponhamos um escudo de dignidade latino-americana e caribenha às
incessantes agressões e desrespeitos do monstro do Norte, forjado este
escudo no mais duro e resistente aço da unidade. "Porque a divisão é o
que nos está matando", devemos destruí-la. A dispersão e a ausência de
unidade foram o que interpôs o tremendo abismo que nos separa do nosso
destino de Grande Nação, de potência de humanidade e liberdade.
Rompamos as cadeias mentais e culturais que agrilhoam a consciência
coletiva. Nosso dever é não ouvir o escravizante canto de sereia do
império e escutar a palavra amorosa do pai e Libertador, que nos diz:
"unidos seremos fortes e mereceremos respeito; divididos e isolados,
pereceremos". A unidade é a nossa força e a nossa esperança.
Recusemos com decoro pátrio as bases e instalações operativas da
avançada do exército dos Estados Unidos na Colômbia. Castiguemos com o
repúdio coletivo os governantes vassalos, de colônia, que permitiram o
ultraje e que cederam o território como base de agressão ianque contra
os povos do continente; os apátridas que ajoelharam durante 200 anos a
nossa dignidade perante a águia imperial e que cravaram a adaga da
política neoliberal e do Fundo Monetário Internacional no coração da
Colômbia hemisférica; os desavergonhados peões do império que prestam
seu sentimento escravo para atalhar em nome de Washington a incontível
onda bolivariana que percorre o continente.
A marcha patriótica bicentenária está em movimento. Como dizia
Bolívar: "o impulso da revolução está dado, já nada o pode conter
(...) O exemplo da liberdade é sedutor, e o da liberdade interna é
imperioso e arrebatador (...) Devemos triunfar pelo caminho da
revolução e não por outro (...) A lei da repartição de bens é para
toda Colômbia".
A mobilização de povo começou. Já estamos na batalha. Com a espada do
Grande Herói triunfará a independência definitiva, a Pátria Grande e o
Socialismo.
Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 15 de Julho de 2010
Ano bicentenário do grito de independência
[*] Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia–Exército do Povo
O original encontra-se em www.resumenlatinoamericano.org, Nº 2236
Reproduzido de http://resistir.info/ . 22/Jul/10
Por que Chávez rompeu relações com a Colômbia
Breno Altman - Opera Mundi
Nas últimas semanas, o presidente venezuelano Hugo Chávez passou diversos sinais conciliadores para o mandatário eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que tomará posse dia 7 de agosto. O retorno também foi promissor: o novo chefe de Estado colombiano revelou-se disposto a construir uma agenda positiva, que permitisse o pleno reatamento entre os dois países.
Mas a aproximação foi fulminada pela ação de Álvaro Uribe, desconfortável com a autonomia de seu sucessor e o risco de perder espaço na vida política do país. Mesmo sem qualquer incidente que servisse de pretexto, jogou-se nos últimos dias a reativar denúncias sobre supostos vínculos entre as Farc e a administração chavista.
O ápice da performance uribista foi a atual reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos), que se realiza em Washington. Bogotá apresentou provas para lá de duvidosas, que sequer foram corroboradas por seus aliados tradicionais, de que a Venezuela estaria protegendo e acobertando atividades guerrilheiras. A reação de Caracas foi dura e imediata.
A decisão pela ruptura de relações diplomáticas, no entanto, pode ser provisória. O próprio presidente Chávez, nas primeiras declarações a respeito dessa atitude, reafirmou a esperança de que Santos arrume a bagunça armada pelo atual ocupante do Palácio de Nariño. Mas reiterou sua disposição de enfrentar e desqualificar a estratégia de Uribe.
O presidente colombiano parece mirar dois objetivos. O primeiro deles é interno: a reiteração da “linha dura” como política interna facilita sua aposta de manter hegemonia sobre os setores militares e sociais que conseguiu agregar durante seu governo. O segundo, porém, tem alcance internacional. O uribismo é parte da política norte-americana para combater Chávez e outro governos progressistas; mesmo fora do poder, o líder ultradireitista não quer perder protagonismo e se apresenta como avalista para manter Santos na mesma conduta.
Fontes do Palácio de Miraflores não hesitam em afirmar que as provocações de Uribe, além de fixar seu alvo no presidente venezuelano, seriam estranhamente coincidentes com o discurso de José Serra e Indio da Costa no Brasil, retomando a pauta de eventuais relações entre o PT e a guerrilha colombiana. Esses analistas afirmam que o governante de Bogotá deu um lance para se manter em evidência na disputa regional entre os blocos de esquerda e direita.
Autoridades venezuelanas, nos bastidores, se empenham para que haja uma condenação generalizada, dos países latino-americanos, à conduta de Bogotá e ao cúmplice silêncio norte-americano. Não desejam que outras nações sigam o caminho da ruptura, mas Chávez parece convencido que seu colega colombiano não poderá ser detido com meias-palavras ou atos de conciliação.
Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi
A carta do embaixador da Venezuela ao Estadão
A O Estado de S.Paulo
Sr. Ruy Mesquita diretor de Opinião
Sr. Antonio Carlos Pereira editor responsável de Opinião
Sr. Ricardo Gandour editor de Conteúdo
Senhores,
É com grande preocupação e mal-estar que a República Bolivariana da Venezuela, por meio de seu Embaixador no Brasil, dirige-se a esse jornal, de reconhecidas qualidade e tradição entre os veículos da imprensa brasileira. E a razão não é outra senão nossa surpresa e indignação com os termos e o tom de que sua edição de hoje (20/07/10) lança mão para atacar o presidente de um país com o qual o Brasil e os brasileiros mantêm relações do mais alto nível e qualidade.
O respeito à plena liberdade de imprensa e de expressão é cláusula pétrea de nossa Constituição e valor orientador do governo de nosso país. A estas diretrizes, no entanto, cremos que devam sempre estar associadas a lhaneza na referência a autoridades constituídas democraticamente eleitas e a plena divulgação de todos os fatos associados a uma cobertura jornalística.
Cremos descabido que um jornal como O Estado de S.Paulo se refira ao presidente Hugo Chávez, eleito e reeleito pelo voto livre da maioria dos venezuelanos, com o uso de termos e expressões como lúgubre circo de Chávez, autocrata, protoditador, circo chavista, caudilho, lúgubre picadeiro, costumeira ferocidade, rugiu, toque verdadeiramente circense da ofensiva chavista no gênero grand guignol.
Mais graves ainda são a distorção e ocultação de informações que maculam os textos hoje publicados.
O presidente Hugo Chávez nunca atropelou a Constituição Bolivariana, instituída por Assembleia Nacional e referendada em plebiscito. Ao contrário, submeteu-se, inclusive, a referendo revogatório de seu próprio mandato, prática democrática avançada que pouquíssimos países do mundo têm o orgulho de praticar.
O editorial omite que o cardeal Jorge Savino já foi convocado pela Assembleia Nacional para apresentar provas de sua campanha difamatória frente aos deputados também democraticamente eleitos , mas o mesmo rechaçou a convocação. Prefere manter suas acusações deletérias a apresentar aos venezuelanos e à opinião pública internacional os fatos que lastreariam suas seguidas diatribes.
Outros trechos do texto só podem ser lidos como clara campanha de acobertamento de um terrorista, como o é, comprovadamente, Alejandro Peña Esclusa: O advogado de Esclusa assegura que o material foi plantado pelos policiais que invadiram a casa de seu cliente - considerando o retrospecto, uma acusação mais do que plausível (grifo nosso)
Esclusa foi preso em sua residência em posse de explosivos, detonadores e munição, após ter sido denunciado, em depoimento à polícia, pelo terrorista confesso Francisco Chávez Abarca - este criminoso, classificado com o alerta vermelho da Interpol, foi preso em solo venezuelano quando dirigia operação de terror, visando desestabilizar o processo eleitoral de setembro deste ano.
A prisão de Esclusa ocorreu de forma pacífica, com colaboração de sua família, e segue os ritos jurídicos normais: ele tem advogado constituído, direito a ampla defesa e será julgado culpado ou inocente de acordo com o entendimento da Justiça, poder independente de influência governamental ou partidária, assim como no Brasil.
Inadmissível seria o governo da Venezuela ter permitido que um terrorista ceifasse vidas e pusesse em risco a democracia, que nos esforçamos arduamente para defender, ampliar e aprimorar em nosso país, assim como o fazem, no Brasil, os brasileiros.
O Estado de S.Paulo tem pleno conhecimento desses fatos, tendo inclusive recebido, em 14/07/10 a Nota de Esclarecimento desta Embaixada, a respeito do desbaratamento da operação terrorista internacional que estava em curso (cópia anexa). O responsável pela editoria Internacional, Roberto Lameirinhas, inclusive confirmou seu recebimento à nossa assessoria de comunicação.
Daí manifestarmos nossa estranheza com a reiterada negativa do jornal em dar tais informações a seus leitores. E ainda tomando como verdade declarações do advogado do referido terrorista.
Temos certeza que os senhores não desconhecem, até pela história recente do Brasil, o quão frágil pode ser a liberdade diante do autoritarismo tirano da intolerância e do uso do terror como método de ação política.
Reafirmamos que não nos cabe emitir qualquer juízo de valor sobre as opiniões político-ideológicas do jornal dirigido por V. Sas., por mais que delas discordemos. O que nos leva a enviar-lhes esta correspondência é, tão somente, a solicitação de que se mantenha a veracidade jornalística e o respeito que se deve sempre às pessoas, sejam ou não autoridades constituídas, mesmo quando o jornal as considere, de moto próprio, como seus inimigos ou desafetos.
Esta Embaixada permanece à disposição do jornal e de seus leitores, para esclarecimentos adicionais sobre quaisquer dos assuntos supracitados, bem como de novos temas julgados pertinentes e reivindica, formalmente, a publicação da presente carta, com o mesmo destaque dado ao editorial de hoje, intitulado O lúgubre circo de Chávez, publicado à página A3.
Atenciosamente,
Maximilien Arvelaiz
Embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil
Brasília, DF
Fonte:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-carta-do-embaixador-da-venezue...
Nicarágua: saúde gratuita e de qualidade para todos
Manágua, (Prensa Latina)
Em aproximadamente três anos e meio, a atenção
sanitária na Nicarágua deixou de ser uma prática elitista e controlada
pelas regras do mercado, e se converteu em uma prioridade governamental
e um direito de toda a população. Os avanços conseguidos neste campo
desde que os sandinistas assumiram pela segunda vez o governo desta
nação centro-americana, em janeiro de 2007, são enormes e respondem a
uma política de Estado concebida a partir do critério de que a saúde é
um direito fundamental de toda a população e é uma obrigação
governamental brindar uma atenção de qualidade, de maneira eficiente e
gratuita.
Depois de 17 anos de governos neoliberais (1990-2006), uma das primeiras
decisões adotadas pelo presidente Daniel Ortega foi decretar a
gratuidade da atenção médica em hospitais e centros de saúde, incluindo
os exames de laboratórios e com equipes de alta tecnologia, que depois
se estendeu aos medicamentos prescritos nessas unidades.
Essa medida possibilitou o acesso à atenção médica de grande parte da
população nicaragüense, sobretudo a de menores rendimentos, até então
impedida de pagar os altos custos de hospitais privados e inclusive
públicos.
Por exemplo, no Centro Nacional de Cardiologia realizaram-se, em 2007,
2.898 eletrocardiogramas, mas a cifra subiu a 7.932 em 2009 e só durante
o primeiro semestre deste ano se reportaram 4.500.
Há três anos, os nicaragüenses deviam pagar por um eletrocardiograma o
equivalente a uns 30 dólares por exame, mas desde 2007 realizam-se
gratuitamente em todos os hospitais públicos e centros assistenciais
controlados pelo Ministério de Saúde (Minsa).
Mas de pouco serve a gratuidade da atenção médica se são escassos os
centros assistenciais e os que existem não dispõem de recursos humanos e
técnicos necessários.
Concentrada principalmente em Manágua e em algumas outras cidades, a
infra-estrutura de saúde pública que encontrou o governo sandinista em
2007 estava marcada pela corrupção e pelo abandono de três
administrações neoliberais precedentes.
Não existiam máquinas de hemodiálise em nenhum dos hospitais públicos do
país, e muito menos equipes para realizar tomografias, ressonâncias
magnéticas, ecocardiogramas e outros exames especializados.
Tudo isso começou a mudar rapidamente, graças a importantes e
sustentados investimentos governamentais e à ajuda brindada pelos países
da Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (ALBA), principalmente
de Cuba e Venezuela.
A infra-estrutura
Em três anos e meio, foram consertados e acondicionados dezenas de
hospitais e centros de saúde em todo o país e se construíram outros,
principalmente em zonas do interior onde praticamente nunca antes houve
atenção médica à população.
Na primeira semana de julho e em comemoração ao XXXI aniversário do
triunfo da Revolução Sandinista, a ministra de Saúde, Sonia Castro,
anunciou a inauguração, no mês, de 15 novas unidades sanitárias, entre
elas quatro hospitais primários.
Há uma melhora na infra-estrutura e pouco a pouco estamos investindo num
modelo de saúde que encontramos fracassado; sabemos que as necessidades
são grandes, mas vamos avançando, disse a titular do Minsa.
Na aplicação de sua política sanitária, o governo sandinista tem
outorgado a prioridade à prevenção e a partir desse conceito
intensificou-se a atenção às grávidas e multiplicam-se os programas de
vacinação, sobretudo à população infantil, o que permitiu eliminar ou
reduzir a incidência de doenças como a poliomielite, o tétano neonatal,
o sarampo, a rubéola e outras. Ao mesmo tempo trabalhou-se intensamente
na formação de novos médicos, pessoal de enfermaria e técnicos da saúde,
com vocação de serviço solidário e humanista, alheia a conceitos
mercantilistas.
Ao pujante movimento de médicos sandinistas que se move por todo o país,
unem-se pouco a pouco os graduados das universidades locais, bem como os
mais de mil jovens que a Nicarágua enviou à Escola Latino-americana de
Medicina (ELAM) de Havana, e os mais de 200 que estudam na Venezuela.
O esforço realizado ao longo de mais de três anos possibilitou que, no
final de maio, o representante permanente na Nicarágua da Organização
Panamericana de Saúde (OPS), Jorge Luis Prósperi, destacasse as
conquistas do governo sandinista em matéria de saúde.
Nicarágua é um dos países com mais alta cobertura de vacinação no
continente, disse o servidor público, e acrescentou que nem na América
do Sul nem na Central atingem-se cifras acima de 95 por cento na maioria
das vacinas como na Nicarágua e isso só se consegue com um compromisso
político muito forte do governo.
A julgamento de Prósperi, as limitações são basicamente financeiras, mas
para chegar a essa meta conta-se com uma forte política sanitária e o
país tem um plano de saúde e um modelo de organização dos sistemas
sanitários locais que são exemplos para a América.
A colaboração cubana
A colaboração cubana neste esforço é notável. A brigada Ernesto Che
Guevara, integrada por uns 180 especialistas, opera em dois hospitais,
um no município Muelle de los Bueyes, na Região Autônoma do Atlântico
Sul (RAAS), e outro em Waspán, na Região Autônoma do Atlântico Norte
(RAAN), zonas de assentamento tradicional dos povos originários.
O pessoal médico da Che Guevara está presente também nos departamentos
de Matagalpa e Rio San Juan, e seus técnicos operam as equipes vindas da
Venezuela para o Centro de Alta Tecnologia do capitalino hospital Lenin
Fonseca.
Também integram essa brigada os 45 médicos e técnicos que operam os
quatro hospitais oftalmológicos criados na Nicarágua como parte da
Operação Milagro, instalados em Cidade Sandino, Matagalpa, Bluefields e
Puerto Cabezas, onde, em conjunto realizaram-se até agora mais de 67 mil
operações cirúrgicas em pessoas com problemas visuais.
A maior parte dessas operações foi realizada em pessoas afetadas por
cataratas ou pterigium e foi totalmente gratuita, algo muito importante
se se tiver em conta que uma operação desse tipo custa em um hospital
privado da Nicarágua em torno de 900 dólares.
Outra colaboração cubana de grande impacto social é a que protagonizam
os 64 especialistas e técnicos da Ilha que integram a Brigada Todos com
Voz, que desde outubro de 2009 realiza o Estudo Psico-social, Pedagógico
e Clínico-Genético das Pessoas com Incapacidades em todos os
departamentos da Nicarágua.
Essa brigada, integrada também por 25 médicos nicaragüenses, completou
já esses estudos em Masaya, Matagalpa, Chinandega, Managua, León,
Jinotega, Nueva Segovia, Estelí e a princípios de julho estava a ponto
de terminar em Chontales.
Até o dia 6 desse mês tinham estudado um total de 88.419 pessoas com
diversos tipos de incapacidades, para o que visitaram mais de 131 mil
moradias.
Esses estudos permitem registrar informação que antes não existia sobre
as pessoas incapacitadas, o que possibilita ao governo elaborar e
aplicar programas de atenção para melhorar a qualidade de vida desse
vulnerável setor da população.
(*) O autor é co-responsável da Prensa Latina na Nicarágua.
Como os 'dissidentes' de Cuba seriam tratados em outros países?
Em Cuba, existem cerca der 50 pessoas a quem os grandes meios de comunicação classificam como "presos políticos", "presos de consciência" ou "dissidentes". Os governos dos países mais poderosos e ricos do mundo se apóiam neste argumento para pressionar o governo cubano e forçar mudanças na ilha de acordo com seus interesses políticos e econômicos. A conhecida e prestigiosa organização Anistia Internacional também qualifica com estes termos estas pessoas. Porém, o que há de correto em tudo isso?
É preciso recordar que nenhum dos chamados "dissidentes" foram penalizados por delitos de opinião, mas por sua colaboração direta com o governo dos Estados Unidos por diferentes meios, basicamente a recepção de fundos econômicos.
Esta superpotência, cuja economia representa hoje cerca de um terço de toda a economia mundial, mantém um bloqueio econômico que provoca graves privações à população da ilha e que já foi condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 18 ocasiões. Além disso, protege em seu território pessoas responsáveis por centenas de vítimas de atos terroristas na ilha e mantém ocupada uma parte do território do país, a Baía de Guantânamo, contra a vontade expressa do povo e do governo cubanos.
Quer dizer, o governo dos Estados Unidos mantém uma guerra aberta e declarada contra Cuba, com o objetivo de derrubar o sistema político e social vigente na ilha. Para isso, destinou, só nos anos 2007 e 2008, US $ 45,7 milhões para os chamados "dissidentes", e outros US $ 100 para organizações radicadas nos Estados Unidos que atuam, em muitos casos, como financiadores intermediários dos mesmos.
Os delitos dos chamados " dissidentes", portanto, não têm nada a ver com a liberdade de expressão, mas com colaboração com uma superpotência estrangeira inimiga.
Mas o que aconteceria em outros países com pessoas com atuações semelhantes? (1)
O Código Penal dos Estados Unidos prevê uma pena de 20 anos para quem preconize a derrubada do governo ou da ordem estabelecida. Estipula 10 anos de prisão para quem emita "falsas declarações", com o objetivo de atentar contra os interesses dos Estados Unidos em suas relações com outra nação. E pena de três anos para quem "mantenha (...) correpondência ou relação com um governo estrangeiro (...). com a intenção de influir em sua conduta (...) a respeito de um conflito ou uma controvérsia com os Estados Unidos".
O Código Penal espanhol castiga com pena de 4 a 8 anos a quem "mantiver relações de inteligência ou relação de qualquer gênero com governos estrangeiros (...), a fim de prejudicar a autoridade do Estado ou comprometer a dignidade ou os interesses vitais da Espanha". Prevê pena de 10 a 15 anos aos responsáveis por crime de "rebelião", aplicado a quem se "levante violenta e publicamente" com objetivos como: derrubar ou modificar a Constituição, destruir ou suprimir faculdades do rei da Espanha.
A França castiga com pena de até 30 anos e multa de € 450 mil "o feito de manter relações de inteligência com uma potência estrangeira, (...) com vistas a sucitar hostilidades ou atos de agressão contra a França".
A Itália sanciona com pena entre 3 e 10 anos o " cidadão que, inclusive indiretamente, receba (...) do estrangeiro (...) dinheiro ou qualquer outro artigo (...) com o objetivo de cometer atos contrários aos interesses nacionais", com um incremento de pena se "o dinheiro (...) se entrega ou se promete mediante propaganda na imprensa".
Em qualquer um dos citados países, e em outros não mencionados, os denominados "dissidentes" cubanos receberiam, então, penas muito superiores que aquelas recebidas por seus delitos em Cuba. Contra todos eles (os dissidentes), ficou provado o recebimento, direto ou indireto, de fundos do governo dos Estados Unidos e colaboração com a política de guerra contra a ilha.
O pesquisador francês Salim Lamrani define a Anistia Internacional como uma organização "reconhecida por sua serenidade, profissionalismo e imparcialidade", porém critica seu tratamento em relação a Cuba. "A Anistia Internacional faria bem em reconsiderar seu juízo a respeito daqueles que considera presos de consciência em Cuba, pois ter duas medidas é inaceitável", afirma o professor.
(1) Salim Lamrani, “Las contradicciones de Amnistía Internacional”, no Rebelión de 7 de maio de 2008. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=67001
Fonte: Kaos en la Red, tirado de vídeo produzido por Cubainformación.
Tradução: portal Vermelho
Ocupação Silenciosa
Luís Carapinha*
Fonte: http://www.odiario.info/?p=1672
Neste texto, Luís Carapinha diz-nos que os EUA prosseguem o caminho iniciado de reintervenção na América Latina com o golpe de Estado nas Honduras: “Obama prossegue assim o bloqueio contra Cuba e intensifica a conspiração contra a Venezuela e os restantes países da ALBA, ao mesmo tempo que apoia a agenda da grande burguesia, como mostram os casos do Brasil e da Argentina. Reverter e derrotar as singulares experiências de transformação revolucionária e desarticular os diferentes espaços de integração latino-americana é condição essencial para a recolonização imperialista do sub-continente.”
Um ano após o golpe de Estado nas Honduras os EUA prosseguem a senda desenfreada de militarização do continente americano. A última investida corresponde à ocupação silenciosa da Costa Rica. Os factos são simples: com o apoio da presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, o parlamento do país centro-americano aprovou há dias um «acordo de segurança» com os EUA que prevê a entrada no seu território de sete mil soldados norte-americanos que se farão acompanhar por cerca de 50 vasos de guerra, incluindo um porta-aviões, e mais de duas centenas de helicópteros e aviões de combate.
A razão invocada para a deslocação do impressionante aparato bélico é no mínimo risível – o combate contra o narcotráfico. Ainda mais quando se sabe que os EUA são o maior consumidor mundial de drogas e que a Colômbia e o Peru, países que se encontram na órbita estadunidense, são os dois maiores produtores mundiais de cocaína.
O caso é muito sério. Depois da reactivação da IV Frota para a América Latina, ainda com Bush, e do afastamento do presidente Zelaya, já com Obama, os EUA estabeleceram mais sete bases militares na Colômbia, recuperaram a estratégica presença militar no Panamá – um dos resultados imediatos da eleição presidencial em 2009 de Martinelli –, invadiram o paupérrimo e destroçado Haiti e ampliaram a presença militar nas próprias Honduras, onde sob a fachada democrática resultante de umas eleições fraudulentas segue a campanha de violência e assassinatos do poder golpista.
A literal ocupação da Costa Rica – sem direito ao estatuto de notícia no «grande espaço mediático» – é particularmente escandalosa, pois, que se saiba, a Constituição ainda vigente em San José proíbe a presença de forças armadas no seu território, que aboliu em 1948, e proclama o país como zona de paz.
É certo que políticos como o anterior presidente, Óscar Arias – o eterno mediador do imperialismo – nunca regatearam esforços em melhor servir os interesses dos EUA na zona do seu «quintal das traseiras». Foi sob a sua alçada e não obstante o forte repúdio popular que a Costa Rica implementou em 2009 um Tratado de Livre Comércio com os EUA. É na sua esteira que Chinchilla, em cujo curriculum consta o facto de ter trabalhado para agências ligadas à CIA, como a USAID, e que tal como Arias integra a Internacional Socialista, pactua agora para tornar a Costa Rica num chinelo do imperialismo.
Trata-se este de mais um relevante sinal da contra-ofensiva dos EUA na América Latina. Cujo raio de acção não está circunscrito à obstinação em criar uma zona tampão na América Central e à ameaça directa aos governos da FSLN e FMLN, na Nicarágua e El Salvador. A preocupação central a que o Pentágono tenta dar resposta tem como foco principal os processos de resistência, acumulação de forças e mesmo transformação que se desenvolvem na América Latina.
Obama prossegue assim o bloqueio contra Cuba e intensifica a conspiração contra a Venezuela e os restantes países da ALBA, ao mesmo tempo que apoia a agenda da grande burguesia, como mostram os casos do Brasil e da Argentina. Reverter e derrotar as singulares experiências de transformação revolucionária e desarticular os diferentes espaços de integração latino-americana é condição essencial para a recolonização imperialista do sub-continente.
A irreprimível ambição de hegemonia absoluta obrigam doentiamente a economia mais endividada e parasitária do mundo a canalizar verbas astronómicas para a guerra. Munidos da doutrina do Ataque Imediato Global, porta-aviões e forças navais da super-potência imperialista sulcam os mares do mundo, das águas do Golfo Pérsico e costas iranianas até às cercanias da China.
Em plena crise do capitalismo, crescem exponencialmente os perigos do imperialismo e a máquina bélica dos EUA precipitarem novos focos de tensão e Guerra. Realidade a exigir impostergáveis e efectivas respostas em defesa da vida e da Paz.
* Analista de política internacional
Este texto foi publicado no Avante nº 1911 de 15 de Julho de 2010.
Financiamento dos EUA a meios e jornalistas venezuelanos
Documentos revelam financiamento dos EUA a meios e jornalistas venezuelanos
Mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências
estadunidenses e 25 páginas da internet foram financiadas na Venezuela
com o dinheiro estrangeiro.
Por Esther Banales Eva Golinger
Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos
Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas
siglas em inglês) evidenciam mais de 4 milhões de dólares em
financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos
anos.
O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de
Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação
Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês),
Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos
Estados Unidos (Usaid).
Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de
Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas
recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento
datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais
organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e
Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).
Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as
encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do
Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e
jornalistas venezuelanos.
Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou
programas na Venezuela dedicados à "promoção da liberdade dos meios e
das instituições democráticas", além de cursos de formação para
jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao
que considera as "constantes ameaças contra a liberdade de expressão"
e "o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios".
Financiamento a páginas web anti Chávez
Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu 699.996 dólares do
Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao "desenvolvimento dos
meios independentes na Venezuela" e para o jornalismo "via tecnologias
inovadoras". Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas
foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25
páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro.
Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em
âmbito nacional, que também incluiu a outorga de "prêmios" de 25 mil
dólares a vários jornalistas.
Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de
páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que
utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo
venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a
realidade sobre o que acontece no país.
Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram
jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso
dessas tecnologias e para criar o que chamam uma "rede de
ciberdissidentes" na Venezuela.
Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush,
juntamente com a organização estadunidense Freedom House convocou um
encontro de "ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos" e
"especialistas em Internet" para analisar o "movimento global de
ciberdissidentes". Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas,
foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da
Venezuela.
No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México
foi a sede da II Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis ("AYM", por
suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o
evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary
Clinton e vários "delegados" convidados pela diplomacia estadunidense,
incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana
Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera,
Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora
membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon
Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.
Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House,
o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o
Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de
"capacitação e formação" dos funcionários estadunidenses e dos
criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e
Youtube.
Financiamento a universidades
Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de
716.346 dólares via organização estadunidense Freedom House, em 2008,
para um projeto de 18 meses dedicado a "fortalecer os meios
independentes na Venezuela". Esse financiamento através da Freedom
House também resultou na criação de "um centro de recursos para
jornalistas" em uma universidade venezuelana não especificada no
relatório. Segundo o documento oficial, "O centro desenvolverá uma
rádio comunitária, uma página web e cursos de formação", todos
financiados pelas agências de Washington.
Outros 706.998 dólares canalizados pela Fupad foram destinados para
"promover a liberdade de expressão na Venezuela", através de um
projeto de 2 anos orientado ao jornalismo investigativo e "às novas
tecnologias", como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre
outras. "Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e
apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias
midiáticas em várias regiões da Venezuela".
"A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo
investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação
independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos
e incorporados no currículo universitário".
Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a
Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a
Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de
pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos,
financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três
universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis
antichavistas durante os últimos três anos.
Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios
privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu 545.804
dólares para um programa intitulado "Venezuela: As vozes do futuro".
Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a "desenvolver uma nova
geração de jornalistas independentes através do uso das novas
tecnologias". Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e
televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos
artigos e transmissões dos "participantes" do programa.
A Usaid e a Fupad
Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em
Caracas, que maneja um orçamento anual entre 5 a 7 milhões de dólares.
Esses milhões de dólares fazem parte dos 40 a 50 milhões de dólares
que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses
estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.
A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela
desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país
sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de
Estado em 1962, e é "filiada" à organização de Estados Americanos
(OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo
Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para
"promover a democracia" e "fortalecer a sociedade civil" na América
Latina e Caribe.
Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima
de 100 milhões de dólares na Colômbia, como parte do Plano Colômbia,
financiando "iniciativas" na zona indígena em El Alto; e leva 10 anos
trabalhando em Cuba, de forma "clandestina", para fomentar uma
"sociedade civil independente" para "acelerar uma transição à
democracia".
Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para "fortalecer os grupos locais
da sociedade civil". Segundo um dos documentos desclassificados, a
Fupad "tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido
outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs
venezuelanas".
Os "sócios" venezuelanos
Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo
jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web
(www.espaciopublic.org) destacar que a organização é "independente e
autônoma de organizações internacionais ou de governos", os documentos
do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento
multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses
documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não
somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como
seus "sócios" e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação
e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle
sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos
Estados Unidos.
O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um
porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment
for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o
Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald
Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é
membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão
(IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de
Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela
NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para
a Assistência para uma Cuba Livre.
Ver os documentos em:
http://centrodealerta.org/noticias/eeuu_financia_a_medios_y_pe.html
Publicado e traduzido por Adital.
PANAMÁ - Pedidos de ajuda para conter repressão chegam à OIT
Pedidos de ajuda para conter repressão contra trabalhadores chegam à OIT
Fonte: Adital
A fim de conter as investidas violentas e a repressão contra os
trabalhadores grevistas ordenadas pelo governo de Ricardo Martinelli,
o secretário geral da ‘Internacional de Trabalhadores da Construção e
da Madeira (ICM)’, Alberto Emilio Yuson, pediu à interferência da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos conflitos pela
derrogação da Lei 30. As manifestações ocorrem no Panamá desde o
último dia três e tiveram início no município de Bocas Del Toro.
Em carta enviada ontem (15), Emilio Yuson pediu ao diretor geral da
OIT, Juan Somavía, que ative o mecanismo de intervenção urgente,
devido à situação de perseguição e detenção arbitrária sofrida por
líderes sociais de diversas categorias e por dirigentes sindicais,
sobretudo do Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da
Construção e Similares (Suntracs).
Segundo informações da agência de notícias Rebanadas de Realidad, na
solicitação enviada à OIT, o secretário geral da ICM descreve os
transtornos e violências a que os manifestantes estão sendo submetidos
ao realizarem mobilizações e greves para reivindicar a derrogação da
Lei 30, mecanismo que vulnera os direitos humanos, trabalhistas e
ambientais.
Recebeu destaque na carta enviada à OIT, a situação vivida em Bocas
Del Toro e na capital, Cidade do Panamá, onde os confrontos com as
forças nacionais resultaram em centenas de feridos, muitos dos quais
correm o risco de ficarem cegos devido aos tiros e à violência
policial. Os confrontos também deixaram um saldo de mortos, mas ainda
não há um consenso sobre o número real. É certo que pelo menos duas
pessoas perderam a vida devido à repressão.
Emilio Yuson revelou ainda que o governo emitiu ordens de prisão
contra membros da Junta Diretiva do Suntracs, situação que forçou os
trabalhadores a se manterem escondidos até que as ordens caíssem.
Depois de muita pressão, Jaime Caballero, subsecretário geral do
Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da Construção e
Similares (Suntracs) e integrante da Frente Nacional pela Defesa dos
Direitos Econômicos e Sociais (Frenadeso), detido desde o dia 10, foi
liberado na noite de ontem (15). Desde então, ele se mantinha em greve
de fome.
O dirigente sindical foi preso pelos agentes do Conselho de Segurança
durante as repressões empreendidas em Bocas del Toro e levado à prisão
da Direção Nacional de Investigação Judicial da Polícia Nacional.
Os movimentos sindicais panamenhos denunciaram a irregularidade desta
e de outras detenções, como a dos dirigentes Ronaldo Ortiz e Alexis
Garibaldi. Segundo Informações do Instituto Observatório Nacional, os
presos não foram informados sobre os motivos de sua prisão e estão
sendo impedidos de contatarem advogados.
Outras situações irregulares também estão marcando este capítulo de
greve no Panamá. No último dia 10, cerca de 300 pessoas foram detidas
quando saiam do Encontro Nacional de Dirigentes Populares, realizado
na Cidade do Panamá. Antes disto, pelo menos 10 dirigentes sindicais e
trabalhadores já haviam sido alvos de detenções arbitrárias.
Na segunda-feira (12), o Fórum de Advogados pela Liberdade entrou com
pedidos de habeas corpus e, por este motivo, 127 pessoas tiveram suas
ordens de condução suspensas.
O pau que dá em Chávez, não dá em Berlusconi nem em Calderón
O prognóstico da tal "crise fatal" do governo Chávez parece não estar se confirmando. O curioso é que já li isso na mídia em umas 10 ocasiões. Claro que é prudente esperarmos as eleições, mas o fato é que ele já está novamente com um nível de aprovação de razoável para confortável: 61%. *1
Na verdade, retomei o assunto porque queria mostar-lhes, vejam que curioso, como o mundo dá voltas. Observem o que está ocorrendo com dois governos marcadamente de direita:
Governo Berlusconi sofre terceira baixa em dois meses *2
Calderón anuncia saída de ministros do Interior e da Economia *3
Agora eu pergunto, alguém ficou sabendo disso? O jornal O Globo botou em 1a página? A Miriam Leitão fará uma coluna inteira criticando esses governos? As profecias catastróficas do PIG vão surgir para estes presidentes?
Coletei algumas frases da cobertura deste mesmo jornal da época em que o tema era a saída de ministros do governo venezuelano. Percebam a diferença clara no destaque e no tom:
1) *4
"Renúncia de Ramón Carrizález, homem de confiança de Hugo Chávez, agrava crise na Venezuela"
"(...) o governo venezuelano liderado por Hugo Chávez deu na segunda-feira outro grave sinal de desgaste"
"Para analistas, a demissão do vice-presidente agrava a crise política no país."
"A saída de Carrizález é mais um capítulo da atual instabilidade enfrentada pelo presidente Chávez - cuja luta pela implantação de "um socialismo para o século XXI" parece entrar em colapso."
"A recente e forçada desvalorização do bolívar e a escalada da inflação - que especialistas acreditam que possa subir a 60% nos próximos meses - afundam a economia."
2) *5
"O governo se esfarela com a saída dos ministros (...)"
"A bonança terminou e levou a conta para o caudilho."
"Os venezuelanos pagam caro pela opção assistencialista do governo"
"O descontentamento popular se amplia."
É assim que a gente desmascara a manipulação desse caras! :)
*1 http://www.aporrea.org/actualidad/n159962.html
*2 http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/14/governo-berlusconi-sofre-te...
*3 http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/14/calderon-anuncia-saida-de-m...
*4 http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/01/25/renuncia-de-ramon-carrizale...
*5 http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/01/27/a-conta-de-chavez-9157193...
por Gustavo Marun
Dicas de programas, TV Brasil
Dicas de programas, TV Brasil:
Os presidentes da América Latina - Rafael Correa: Sexta-feira, 16/07 às 22h
http://www.tvbrasil.org.br/ospresidentes/index.php
Abreu e Lima - general de Bolívar: Sábado, 17/07 às 23:30h
UNICEF confirma: em CUBA, 0% de desnutrição infantil
06 JULHO 2010
Cira Rodríguez César
Prensa Latina
A existência no mundo em desenvolvimento de 146 milhões de crianças menores de cinco anos com baixo peso contrasta com a realidade das crianças cubanas, reconhecida mundialmente por estar fora deste mal social.
Esses números alarmantes apareceram em um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado Progresso para a Infância, um boletim sobre Nutrição, lançado na sede da ONU.
Segundo o documento, a percentagem de crianças com baixo peso é de 28 por cento na África subsaariana, 17 no Oriente Médio e no Norte da África, 15 na Ásia Oriental e Pacífico e 7 na América Latina e Caribe.
O quadro é completado pela Europa Central e Oriental, com 5 por cento, e outros países em desenvolvimento, com 27 por cento.
Cuba não tem esses problemas, e é o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil grave, graças aos esforços do governo para melhorar a nutrição das pessoas, especialmente as mais vulneráveis.
As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas sofrem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5.200.000 pessoas subnutridas e no Haiti, três milhões e 800 mil, enquanto em todo o mundo morrem de fome a cada ano mais de cinco milhões de crianças.
De acordo com estimativas das Nações Unidas, seria muito caro conseguir saúde básica e nutrição para todos os povos do Terceiro Mundo.
Porém, bastaria para atender a essa meta 13 bilhões de dólares adicionais por ano para o que se pretende agora, uma cifra que nunca foi alcançada e é minúscula em comparação com os milhões de milhões que são gastos anualmente em publicidade comercial, os 400.000 milhões movimentados pela venda de drogas, ou de até oito bilhões dos gastos em cosméticos nos Estados Unidos.
Para a satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que este é o país com maior progresso na América Latina na luta contra a desnutrição.
O Estado cubano garante uma cesta básica que permite a alimentação da sua população, pelo menos nos níveis básicos, através da rede de distribuição de produtos regulamentados.
Da mesma forma, são feitos ajustes econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a nutrição do povo cubano e aliviar a escassez de alimentos. Especialmente mantém-se uma vigilância constante sobre a vida de crianças e adolescentes. Assim, a atenção para a nutrição começa com a promoção de uma forma melhor e natural de nutrição da espécie humana.
Desde os primeiros dias de vida os inúmeros benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços feitos em Cuba para a saúde e o desenvolvimento da sua infância.
Isso permitiu aumentar a percentagem de recém-nascidos que permanecem até o quarto mês de vida, a amamentação exclusiva e até mesmo a continuidade do consumo de leite, complementada com outros alimentos até os seis meses de idade.
Atualmente, Cuba tem 99 por cento dos recém-nascidos egressos de maternidades com aleitamento materno exclusivo, superior a meta que era de 95 por cento, segundo dados oficiais, o que indica que todas as províncias cumprem essa meta.
Apesar das difíceis condições econômicas atravessadas pela Ilha, se garante a alimentação e nutrição das crianças mediante a entrega diária de um litro de leite a todas as crianças de zero a sete anos de idade.
Adicionando a isso a entrega de outros alimentos, como geléias, sucos e carnes, que, dependendo da disponibilidade econômica do país, são distribuídos de forma equitativa para crianças em idades menores.
Até os 13 anos de idade a prioridade de distribuição subsidiada de produtos complementares, tais como o iogurte de soja, e em catástrofes naturais, as crianças são protegidas pela distribuição gratuita de alimentos básicos.
Crianças incorporadas aos Círculos Infantis (berçários) e escolas primárias com regime de semi-internado também se beneficiam do esforço contínuo para melhorar suas dietas, em termos de componentes dietéticos lácteos e proteína.
Com o apoio da produção agrícola, mesmo em condições de seca severa, e do aumento das importações de alimentos, a ingestão de nutrientes atinge por cima os padrões estabelecidos pela FAO.
Em Cuba, este indicador é a média ficcional da soma do consumo de alimentos pelos ricos e pelos famintos.
Além disso, o consumo social inclui a merenda escolar que é distribuída gratuitamente a centenas de milhares de estudantes e trabalhadores da educação, as cotas especiais de alimentos para crianças de até 15 anos e pessoas acima de 60 nas províncias orientais.
Nesta lista estão cobertas as gestantes, mães lactantes, idosos e portadores de necessidades especiais, suplemento alimentar para crianças com baixo peso e pequeno tamanho, e fonte de alimento para os municípios em Pinar del Rio, Havana e a Ilha da Juventude.
Estas instituições foram atingidas por furacões no ano passado, enquanto as províncias de Holguín, Las Tunas e Camagüey e cinco municípios estão enfrentando a seca.
Nesse empenho colabora o Programa Alimentar Mundial (PAM), que contribui para a melhoria do estado nutricional das populações vulneráveis na região leste, onde se beneficiam mais de 631.000 pessoas.
A cooperação do PAM com Cuba remonta a 1963, quando a agência prestou assistência imediata às vítimas do furacão Flora. Até essa data, realizaram no país cinco projetos de desenvolvimento e 14 operações de emergência.
Recentemente, Cuba deixou de ser um receptor para ser um país doador.
A questão da desnutrição torna-se muito importante na campanha das Nações Unidas para alcançar em 2015 os Objetivos do Milênio, adotada na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada em 2000, e entre seus objetivos está a erradicação da pobreza extrema e da fome até essa data.
Porém, os cubanos dizem que essas metas não vão assustar ninguém, pois a própria ONU coloca o país na vanguarda do cumprimento desses desafios em matéria de desenvolvimento humano.
Não sem deficiências, dificuldades e sérias limitações impostas por um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de quatro décadas.
Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem abaixo do peso no mundo hoje é cubana.
A felicidade impossível - por Fidel Castro
A FELICIDADE IMPOSSÍVEL
Prometi que seria o homem "mais feliz do mundo se estivesse errado" e infelizmente a minha felicidade duraria muito pouco.
Ainda não concluiu a Copa do Mundo de Futebol. Faltam ainda seis dias para a partida final.
Que extraordinária oportunidade perder-se-ão possivelmente o império ianque e o Estado fascista de Israel para manterem afastadas as mentes da imensa maioria dos habitantes do planeta de seus problemas fundamentais!
Quem terá percebido os sinistros planos do império no que se refere ao Irã e seus grosseiros pretextos para agredi-lo?
Ao mesmo tempo pergunto-me: o que fazem pela primeira vez os navios de guerra israelenses nas águas do Golfo Pérsico, do Estreito de Ormuz e nas áreas marítimas do Irã?
É possível imaginar que os porta-aviões nucleares ianques e os navios de guerra israelenses irão embora dali com o rabo entre as pernas, quando forem cumpridos os requisitos acordados na Resolução 1929 do dia 9 de junho de 2010, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que mantém a autorização para inspecionar os navios e aeronaves iranianas com a possibilidade de realizá-la no território de qualquer Estado e que nesta ocasião autoriza a fazê-la aos navios em alto mar?
A Resolução também estabelece que a inspeção dos navios iranianos não se realizaria sem o consentimento do Irã. Nesse caso, a negação seria objeto de análise.
Outro elemento acrescentado é a possibilidade de confiscar o inspecionado caso se confirme que viola o disposto na Resolução.
Um Irã desarmado foi vítima daquela cruel guerra com o Iraque na qual massas de Guardiões da Revolução limpavam os campos minados avançando sobre as mesmas.
Este não é o caso de hoje. Nas Reflexões anteriores expliquei que Mahmoud Ahmadinejad foi chefe dos Guardiões da Revolução no Oeste do Irã, que levou o peso principal daquela guerra.
Anos mais tarde, um governo do Iraque estimulado enviou a maioria de sua Guarda Republicana e se anexou o Emirado Árabe de Kuwait rico em petróleo, que foi presa fácil.
O governo do Iraque mantinha com Cuba uma estreita amizade e recebia, desde os tempos em que não guerreava com ninguém, importantes serviços de saúde. O nosso país tentou persuadi-lo para que abandonasse o Kuwait e terminasse a guerra que tinha provocado a partir de pontos de vista errados.
Hoje é sabido que uma medíocre embaixadora ianque, que tinha excelentes relações com o Governo do Iraque o induziu ao erro cometido.
Bush pai atacou o seu antigo amigo chefiando uma potente coligação com uma forte composição árabe-muçulmana-sunita de países que fornecem petróleo a grande parte das nações industrializadas e ricas, a qual avançou desde o Sul do Iraque para cortar a retirada à Guarda Republicana que se dirigia para Bagdá, a qual por prudência da Infantaria da Marinha e das Forças Armadas dos Estados Unidos -sob o comando de Colin Powell, general com prestígio, e posteriormente Secretário de Estado de George W. Bush- escapou para a capital do Iraque.
Por pura vingança, contra ela utilizaram projéteis contaminados com urânio empobrecido, com os quais pela primeira vez experimentaram o dano que poderiam produzir nos soldados adversários.
O Irã que agora é ameaçado com seus exércitos de ar, mar e terra, de religião muçulmano-xiita, em nada é parecido com a Guarda Republicana que atacaram impunemente no Iraque.
O império está a ponto de cometer um impagável erro sem que nada o possa impedir. Avança inexoravelmente para um sinistro destino.
O único que pode afirmar-se é que houve quartas de final na Copa do Mundo de Futebol. Assim, os fãs do esporte pudemos desfrutar dos emocionantes jogos em que vimos coisas incríveis. Afirma-se que, em 36 anos, o time da Holanda não perdia em uma sexta-feira em jogos da Copa do Mundo de Futebol. Apenas, graças aos computadores poderia fazer-se esse cálculo.
O fato real é que o Brasil foi eliminado das quartas de final da Copa.
Um juiz deixou o Brasil fora da Copa. Pelo menos essa foi a impressão que não deixou de repetir um excelente comentarista esportivo da televisão cubana. Depois a FIFA declarou que era correta a decisão do árbitro.
Mais tarde, o próprio juiz deixou o Brasil com 10 jogadores em um momento decisivo, quando ainda restava mais da metade do segundo tempo do jogo. Com certeza essa não foi nunca a intenção do árbitro.
Ontem a Argentina foi eliminada. Nos primeiros minutos o time alemão através do meio-campo Muller, surpreendeu a confiada defesa e o goleiro argentino conseguindo marcar um gol.
Posteriormente, não menos de 10 vezes, os centroavantes argentinos, por uma do time alemão, não conseguiram marcar um gol.
Pelo contrário, o time alemão marcou outros três gols e até Ângela Merkel, Chanceler Federal da Alemanha aplaudia com muito entusiasmo.
Assim, novamente, um dos times favoritos perdeu. Dessa forma, mais de 90% dos fãs do futebol em Cuba ficaram atônitos.
A maioria esmagadora dos amantes desse esporte nem sequer sabem em que continente está localizado o Uruguai. Uma final entre países europeus será o mais descolorido e anti-histórico desde que nasceu esse esporte no mundo.
No entanto, na arena internacional aconteceram fatos que não tem nada a ver com os jogos de azar e sim com a lógica elementar que rege os destinos do Império.
Uma série de notícias foram veiculadas nos dias 1, 2 e 3 de julho.
Todas giram em torno de um fato: as grandes potências representadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas com direito a veto, mais a Alemanha, chamaram no dia 2 de julho o Governo do Irã a dar "uma rápida resposta" ao convite que lhe foi feito para reiniciar as negociações sobre o seu programa nuclear.
O Presidente Barack Obama assinou no dia anterior uma Lei que alarga as medidas existentes contra as áreas energética e bancária do Irã e poderia punir as companhias que realizarem negócios com Governo de Teerã. Quer dizer, o bloqueio rigoroso e o estrangulamento do Irã.
O Presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o seu país reiniciará as conversações no fim de agosto e destacou que nelas devem participar países como o Brasil e a Turquia, os dos únicos membros do Conselho de Segurança que rejeitaram as sanções do passado dia 9 de junho.
Um funcionário de alto nível da União Europeia advertiu, pejorativamente, que nem o Brasil nem a Turquia serão convidados para participar das conversações.
Não faz falta nada mais para tirar as conclusões pertinentes.
Nenhuma das duas partes cederá; uma, pelo orgulho dos poderosos, e a outra, pela resistência ao jugo e pela capacidade para combater, como tinha acontecido tantas vezes na história do homem.
O povo do Irã, uma nação de milenares tradições culturais, sem dúvidas, vai defender-se dos agressores. É incompreensível que Obama pense seriamente que o Irã aceitará suas exigências.
O Presidente daquele país e os seus líderes religiosos, inspirados na Revolução Islâmica de Ruhollah Khomeini, criador dos Guardiões da Revolução, das Forças Armadas modernas e do novo estado do Irã, resistirão.
Os povos pobres do mundo, que não temos a menor culpa do colossal enredo criado pelo imperialismo, localizados neste hemisfério ao Sul dos Estados Unidos, o resto situados no Oeste, no Centro e no Sul da África, e os outros que possam ficar ilesos da guerra nuclear no resto do planeta apenas temos a alternativa que encarar as consequências da catastrófica guerra nuclear que vai estourar em breve tempo.
Infelizmente não tenho nada que retificar e me responsabilizo plenamente com todo o que escrevi nas últimas Reflexões.
Fidel Castro Ruz
4 de julho de 2010
Alcaldes de la Amazonía boliviana expulsan a USAID de municipios
Alcaldes de la Amazonía boliviana expulsan a USAID de sus municipios
Wilson García Mérida
Bolpress
Pando es declarado “territorio amazónico libre de Usaid”. Son expulsadas de sus comunas autónomas varias ONG’s dependientes de la agencia de cooperación de Estados Unidos como “Conservation Strategy Fund” (CSF), “Herencia”, “Puma”, “WCS Rainforest Alliance” y “Armonía”. Tienen plazo hasta el 30 de julio para entregar sus informes y documentos de cierre de gestión.
Un hecho de trascendencia acaba de suceder en el Estado Plurinacional de Bolivia. Los alcaldes de los municipios en el departamento autónomo de Pando, dentro la Amazonía boliviana, decidieron expulsar de sus jurisdicciones a varias ONG’s, fundaciones y empresas que operan en este territorio con financiamiento de la Agencia de Cooperación de los Estados Unidos (Usaid, por su sigla en inglés), al haberse constatado que estas entidades “son las que generan conflictos internos dentro el país, interfiriendo en nuestro proceso histórico de liberación nacional para socavar la legitimidad democrática de nuestro Gobierno”, según un pronunciamiento emitido el pasado 6 de julio por las autoridades municipales de esta región amazónica fronteriza con Brasil y Perú.
Tras comprobarse que funcionarios pagados por Usaid intentaron provocar un cisma en el movimiento indígena boliviano enfrentando a las organizaciones campesinas de la amazonía boliviana con el propio Gobierno que los representa, los alcaldes de Pando decidieron “expulsar de cada una de nuestras jurisdicciones a las ONG`s, empresas, agencias y proyectos financiados a través de Usaid y sus aliados, para acabar con la impostura de los traficantes internacionales del medio ambiente, poner fin a las maniobras políticas del Gobierno de Estados Unidos en nuestro rico territorio amazónico y liberarnos de las viejas prácticas prebendales impuestas por esta perversa ‘cooperación’ cuyos míseros centavos envilecieron la conciencia de nuestros pueblos, de sus campesinos y de nuestras valerosas representaciones indígenas”.
Entre las ONG’s y fundaciones que “a partir de la fecha” deben abandonar el territorio autónomo de Pando, figuran “Conservation Strategy Fund” (CSF), “Herencia”, “Puma”, “WCS Rainforest Alliance” y “Armonía”, las cuales además, en un plazo que vence el próximo 30 de julio, están obligadas a brindar informes sobre sus programas, proyectos y actividades, así como el origen de su financiamiento, además de los montos recibidos en los últimos 10 años y los resultados tangibles logrados hasta la fecha. “Caso contrario nos veremos obligados a someterlos, en el marco de la nueva Constitución Política del Estado, a los tribunales de justicia por vulnerar nuestra autonomía y atentar contra nuestra soberanía territorial e institucional”, advierte el pronunciamiento emitido por la Asociación de Municipios de Pando (Amdepando).
El pronunciamiento explica que mediante programas como el denominado “Madre de Dios, Acre y Pando” (MAP) y la “Iniciativa de la Cuenca Amazónica” (ICCA), Usaid y sus ONG’s han convertido al departamento amazónico de Pando “en un territorio enajenado e intervenido abusivamente”. Afirma asimismo que bajo el maquillaje de “lucha contra la pobreza”, “preservación del medio ambiente”, con enfoque capitalista, y programas racistas denominados “Protección de Paisajes Indígenas”, suplantan a la autoridad autónoma de los municipios e intervienen políticamente haciendo circular clandestinamente millones de dólares en las comunidades indígenas y campesinas para enfrentar al pueblo con su propio Gobierno, buscando desestabilizar al régimen que preside el líder indígena Evo Morales.
El mal llamado “Manejo efectivo de la diversidad biológica y los servicios ambientales”, agrega el documento, “es sólo un pretexto para trasnacionalizar nuestros recursos naturales, intervenir las organizaciones sociales y alinearlas con los intereses del imperio para terminar dominando nuestros territorios, sus bosques y la biodiversidad”.
En ejercicio soberano de sus competencias conferidas por el nuevo régimen autonómico boliviano establecido en la actual Constitución Política del Estado, los munícipes pandinos han declarado al departamento de Pando “Territorio Amazónico Libre de Usaid”.
Con dicha declaración, los munícipes amazónicos apoyan la decisión del presidente Evo Morales Ayma, oficializada ya fines de 2008, de expulsar definitivamente a Usaid de nuestro país. “Este será un gesto histórico, soberano y ejemplar, destinado a lograr el respeto frente al arrogante intervencionismo extranjero”, reza el pronunciamiento, además de declarar “estado de emergencia en nuestros municipios para defender la dignidad y soberanía nacional ante la desestabilización democrática propiciada por los enemigos internos y extranjeros de este proceso de cambio”.
Advierten las autoridades comunales que “a partir de la fecha ninguna ONG, Fundación —nacional o extranjera—, empresa y/o proyecto que no cuente con la autorización de los alcaldes y sus concejos municipales, podrá hacer intervención alguna en nuestro territorio”.
El departamento de Pando está ubicado al norte de la República de Bolivia sobre una extensión de 64.000 kilómetros cuadrados en la cuenca del gran Amazonas, con más de 50.000 habitantes según el censo del 2001; contiene 5 provincias, 15 municipios y 51 cantones. Es uno de los territorios más ricos de Bolivia en biodiversidad y donde se halla la mayor cantidad de tierras fiscales disponibles para ser distribuida entre indígenas y campesinos sin tierra que vienen llegando de otros confines del país, en un proceso que intentó ser revertido por la ingerencia norteamericana e intereses de latifundistas que propiciaron la masacre indígena del 11 de septiembre del 2008, en el municipio de Porvenir.
llactacracia@yahoo.com
http://www.bolpress.com/art.php?Cod=2010070802
Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=109377
Campanha pela Memória e pela Verdade - OAB-RJ
Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.
http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp
Vídeos da campanha: http://www.youtube.com/user/oabriodejaneiro
O governo e o capital dos EUA conspiram contra a America Latina
O governo e o capital dos Estados unidos conspiram quotidianamente contra os povos da America Latina
por Altamiro Borges
Para os que acham que a crítica às ações expansionistas dos EUA é
coisa de “esquerdistas com mentalidade conspirativa”, sugiro a leitura
do livro “Legado de cinzas: uma história da CIA”, publicado pelo
jornalista estadunidense Tim Weiner em 2008. Já para os que se
iludiram com a eleição de Barack Obama, sonhando que ela poderia
aplacar a gula imperialista, indico a leitura dos artigos da escritora
estadunidense-venezuelana Eva Golinger, uma atenta pesquisadora dos
documentos desclassificados das várias “agências de ajuda” dos EUA.
No seu mais recente artigo, ela comprova que os EUA continuam bastante
ativos na montagem de rede de conspiradores pelo mundo: “Durante o
último ano, distintas agências de Washington têm financiado, promovido
e organizado grupos de jovens e estudantes na Venezuela, Irã e Cuba,
para criar movimentos de oposição contra seus governos. Os três
países, considerados ‘inimigos’ pelo governo estadunidense, têm sido
vítimas do incremento de agressões de Washington, que busca provocar
mudanças de ‘regime’ favoráveis aos seus interesses”.
Recursos milionários das “agências”
Na semana passada, um dos líderes da oposição anti-chavista, Roderick
Navarro, presidente da Federação de Centros Universitários da
Universidade Central da Venezuela, esteve em Miami para organizar “uma
rede internacional, que inclua estudantes do Irã e Cuba, para que o
mundo saiba das violações dos direitos humanos em nossos países”,
segundo confessou à imprensa. A sua principal visita foi ao Diretório
Democrático Cubano, organização de gusanos cubanos que é financiada
pela USAID e pela NED, duas das mais ativas agências intervencionistas dos
EUA.
“Desde 2005, Washington está reorientando recursos através da NED e da
USAID para o setor estudantil da Venezuela. Dos 15 milhões de dólares
invertidos e canalizados por estas agências neste país, mais de 32%
são dirigidos a organizações ‘juvenis’. Seu programa principal está
direcionado à ‘capacitação no uso de novas tecnologias e de redes
sociais para se organizar de maneira política’, segundo afirmam os
próprios informes da USAID”, denuncia Golinger.
Ingerência agressiva no continente
A escritora afirma que Barack Obama não só manteve estes planos
ilegais de ingerência, como intensificou as ações. “Em agosto de 2009,
Washington começou uma ofensiva mundial usando estudantes venezuelanos
como porta-vozes da oposição. De agosto a setembro, o Departamento de
Estado organizou a visita de oito jovens aos EUA para denunciar o
governo Chávez e para estreitar os vínculos com jovens estadunidenses.
Os oito foram selecionados pelo Departamento de Estado como parte do
programa ‘A democracia para os jovens líderes políticos’”.
“Os jovens venezuelanos, pagos e acompanhados pelo Departamento de
Estado durante a visita, deram declarações à imprensa tentando
desacreditar o governo Chávez. Justamente depois desta visita, foi
organizada uma manifestação através do Facebook, intitulada “No más
Chávez”, que incitou o magnicídio [assassinato] de Chávez... Um mês
depois, em outubro de 2009, a Cidade do México sediou o segundo
encontro da Aliança de Movimentos Juvenis (AYM). Patrocinado pelo
Departamento de Estado, o evento contou com a participação de Hillary
Clinton” e de vários direitistas da América Latina – incluindo do
Brasil, que não teve o seu nome revelado.
Investindo pesado na Internet
Além dos debates políticos, com palestras de agentes do Instituto
Republicano Internacional, do Banco Mundial e do Departamento Estado,
os presentes tiveram vários cursos de “capacitação e formação” em
Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube. O império estadunidense
tem investido pesado na utilização destas ferramentas da Internet.
Segundo a AYM, entidade criada em 2008, "o uso destas técnicas mais
modernas tem resultado em coisas assombrosas”. Ela se jacta de várias
manifestações direitistas organizadas através da Internet.
Como alerta Eva Golinger, “as novas tecnologias – Twitter, Facebook,
Youtube e outros – são suas principais armas nesta nova estratégia, e
os meios tradicionais, como a CNN e as afiliadas, exageram o impacto
real destes movimentos, promovendo opiniões falsas e distorcidas”.
Para a escritora, o objetivo é criar uma “ciber-dissidência”, que
desestabilize governos progressistas, apropriando-se de bandeiras como
as da “liberdade de expressão e dos direitos humanos”.
O Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos
Após audiências públicas em San José, na Costa Rica, familiares que representam 25 desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia acreditam que a Corte condenará o Estado brasileiro
Michelle Amaral da Redação
Familiares de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia acreditam que o Brasil possa ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Oraganização dos Estados Americanos (OEA). O Estado brasileiro é réu em um processo de responsabilização por crimes cometidos durante a repressão à Guerrilha do Araguaia, entre os anos de 1972 e 1974.
Em uma sessão pública na Câmara Municipal de São Paulo, realizada em junho, familiares das vítimas e representantes das organizações que moveram a ação contra o Estado Brasileiro se reuniram para fazer um relato de como foram os seus depoimentos nas audiências públicas realizadas pela Corte, em San José, na Costa Rica.
Nestas audiências, que aconteceram entre os dias 20 e 21 de maio, prestaram depoimento representantes das vítimas, testemunhas, peritos e representantes do Estado brasileiro. Com isto, foi iniciado o processo de finalização do julgamento, restando agora a sentença da Corte, que deverá ser emitida no final de agosto.
“A gente tem certeza que o Brasil vai ser condenado, a gente já tinha antes da audiência e com a audiência ficou mais explícito”, afirma Beatriz Stella de Azevedo Affonso, do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), que representa os familiares das vítimas no processo. Segundo ela, as falas dos juízes e o modo como o julgamento foi conduzido permitem esta certeza.
A ação contra o Estado brasileiro foi movida pelo Cejil, pela organização Tortura Nunca Mais e pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo.
Julgamento
As audiências fazem parte do julgamento em curso contra o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de 70 pessoas, pela impunidade dos crimes cometidos e pelo não esclarecimento da verdade sobre os fatos ocorridos na Guerrilha do Araguaia - resistência guerrilheira existente na região amazônica brasileira entre o final da década de 60 até meados dos anos 70, ao longo do rio Araguaia -, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).
A ação n° 11552, chamada "Caso Gomes Lund e outros", tramitou por 13 anos na Comissão de Direitos Humanos da OEA (CIDH) que, como não obteve uma resposta do governo brasileiro que atendesse à demanda dos familiares dos desaparecidos, o levou ao julgamento da Corte em 2008.
Em seu parecer, a CIDH considerou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de membros do PCdoB e camponeses na Guerrilha do Araguaia.
Os familiares que representam 25 desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia passaram a cobrar na Justiça brasileira a localização e recuperação dos restos mortais a partir de 1982, com o início do processo de redemocratização do país. E, em 1995, sem nenhum resultado no sistema judicial interno, resolveram levar o caso à CIDH.
"Para mim foi muito sofrido ter que buscar justiça para meus companheiros, para meus familiares fora do meu país”, disse Criméia Almeida, sobrevivente do Araguaia e que até hoje busca os corpos do marido André Grabois e do sogro Maurício Grabois, militantes da guerrilha mortos em 1973.
Segundo ela, o mais triste é saber que os familiares dos desaparecidos do Araguaia não são os únicos que não conseguem obter Justiça no Brasil. “Talvez tantos outros brasileiros, não só desaparecidos políticos, mas vítimas de tantos outros desrespeitos aos direitos humanos, não estão conseguindo seus direitos aqui no Brasil e talvez nem tenham condições de buscar os seus direitos fora”.
No mesmo sentido, Suzana Lisboa, ex-integrante Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça (CEMDP), lamentou o fato de se ter “que buscar uma instância no exterior para encaminhar e julgar questões tão básicas”.
Condenação
Laura Petit, irmã da ex-guerrilheira do Araguaia, Mária Lúcia Petit, primeira militante a ter seu corpo identificado – somente dois corpos foram identificados até hoje, o segundo foi Bergson Gurjão Farias -, afirmou ter esperança de que haja uma condenação internacional e que isto represente o fim da impunidade dos torturadores.
"A gente sente a diferença de estar falando para uma Corte que se preocupa com os diretos humanos do que estar falando aqui no Brasil, porque a gente tem repetido essa história da luta dos familiares pela busca dos desaparecidos durante décadas e não se fez nada", relatou Petit.
De acordo com o advogado Belisário dos Santos Júnior, que também participou como testemunha nas audiências realizadas pela Corte, uma condenação do Estado brasileiro pela OEA acarretaria sérias consequências jurídicas.
“Poderia implicar na obrigação de se revogar uma parte da Lei de Anistia. Poderia implicar na atribuição de outras indenizações aos familiares, mais completas. Poderia implicar na obrigação do Estado brasileiro perseguir judicialmente a responsabilidade pelas torturas que foram cometidas naquele período, pelas graves violações dos direitos humanos que foram cometidas”, estima o advogado.
Apesar da importância de uma condenação pela Corte da OEA, Criméia alega que, para que ela seja cumprida, ainda será necessária muita luta por parte dos familiares dos desaparecidos. "Espero que o país seja condenado sim, e sei que ainda vou ter que lutar muito para que essa sentença seja cumprida", disse.
Fonte: Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/o-brasil-na-corte-in...
Começam preparativos para Brigada contra o Terrorismo Midiático
Começam preparativos para Brigada de Luta contra o Terrorismo Midiático
07.07.10 - CUBA
Tatiana Félix *
Fonte: Adital
"Já faz alguns anos que se observa a ofensiva na Internet contra os povos que lutam pela sua liberdade. A web já se transformou em novo cenário de luta, e os primeiros meses deste ano de 2010 puseram em evidência o emprego destas novas tecnologias contra Cuba mediante uma campanha midiática feroz nas quais sobressaem a mentira, a traição e a desonra".
É para tentar reverter esta situação, descrita em convocatória, que o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), convoca a população, veículos de comunicação e demais entidades a participarem da primeira edição da Brigada Mundial de Luta contra o Terrorismo Midiático, que se realizará nas cidades de Holguín e Havana, em Cuba, entre os dias 15 e 28 de novembro deste ano. Para os interessados em participar deste momento, a inscrição deve ser feita até 10 de outubro.
O objetivo do evento é fortalecer a mídia do país e demais setores da sociedade cubana, e também analisar o caso dos Cinco Heróis Cubanos presos nos Estados Unidos, há mais de dez anos, acusados de terrorismo. "Todos os povos tem sofrido o assédio moral midiático. Hoje, o combate é ainda mais amargo. É necessário fazer frente com mente fria e coração ardente, de forma coordenada e com a caneta na mão", afirma o Instituto Cubano.
A programação inclui visitas, intercâmbios e conferências relacionadas com o tema dos meios de comunicação em Cuba, os desafios desta batalha e a projeção de acordos para fortalecer a colaboração entre todos os participantes. Ao todo são seis noites no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella (CIJAM), no município de Caimito, à 45 quilômetros da Cidade de Havana, e 6 noites na província de Holguín, durante a realização do VI Colóquio.
Aproveitando a mobilização, será realizado o VI Colóquio pela Liberdade dos Cinco Heróis Cubanos presos nos Estados Unidos. Este programa prevê um workshop com os meios de comunicação participantes como uma das sessões de trabalho mais importantes.
Mais informações em: http://www.icap.cu/
* Jornalista da Adital
O que diriam se isto ocorresse na Venezuela?
6 julho 2010 - O governo dos EUA emitiu uma nova norma que converte em delito grave para qualquer jornalista, repórter, blogger, fotógrafo ou cidadão que aproximar-se de qualquer operação de limpeza de óleo, equipamento ou embarcação no Golfo do México. Qualquer pessoa capturada está sujeita a prisão, uma multa de US $ 40.000 e o julgamento por um delito federal.
Fonte: http://www.aporrea.org/medios/n160676.html
Vídeo em inglês: http://www.youtube.com/watch?v=TyUjgRfOdDg
Tradução: Gustavo Marun
Como a blogosfera detonou a SporTV no Paraguai
por Luiz Carlos Azenha (com dicas do Stanley Burburinho e Conceição Oliveira)
Em comum, todos tem um sorriso permanente estampado no rosto. Sorriso plastificado. Nem disfarçam mais, fazendo “cara de conteúdo”. Difícil discernir entre os locutores que fazem televendas, os humoristas do CQC e os telejornalistas encarregados das coberturas esportivas. Eles estão permanentemente de bom humor e tratam o telespectador como um imbecilóide, como a criança que recém migrou do show da Xuxa para a adolescência das coberturas esportivas e que, se tudo der certo, em breve se tornará bovinamente “consumidor de notícias” do Jornal Nacional.
O mais curioso é que os mentores dessa imbecilização generalizada se alimentam de preconceitos antigos para suas “sacadas” modernosas. Nascem daí momentos imperdíveis de nosso telejornalismo, como o que o SporTV produziu sobre o Paraguai, a título de fazer uma graça. Houve, sim, um tímido pedido de desculpas (mas eles continuam pensando a mesma coisa sobre o Paraguai, só lamentam não poder dizer isso em voz alta). É produto genuinamente brasileiro, como a jabuticaba: um tele-entretenimento jornalístico que ganha dinheiro reproduzindo a própria ignorância.
PS: Um leitor do Viomundo me enviou um e-mail dizendo que havia denunciado a SporTV ao jornal paraguaio La Nación, inclusive postando no You Tube o vídeo imbecilizante da emissora. Infelizmente, não consigo localizar a mensagem para dar crédito ao internauta.
Aqui para a nota de protesto do jornal La Nación
Aqui para ver o vídeo
Aqui para ir ao Somos Andando, da Cristina Rodrigues, que acompanha de perto
PS 2: Com a ajuda da Conceição Oliveira, reconstituí o “ciclo” da denúncia contra a SporTV. Foi o Vinicius Duarte que divulgou primeiro no twitter (ele tem o blog Com Fel e Limão); a partir disso, o blog do Esquerdopata (do Valdir Fiorini) encaminhou a denúncia ao jornal paraguaio ABC Color (uma vez que a Globo bloqueia o conteúdo fora do Brasil, o blog cuidou de subir o vídeo no You Tube). Só depois disso outro jornal paraguaio, o La Nación, publicou.
Para ir ao Esquerdopata, aqui
Para ir ao Com Fel e Limão, aqui
Veja aqui a resposta da cantora Ramonita Vera à SporTV (dica do Doladodelá)
Aqui, o pedido de desculpas da SporTV via ABC Color
Aqui a carta que Eduardo Guimarães escreveu ao povo paraguaio
Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/como-ganhar-dinheiro-vendendo...
Organizações rechaçam presença de forças militares dos EUA
05.07.10 - COSTA RICA
Natasha Pitts *
Fonte: Adital
Com 31 votos a favor e 8 contra, os membros da Assembleia Legislativa da Costa Rica decidiram, na última sexta-feira (2) pela entrada, no país, de 48 navios de guerra e 7 mil militares estadunidenses, que chegarão nos próximos seis meses e permanecerão até dezembro, no oceano Pacífico e Mar do Caribe. De acordo como o Governo costarriquenho, a intenção dos militares é combater o narcotráfico. A entrega da soberania nacional do país causou o descontentamento e o repúdio de diversas organizações populares.
Ciente da gravidade da situação, o legislador da Unidade Social Cristã (PUSC), Luís Fishman, sugeriu a quebra do quórum para não votar a permissão. No entanto, não recebeu o apoio necessário para executar seu plano. Os partidos da Liberação Nacional (PLN), Movimento Libertário (ML) e Renovação Costarriquense (RC) foram os principais responsáveis pela outorga da permissão para a entrada dos militares.
Organizações sociais e políticas da Costa Rica se mostraram descontentes com a decisão da Assembleia e emitiram um comunicado urgente alertando sobre o perigo da entrada das forças militares estadunidenses no país e abrindo os olhos da população para as reais intenções da chefe de Estado Laura Chinchilla.
Com esta ocupação, os EUA inserem a Costa Rica em sua agenda de guerra e transformam este território em um objetivo militar. Além disso, de acordo com o comunicado da Comissão Nacional de Enlace (CNE), com a ação, a Costa Rica adere abertamente ao ‘Plano Colômbia’ e passa a fazer parte dos planos de "agressão e guerra" dos Estados Unidos contra países latino-americanos, como a Venezuela.
"A historieta vendida pelo governo de Laura Chinchilla de que esta avançada militar vem para lutar contra o narcotráfico e que os "marinheiros" vêm para construir escolinhas ninguém crê. Nesta nova fase, a ocupação militar, é uma consequência direta derivada dos compromissos adquiridos no capítulo de segurança no marco do TLC [Tratado de Livre Comércio], assinado por Oscar Arias, que já tinha convertido a Costa Rica num protetorado dos EUA", esclarece o comunicado.
A CNE, desde já, responsabiliza os membros do PLN, ML e RC por quaisquer situações negativas que ocorram durante a permanência dos militares, já que estes "adquirem direitos para fazer o que lhes dá vontade no território nacional sempre que considerem que seja necessário para cumprir ‘sua missão’".
Partidos como Ação Cidadã (PAC), Frente Ampla (FA) e Unidade Social Cristã (PUSC) se opuseram à ocupação militar, justificando que a quantidade de militares estadunidenses é excessiva e desproporcional para o trabalho que ‘supostamente’ será realizado. Este número de material e pessoal militar estadunidense não era vista no país desde 1821, ano em que a Costa Rica conseguiu a independência.
Mediante todas as ações de rechaço, neste domingo (4) o Governo costarriquenho negou que esta medida seja uma tentativa de permitir a militarização do país por parte dos Estados Unidos. Segundo informações da TeleSul, Laura Chinchilla afirmou que o ministro de Segurança daria, nesta segunda-feira (5), mais detalhes sobre o acordo firmado com Washington.
José María Tijerino, ministro de Segurança, adiantou à imprensa que a presença dos militares servirá para reforçar o trabalho que os guarda-costas estadunidenses realizam há 11 anos para combater o narcotráfico. Tijerino esclareceu ainda que o efetivo militar estará sob suas ordens.
* Jornalista da Adital
AINDA SOBRE ACORDOS MILITARES BRASIL/ESTADOS UNIDOS:
por Ivan Pinheiro
A divulgação da Nota Política “Fora qualquer base norte-americana no
Brasil” cumpriu o
importante papel de chamar a atenção para as negociações em curso
entre o Brasil e os
Estados Unidos, no campo militar. Até então, o tema era apenas objeto
de especulações da
imprensa, sem que o governo brasileiro prestasse ao país qualquer
informação a respeito.
Só depois que as notícias vieram à luz do dia é que os porta-vozes do
governo e do PT
passaram a se pronunciar.
Estes porta-vozes não negam as negociações, tampouco a iminente
assinatura do acordo.
Usam a tática de procurar subestimar os entendimentos, para evitar a
mobilização dos
setores antiimperialistas e para preservar Lula e sua candidata, no
único tema a que se
apegam para tentar caracterizar seu governo como de esquerda: a
política externa.
Recorrem a uma discussão semântica sobre o conceito de base militar,
insistindo em que
não se trata de uma base do tipo colombiano e que o acordo não prevê
presença de tropas
norte-americanas em solo brasileiro.
É óbvio que não faz sentido uma base militar clássica dos EUA (com
soldados armados e
fardados) em território brasileiro ou de qualquer outro país da
América do Sul, exceto na
Colômbia, onde a insurgência das FARC é militar, um Exército do Povo,
com milhares de
combatentes e quase 50 anos de resistência.
Nos demais países da região, os EUA não precisam manter soldados de
plantão, mas bases de
inteligência e espionagem. Na grande maioria dos casos, como o do
Brasil, porque as
classes dominantes não contrariam os interesses do imperialismo. Além
do mais, as tropas
norte-americanas já rondam os mares do nosso continente, armadas até
os dentes, numa
imensa base móvel chamada IV Frota, reativada há poucos anos. As
tropas dos EUA podem ser
transportadas rapidamente, como foi no caso do Haiti. A pretexto do
terremoto, em 48
horas os Estados Unidos invadiram o país com mais de 10.000 soldados,
um contingente
maior do que o total das tropas da ONU, vergonhosamente comandadas
pelo Brasil.
Pelo que apuramos com responsabilidade, em consultas a diversas
fontes, inclusive algumas
de nossas relações internacionais, a presença militar norte-americana
no Brasil será uma
importante base de inteligência e espionagem, como algumas que já
existem no Paraguai
(para parte do Cone Sul), no Peru (para a região andina) e em El
Salvador (para a América
Central). São bases que abrigam centenas de militares
norte-americanos em roupa civil e
agentes da CIA, que têm como suas principais missões a escuta
telefônica e o controle de
toda a comunicação via Internet nas regiões de sua jurisdição.
O Pentágono, hoje em dia, privilegia este tipo de bases como um novo
sistema de controle
militar regional. Chamam-nas de FOL (Forward Operation Location),
centros de “mobilidade
estratégica” para guerras-relâmpago, usando tropas aerotransportadas
de rápida
mobilização.
Há indícios de que a base de inteligência pode ser instalada próximo
ao Rio de Janeiro,
para criar um triângulo de espionagem envolvendo bases similares em
Portugal e na
Flórida. Há indícios também de que o poderoso ministro da Defesa de
Lula, Nelson Jobim,
já estaria em Washington para acertar os detalhes finais e
possivelmente assinar o
acordo. Interessante notar que o assunto está sendo tratado pelos
Ministérios da Defesa
dos dois países, e não pelos de Relações Exteriores.
Só o Presidente Lula é quem pode hoje impedir a assinatura deste
absurdo acordo. Caso ele
assine, restará uma luta para que o Congresso Nacional não o
homologue. Só a pressão da
opinião pública poderá revogar o acordo.
Resta-nos aguardar alguns dias para que o quadro fique mais claro,
mas sem deixar de nos
mobilizarmos através da mais ampla denúncia dos entendimentos em
curso.
Rio de Janeiro, 11 de abril de 2010
Ivan Pinheiro
Obs.: Como subsídio, anexo aqui dois importantes textos sobre o
assunto:
- “O império e o sub-império”, de Manuel Freytas;
- “Um tratado indesejável”, de Mauro Santayana.
Adendo:
* ACORDO MILITAR BRASIL ESTADOS UNIDOS
Argentina: Não à poluição da mineração
Há tempos a Argentina vem lutando contra a mineração poluente, a mineração química prejudicial para o ambiente. Conciencia Solidaria é uma organização interprovincial Argentina sem fins lucrativos que vem dizendo NÃO à poluição da mineração em várias províncias do país.
No dia 24 de junho passado, a ONG Conciencia Solidaria saiu em defesa da lei de mineração 9526 que, precisamente, proíbe que se explore qualquer tipo de minerais metálicos a céu aberto, já que tanto a extração de tório e urânio como o uso de produtos químicos tóxicos com fins extrativos são altamente poluentes. Com o apoio da presidente e representante da ONG na cidade de Córdoba, Conciencia Solidaria pode fazer uma apresentação para o Superior Tribunal de Justiça. A lei abrange o território da província de Córdoba, Argentina, contra a predação da mineração nuclear e da mineração em grande escala. Como sabemos, a poluição é um dos principais flagelos dos quais é vítima nosso meio ambiente em todos os países do mundo.
A província de Córdoba é uma das sete províncias do país que possuem essa lei que proíbe a megamineração, e luta-se para que a lei se cumpra estritamente e para que se estenda a todas as províncias da Argentina. Dizer Não à mineração poluente é dizer Sim ao meio ambiente e à preservação da água.
Conciencia Solidaria, em sua campanha intitulada "Mineração poluente. Você sabe o que é?", lançou um vídeo explicando os efeitos prejudiciais causados pela poluição da mineração. Deste vídeo participaram diretores, técnicos e conhecidos atores argentinos como Georgina Barbarossa, Julieta Díaz, Taibo Raul, Juan Palomino, Leonor Manso, Nicholas e Gaston Pauls e Silvia Perez, entre outros. Todos se solidarizaram com a causa de forma voluntária com o objetivo de fazer circular livremente este vídeo para conscientizar a população da problemática meio-ambiental e recolher assinaturas para o "Não à poluição da mineração".
Fonte: El Blog Verde
Vídeo com legendas em português: www.concienciasolidaria.com.ar/videos/brasil.html
Tradução: Gustavo Marun